Carro Elétrico, real e palpável

 

Nissan Leaf
Em breve, o Leaf pode carregar as baterias na sua garagem
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Quando recebi a chave do Nissan Leaf (na verdade, um controle de alarme, já que a partida é feita por um botão no painel), uma planilha com o trajeto de cerca de 90 quilômetros - e quando vi que não haveria nenhum engenheiro apreensivo ao meu lado, percebi que a Nissan está mais que confiante com o seu primeiro veículo elétrico.

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Não se engane com a aparência de motor comum. 100% elétrico, o Leaf tem torque de 28,6 mkgf e 107 cv, aptos para uma autonomia de 160 km

SEM RUÍDO
Repetir a ladainha que carro elétrico não faz ruído é cansativo. Mas, não é exagero falar que o Leaf faz menos barulho ainda. Houve um exaustivo trabalho de engenharia para a redução de ruídos antes inaudíveis, como o vento batendo no parabrisa, ou nos retrovisores. O ruído dos pneus foi em parte eliminado com compostos de baixa resistência à rolagem. Na carroceria, há alguns traços que não são meramente estéticos. Olhe os faróis. As quinas saltadas na parte superior servem para direcionar o ar para fora da área dos retrovisores, reduzindo o coeficiente aerodinâmico frontal e, consequentemente, o arrasto do ar. A ponta da antena tem diâmetro maior para direcionar o ar sem que ele reclame da mudança. O motor elétrico de 107 cv também foi bem isolado da cabine, com uso de coxins hidráulicos e material fonoabsorvente. A Nissan diz que na estrada, em velocidade constante, o Leaf é mais silencioso que sedãs de luxo.

O único ruído que o Leaf emite não é ouvido de dentro da cabine com os vidros fechados: em baixa velocidade, um "beep beep" baixinho, mas audível, é emitido para chamar atenção de pedestres distraídos e, principalmente, pessoas com deficiência de visão. Na hora de sair com o carro, a sensação de acelerar e não ouvir nada já era até esperada. O que eu não esperava era a distribuição dos 28,6 mkgf de torque de uma forma progressiva - como acontece em carros com motor a combustão. Se eu escolhesse uma ótima música country local - de Nashville, Tennessee, na sede da Nissan North America, onde avaliamos o carro - e aumentasse o volume, nada me mostraria que eu estava em um carro elétrico.

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O painel traz os indicadores de uso e de carga da bateria, e um generoso computador de bordo. No console central, navegador, rádio e um gerenciador da energia usada pelo carro

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Porte de Tiida e aparência de carroconceito: desenho pensado para reduzir ruídos e atritos

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Tomadas para recarga rápida - em postos de abastecimento - e normal (à direita) para a recarga doméstica, com esse carregador aí do lado

E aí que mora sua maior qualidade do Leaf: a de parecer um carro comum. A direção com assistência elétrica tem bom peso e boa sensibilidade, enquanto o baixo centro de gravidade - vamos sentados em cima das baterias - permite uma tocada sem sustos ou inclinações excessivas. Na estrada, a 120 km/h, o comportamento é exatamente igual ao de um carro comum.

De acordo com os números da C/D americana, que testou o modelo, o Leaf acelera de 0 a 100 km/h em 10 s e cruza os 400 metros em 17,6 s a 125,5 km/h. A velocidade máxima não passou dos 148 km/h.

Movo mais uma vez o botão circular no console central - que faz a vez de alavanca de transmissão - e entro no modo econômico. Com a regeneração de bateria trabalhando a pleno, a autonomia indicada no painel chega a aumentar 10%, enquanto o ânimo do Leaf cai consideravelmente. Ainda de acordo com os números da C/D, a média de consumo equivalente é de 41,2 km/l!

O espaço interno equivale ao do Tiida e ele é ampliado pelo uso de cores claras em todo o interior, exceto em algumas molduras trabalhadas no estilo "black piano". O painel adota uma configuração semelhante à vista no Civic, com dois andares. No visor superior, um econômetro indica, por meio de imagens de árvores, o quão econômica está sua tocada, além de apresentar o velocímetro, digital. Embaixo, há indicadores de uso da bateria de 12V - que alimenta os periféricos - e do consumo e recuperação de energia das baterias de íon de lítio. Um marcador de "combustível" mostra o quanto há de carga na bateria, junto de um indicador de autonomia.

Segundo a Nissan, em uma tomada comum, a recarga completa é feita em 8 horas - e o processo pode ser acompanhado através de um iPhone. Mas o carro pode ficar 80% apto a rodar com uma carga rápida de 30 minutos.

Nos Estados Unidos o Leaf básico custa US$ 32 mil. Mas, com os subsídios locais, o preço despenca: o governo subsidia 7,5 mil dólares e em alguns Estados, como o Colorado, há subsídios extras de 6 mil dólares.

O Leaf foi mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo - e, segundo a Nissan, deve ser trazido regularmente a partir do próximo ano.

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As lanternas traseiras ajudam a evitar turbulência de ar na traseira e o desenho da antena de teto reduz o ruído de vento - perceptível pela ausência de barulho do motor

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