Nº de mortos pode passar de 1000 no Rio - Minas: Mais de 100 cidades em emergência - São Paulo: Chuvas



. Vice-governador do RJ: não há como calcular número de soterrados

. Nunca tinha visto algo assim, diz vice do Rio sobre tragédia  
· Estilista e 13 da mesma família morrem em sítio
. IML de Teresópolis entra em colapso com total de mortos



   
Bebê de 30 dias é regatada em Petrópolis                     Carro despencou no domingo no bairro Duas Pedras

Em Nova Friburgo, galão de água chega a R$ 45 e caixa de leite custa R$ 10



O caos na região serrana do Rio faz com que os preços dos itens mais procurados pela população disparem. Um morador de Nova Friburgo, por exemplo, relatou os valores abusivos que ele encontrou nos bairros de São Geraldo e Santa Bernardete: um galão de água de 5 litros custa R$ 45, uma caixa de leite chega a R$ 10 e um maço de velas também custa R$ 10.  
“Tive de vir até o centro a pé para comprar leite para as minhas filhas e gasolina. Andei duas horas na lama”, contou Edson de Oliveira, 21, desempregado. “Quando as pessoas poderiam estar ajudando, elas se aproveitam. É uma falta de respeito”, continuou o pai de duas meninas:  uma com 1 ano e meses, a outra com 4 anos.  
O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio, mandou prender todos os comerciantes que forem flagrados cobrando preços abusivos por alimentos, água e velas em Nova Friburgo. Segundo o comandante, ordem semelhante será repassada aos policiais de todas as cidades atingidas pelas chuvas. “Ninguém pode explorar a dor dos outros, se aproveitar da agonia da população para vender, por exemplo, um pacote de velas [que custa em torno de R$ 1,50] por R$ 10. Quem a gente encontrar fazendo isso será preso e levado diretamente ao Ministério Público”, disse o comandante. A pena para esse crime varia de 2 a 5 anos de reclusão, sem direito a fiança.
Segundo o subchefe administrativo da Polícia Civil, delegado Fernando Albuquerque, por enquanto os policiais estão dando prioridade à identificação dos corpos e à manutenção da segurança da cidade. Mas, em um segundo momento, haverá a investigação de crimes contra o consumidor, cujas penas são de dois a cinco anos de prisão, sem fiança.
Em Teresópolis, também há relatos de preços abusivos: um galão de 20 litros de água estava custando R$ 30. Segundo a Dedic (Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão), há 21 policiais coibindo as ações de preços abusivos na cidade.
Doações 
As cidades afetadas pelas chuvas na região serrana recebem doações de diversas partes do país. As prioridades de Petrópolis são mantimentos, material de limpeza, objetos de higiene pessoal, lençóis e roupa de cama. A cidade recebeu gratuitamente mais de 1,5 milhão de litros de água no sábado (15) e afirma que o abastecimento está praticamente normalizado. Nova Friburgo pede, principalmente, água e vela. Também são necessárias roupas íntimas, talheres, pão de forma, produtos de higiene pessoal e fósforo. Sumidouro pede água, pó de café, feijão, enlatados, leite em pó, açúcar, material de higiene, fósforos, velas, isqueiros, cobertores, colchões, roupas de cama, mesa e banho, roupas de adultos e crianças, calçados.
Em Teresópolis, os itens de mais necessidade são produtos de higiene pessoal (incluindo fralda descartável e geriátrica), vela, fósforo e roupas íntimas. A cidade reforça o pedido de galochas e capas de chuva, que serão usados por profissionais e voluntários em campo. Rudimar Caberlon, secretário municipal de Ação Social de Teresópolis, também pediu que a população mantenha as doações de alimentos. “Precisamos de arroz, feijão, farinha, óleo, sal, macarrão e outros alimentos não perecíveis.” Ele também pediu mobília, eletrodomésticos e demais utensílios para os desabrigados.
Petrópolis e Nova Friburgo informam que já não precisam mais de roupas. “O número de roupas doadas já ultrapassa a necessidade dos moradores afetados pelas chuvas na região de Itaipava”, informou a prefeitura de Petrópolis em comunicado.
Além da doação de produtos, Nova Friburgo também conta com a colaboração dos próprios moradores da cidade, que estão empenhados em ajudar aqueles que foram gravemente feridos pelos deslizamentos de terra e pelas enxurradas que destruíram o município. Uma longa fila se formou no hemocentro montado pela Secretaria Estadual de Saúde de Defesa Civil na região do centro e teve gente que esperou até 3 horas para doar sangue.
A tragédia causou o esvaziamento de Nova Friburgo, pois muitos têm pavor de ficar na cidade com maior número de mortos na calamidade que é registrada como um dos maiores desastres naturais do país. Os ônibus de Nova Friburgo em direção ao Rio saem a toda hora. A frota é de Niterói: os que estavam na serra fluminense estão enlameados ou avariados.
Balanço
número de mortes causadas pelas chuvas no Rio pode passar de 1000, segundo informações das defesas civis e das prefeituras deste domingo. O governador do Rio, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de sete dias pelas vítimas – o decreto entrará em vigor na segunda-feira (17), quando será publicado no “Diário Oficial”. A presidente da República, Dilma Rousseff, decretou luto oficial de três dias, a partir de sexta-feira (14). Em comunicado, ela afirmou que o luto é "pelas vítimas dos temporais que assolaram vários municípios do Brasil, principalmente da região serrana do estado do Rio de Janeiro".
Sérgio Cabral presenciou a queda de uma barreira durante a ida para Nova Friburgo, no Rio, no sábado. “Faço um apelo porque vi, in loco [a queda]: que ninguém use a RJ 116, porque acabou de acontecer uma queda de barreira. É algo muito sério, muito grave, está interditado”, afirmou, ao chegar em Nova Friburgo, onde fortes chuvas voltaram a alagar as ruas da cidade.
O governador disse que sentiu na pele a tensão que vivem os moradores da região. “Não vivi a mesma coisa porque graças a Deus estou vivo e não perdi nenhum parente nessa tragédia.  Mas efetivamente vivi o pânico”, contou. O governador visitou a cidade para ver os estragos e também o hospital de campanha da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, montado no local.




Dilma decreta luto oficial de 3 dias por vítimas das chuvas

13.01 - região serrana/RJ : presidente Dilma Rousseff sobrevoa região serrana atingida pelas chuvas no Rio. Foto: Roberto Stuckert Filho-PR/Divulgação



A presidente Dilma Rousseff decretou ontem luto oficial de três dias pelas vítimas dos temporais que assolaram vários municípios do País, principalmente na região serrana do Rio de Janeiro. Neste sábado, o governador do Rio, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de sete dias no Estado.

Chuvas na região serrana
As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.






clip_image001 clip_image002 Executivo tem casa atingida: 'Virou brejo'
Carro dos Bombeiros é soterrado por deslizamento em Nova Friburgo



Friburgo é o município mais castigado pela chuva na região serrana do RJ, confirma oficial


O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Pedro Machado, disse que a cidade de Nova Friburgo é a mais atingida pela enxurrada que atingiu os municípios da região serrana.
O coronel relatou que o comércio da cidade está totalmente fechado e as lojas não abrem porque os empregados moram em locais de difícil acesso e o transporte público ainda é muito precário.
Machado disse também que o município de Bom Jardim - localizado no alto da serra, logo após Friburgo - não foi muito afetado na região central da cidade, mas teve várias pontes derrubadas com a força da enxurrada e ainda há regiões no interior completamente isoladas.
O militar informou ainda que para se chegar a essas comunidades isoladas o acesso só pode ser feito por helicópteros de pequeno porte.
A geografia dessas cidades mudou e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) terá de abrir novas estradas. As antigas foram totalmente arrastadas pela força da água e no lugar delas há toneladas de pedras, lama e terra.
O comandante do Corpo de Bombeiros afirmou que o tempo chuvoso não está permitindo que as aeronaves cheguem à região serrana. Elas estão baseadas no Rio de Janeiro, esperando que o tempo melhore para ter acesso às áreas atingidas pela tragédia.
O oficial informou que várias construtoras colocaram máquinas, homens e equipamentos à disposição do governo do Estado e estão atuando, neste momento, na abertura da estrada Friburgo-Teresópolis, por onde escoa toda a produção de hortaliças, frutas e verduras.


RIO, TERESÓPOLIS e NOVA FRIBURGO 
Um temporal na região serrana do Rio provocou a maior catástrofe natural desde 1967 em um só dia no Brasil. Deslizamentos de toneladas de terra, quedas de pedras gigantescas e enxurradas comparadas a tsunamis atingiram moradores, tomaram bairros inteiros e inundaram prédios em segundos. Regiões de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis ficaram destruídas ou tomadas pela lama, em um cenário semelhante ao provocado pelo furacão Katrina, que devastou a cidade americana de Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005. Equipes de resgate têm dificuldade de acesso aos locais dos desmoronamentos. Pelo menos três estradas que cortam a região precisaram ser interditadas parcialmente, o que atrapalhou ainda mais o acesso de homens da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.
· A região serrana é formada por montes cobertos pela Mata Atlântica, onde os solos são mais instáveis e mais propensos a deslizamentos. A construção de casas e prédios em vales, próximos a rios, também facilita as formação de enchentes. Em 1988, um temporal havia deixado 171 mortos em Petrópolis, na maior tragédia provocada pela chuva na região serrana até hoje.
· Famílias inteiras morreram com a força da enchente ou com deslizamentos. Em alguns pontos, rios subiram até 5 metros e invadiram casas enquanto os moradores dormiam. Centenas de casas foram varridas pela terra que desceu as encostas, arrastando árvores e pedras.
· Com ruas e estradas bloqueadas, equipes de buscas têm dificuldade para remover corpos ou tentar resgatar moradores presos sob escombros. A pedido do governador Sérgio Cabral, a Marinha colocou à disposição dois helicópteros para transportar homens e equipamentos do Corpo de Bombeiros para a região serrana. Partes das três cidades ficaram sem água, telefone e energia elétrica.
· Em Teresópolis, a prefeitura decretou estado de calamidade pública e informou que mais de 2 mil pessoas tiveram que deixar suas casas. 'É a maior catástrofe da história do município', declarou o prefeito Jorge Mário Sedlacek.
· Segundo a Defesa Civil, 17 bairros foram atingidos por enchentes e deslizamentos. A área mais afetada foi a periferia da cidade, nas regiões conhecidas como Caleme, Poço dos Peixes, Posse e Granja Florestal. Cerca de 800 homens trabalham em equipes de resgate e atendimento aos desabrigados. Moradores tentavam encontrar parentes e carregavam corpos encontrados sob a terra. Uma igreja da cidade foi usada como local para que os mortos pudessem ser reconhecidos.
· No município de Nova Friburgo, três bombeiros que tentavam resgatar moradores de um prédio que havia desabado foram soterrados. A cidade ficou praticamente sem comunicação durante todo o dia de hoje, com linhas de telefonia fixa danificadas e sistema precário de telefonia celular. As autoridades confirmaram a morte de 107 pessoas. Uma encosta do município desmoronou e a lama invadiu a Igreja de Santo Antônio. O teleférico de Nova Friburgo, um dos pontos turísticos da cidade, também foi tomado pela terra.
· Em Petrópolis, a região mais atingida foi o Vale do Cuiabá, no distrito de Itaipava. Condomínios de classe média-alta, pequenas casas e pousadas foram invadidos rapidamente pela água dos rios Santo Antônio e Cuiabá, que subiram até 4 metros acima do nível normal. Nesta região, 14 pessoas que estavam em um sítio morreram. A força da enxurrada derrubou construções e provocou a morte de pelo menos 30 pessoas na cidade. Segundo a prefeitura, o número de vítimas pode passar de 40 apenas no Vale do Cuiabá.
· O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, sobrevoou a região e visitou as áreas atingidas. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, também estiveram nas cidades. A presidente Dilma Rousseff anunciou que sobrevoaria os locais amanhã. O governador Sérgio Cabral, que está fora do País, também deve visitar as cidades nesta quinta-feira.
· Em pouco mais de 24 horas, o volume de chuva na região - especialmente em Nova Friburgo - superou em 30% os índices pluviométricos registrados em todo o mês de janeiro do ano passado. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia é de chuva moderada ou forte na região serrana até o fim da semana.



Chuva deixa cidades ilhadas e milhares desalojados no sul de MG


No balanço atualizado pela Defesa Civil Estadual, 84 cidades já decretaram situação de emergência no Estado devido aos estragos causados pelo excesso de chuva. Outros 47 também comunicaram problemas. No total, 1,3 milhão de pessoas foram afetadas pelos temporais.


Em Minas Gerais, mais de 100 cidades já decretaram situação de emergência no Estado devido aos estragos causados pelo excesso de chuva
Rio Capivari, no sul de Minas Gerais, transbordou e deixou 150 famílias desabrigadas

MG tem mais de 100 municípios em emergência por chuva; moradores temem saques em cidade do sul


Cidades do sul de Minas Gerais estão sendo afetadas há vários dias por tempestades, inundações, quedas de barreiras, destruição de casas e pontes, sendo que alguns municípios estão isolados na região. Mais de 100 cidades decretaram situação de emergência no Estado. As últimas cidades a estabelecerem esse critério foram os municípios de São Sebastião da Bela Vista, Conceição do Rio Verde, Pouso Alegre e São José do Goiabal. 
No município de São Sebastião da Bela Vista, segundo Cristiano Higino Rocha, coordenador da Defesa Civil municipal, 70 famílias foram prejudicadas pela chuva. O fato que mais preocupa, de acordo com Rocha, é que moradores de casas à margem da rodovia Fernão Dias teimam em não sair dos imóveis alagados por temer saques.
“Um senhor de 50 anos estava dentro de um bote no interior da sua residência. Se a água não baixar, estamos avaliando a possibilidade de tirá-lo com a ajuda da Polícia Militar”, explicou o coordenador. 
Segundo ele, o rio Sapucaí transbordou e afetou os bairros São João, Iate Clube, Paraíso dos Pescadores, Cerâmica e Lagoa Vermelha. Alguns deles somente são alcançados por barcos.
“As famílias estão preferindo ficar nas casas, ou em imóveis de vizinhos próximos aos deles”, disse Rocha. No entanto, ele afirmou haver abrigo público para alocar os desalojados.
Na região, as cidades de Aiuruoca, Alagoa, Serranos, Itajubá, Carvalhos, Itamonte, Maria da Fé, Camanducaia, Ouro Fino, além de Conceição do Rio Verde, Cambuquira, Pouso Alegre, Lavras, Espírito Santo do Dourado e Seritinga, entre outras, registraram problemas com cheias de rios, deslizamentos de encostas, desabamentos de casas ou inundação de ruas por conta de enxurradas. Os municípios de Alagoa e Serranos estão isolados.
De acordo com a Defesa Civil estadual, equipes estão na região sul e vão prestar auxílio às cidades mais atingidas. O secretário-executivo do órgão, tenente-coronel Eduardo César Reis, está indo para a região e vai coordenar os trabalhos das equipes.
Segundo dados mais atualizados, divulgados nesta sexta-feira (14), 124 cidades apresentaram ocorrências relativas a chuvas, sendo que a região da Zona da Mata também está sendo afetada.
Conforme o boletim, foram registrados 16 óbitos no Estado, desde novembro do ano passado, e 71 pessoas se feriram.
Até o momento, 2.345 pessoas estão desabrigadas e 16.975 ficaram desalojadas, ou seja, foram encaminhadas para casas de parentes, vizinhos, amigos ou ainda para abrigos públicos.
O relatório do órgão mostra que 233 casas desabaram e 6.158 sofreram danos relacionados aos temporais. Ao todo, 97 pontes ruíram e 339 apresentaram problemas na estrutura. 



São Paulo

13.jan.2011 - Área alagada no centro da cidade de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. A Defesa Civil informou que o nível da água que inundou o município está baixando hoje. Apesar da melhora, o tempo continua chuvoso na cidade e ainda não há previsão de quantos dias serão necessários para o total escoamento


Submersa, Franco da Rocha enfrenta saques



Começaram a aparecer na tarde de ontem algumas partes de Franco da Rocha, a cidade da Grande São Paulo que está submersa desde quarta-feira, quando comportas de uma das quatro represas do Sistema Cantareira foram abertas por medida de segurança. E, além dos tradicionais prejuízos com a enchente, moradores encontraram marcas de pé de cabra nas portas, o que indica tentativas de saque. Por isso, já preparam formas de se defender.
As lojas que foram alvo dos vândalos ficam na Avenida Liberdade, centro comercial da cidade. A via ficou totalmente alagada e deserta: a sede da prefeitura e a delegacia ficaram debaixo d' água. 'Vi a porta com marca de pé de cabra quando cheguei e depois me contaram que um grupo tentou roubar as lojas. Só não conseguiram porque um guarda viu e gritou', diz o empresário Róbson Resende, de 31 anos, dono de uma loja de equipamentos hospitalares. Também tiveram as portas danificadas uma ótica, um restaurante, uma loja de ervas naturais e uma papelaria.
Para evitar novas investidas, Resende retirou os equipamentos de valor da loja e contratou seguranças, em sociedade com a dona de uma papelaria - cada um paga R$ 70 por dia. 'Vamos ficar em quatro aqui de madrugada: os dois seguranças, eu e outro proprietário', disse.
O mecatrônico Aparecido da Cruz, de 56, é o único morador da Avenida Liberdade que permaneceu em casa após o alagamento. 'Meus vizinhos são um casal de idosos e os filhos os tiraram daqui. Como ficamos sabendo que eles tentaram nas lojas, não saí para não roubarem.'
O delegado seccional de Franco da Rocha, Carlos Targino da Silva, disse que ainda não tomou conhecimento desses casos, pois a delegacia seccional e o distrito policial foram atingidos pelos alagamentos. 'Não houve registros formais, até porque estamos operando em uma base que montamos, mas os boletins de ocorrência precisam ser registrados em outros municípios, porque estamos sem sistema.'
Apesar da melhora, parte da região central de Franco da Rocha permanecia debaixo d'água. A área onde estão a prefeitura, a câmara e as escolas parecia um mar de água suja, onde crianças nadavam.
A Defesa Civil Municipal estima que a água leve pelo menos mais um dia para baixar, se não houver chuva. 'A previsão é de chuva forte, mas tomara que não caia aqui', diz o coordenador, Donizete Bernardo Antonio.
Responsável pela represa, a Sabesp reduziu ontem de manhã a vazão de água de 20 m³/s para 10 m³/s. Às 16h, diminuiu para 5 m³/s. À noite, o nível da represa havia baixado para 67,9% - nos momentos críticos, chegou a 96%. 'Vamos diminuir gradativamente se as condições climáticas não piorarem', disse o superintendente de produção de água da Sabesp, Helio Castro.

Sabesp abre nova comporta e parte de Jaguariúna alaga


A água que desceu da abertura das comportas de um reservatório de abastecimento da Grande São Paulo alagou ontem 15 bairros da cidade de Jaguariúna, na Região Metropolitana de Campinas. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Represa Jaguari/Jacareí teve de começar a despejar água numa vazão de 40 m³/s, para não correr risco de ser rompida, já que sua capacidade estava no limite.
Segundo a Defesa Civil da cidade, as comportas foram abertas ainda na manhã de quarta, quando os alertas começaram a ser emitidos aos moradores das áreas próximas às margens do Rio Jaguari. Mas o nível da água subiu rapidamente para 2 metros acima do normal.
A Prefeitura removeu 30 famílias na manhã de ontem. Parte delas está alojada em pousadas da cidade com estadia paga pelo município. Outras foram para a casa de parentes ou amigos.
Anteontem, as comportas de outra represa do Sistema Cantareira tiveram de ser abertas em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Para a Sabesp, entretanto, a liberação de água não influencia no alagamento das cidades que ficam mais abaixo do curso d'água. Isso porque, segundo a companhia, a quantidade de água que a represa recebe é bem maior do que o que é liberado rio abaixo.
Na Jaguari/Jacareí, a vazão liberada foi de 40 m³/s, mas o reservatório estava retendo um volume de 160 m³/s - quase quatro vezes maior. O mesmo aconteceu na Represa Paiva Castro: 80 m³/s de água haviam sido liberados em direção a Franco da Rocha na madrugada de quarta-feira, mas a vazão liberada já diminuiu para 5 m³/s ontem à tarde.
Mais transtornos. As rodovias que ligam Amparo a Morungaba (SP-360) e Amparo a Pedreira (SP-95) foram interditadas ontem pelo Departamento de Estradas de Rodagem, por determinação da Defesa Civil do Estado. A água invadiu a região e deixou os moradores ilhados. Em Atibaia, as enchentes prejudicaram 1.018 famílias em 16 bairros. Não houve vítimas, mas a Prefeitura decretou situação de emergência na terça-feira Segundo administração, o prejuízo estimado para os estragos chega a R$ 11 milhões.
Em Campinas, desde o início das enchentes, 50 famílias foram para abrigos públicos e seis estão em casas de parentes ou amigos. Na cidade de Sumaré, também em situação de emergência, a prefeitura estima prejuízo de R$ 8,6 milhões. O relatório aponta 179 pessoas desabrigadas, 3.928 desalojadas e um total de 6.250 famílias prejudicadas pelas enchentes.
Outra cidade do interior que pode sofrer as consequências da chuva é Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo. A Sabesp informou que, por causa das chuvas da madrugada de ontem, duas bombas da Estação de Tratamento de Água da região estragaram. O abastecimento de água da região pode ser prejudicado e não há previsão para conserto dos equipamentos.


Polícia do Rio arrecada doações para atingidos por chuvas; veja como ajudar


Todos os batalhões da Polícia Militar fluminense estão recebendo doações para os atingidos pelas chuvas na região serrana do Estado. Entre as principais necessidades estão água mineral, alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal. As contribuições serão levadas a uma unidade de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, de onde serão enviadas às áreas afetadas.
Mais de 370 pessoas já tinham sido encontradas mortas até a manhã desta quinta-feira (13), segundo informações das prefeituras de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo – a última é a cidade mais atingida pela destruição, com ao menos 168 vítimas -- entre as quais, três bombeiros. Os números podem aumentar, já que as buscas por mais vítimas devem continuar nos próximos dias e as áreas são de difícil acesso.
Além da Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal tem em funcionamento nesta quinta-feira quatro postos de arrecadação. Dois deles trabalharão 24 horas: na BR-116, na região do pedágio da Rio-Magé, e na BR-101, perto de Casimiro de Abreu. Outras duas unidades funcionarão das 8h às 17 horas e ficam nas rodovias Rio-Petrópolis e Presidente Dutra. Os materiais serão entregues à Cruz Vermelha.
A própria Cruz Vermelha recebe doações nas unidades do Rio de Janeiro (praça Cruz Vermelha, 1012, centro) e de Nova Iguaçu (na rua Coronel Bernardino de Melo, 2085, e na rua Alberto Cocoza, 86, centro).
governo do Rio de Janeiro está recebendo doações no 4º andar do prédio anexo do Palácio Guanabara, na rua Pinheiro Machado s/n, em Laranjeiras. Os principais pedidos são por água mineral e leite, devido ao grande número de crianças desabrigadas em todo o Estado.
Os doadores na capital fluminense também podem levar mantimentos à rodoviária Novo Rio, que trabalha junto da Cruz Vermelha. As entregas estão sendo feitas no piso de embarque, das 9h às 17h, na avenida Francisco Bicalho, 01, Santo Cristo.
ONG Viva Rio também contribui nos esforços e recebe mantimentos na sua sede, na rua do Russel, 76, Glória. O telefone para contato é 0/xx/21/2555-3750.
A rede de supermercados Pão de Açúcar também tem postos de arrecadação em suas lojas e nas das unidades Sendas, Extra, ABC Compre Bem e Assaí. A empresa afirmou que as doações serão enviadas até 26 de janeiro.
Em Teresópolis, uma das cidades mais afetadas pela tragédia, o principal posto de recebimento é o ginásio Pedro Jahara, onde centenas de pessoas estão abrigadas e necessitadas de alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e produtos de higiene pessoal. O endereço é rua Tenente Luiz Meirelles, 211, centro. A Secretaria de Desenvolvimento Social, na avenida Alberto Torres, no bairro do Alto, também recebe contribuições.
A cidade também tem uma conta bancária para receber ajuda. A conta é do Banco do Brasil: agência 0741-2 e conta corrente 110000-9.

São Paulo

A Defesa Civil da capital paulista recebe donativos na Rua Afonso Pena, 130, no Bom Retiro, em qualquer horário. Não são aceitos alimentos perecíveis.
A Cruz Vermelha também recebe doações para os afetados pelas chuvas no Estado de São Paulo. Os materiais podem ser entregues na sede da organização na capital paulista, na avenida Moreira Guimarães, 699, Indianópolis (próximo ao aeroporto de Congonhas). O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Mais informações pelo telefone 0/xx/11/5056-8667 ou e-mail voluntariado@cvbsp.org.br.
Em Atibaia, na região metropolitana de São Paulo, o Fundo Social de Solidariedade recebe doações na rua Adolfo André, 1.055, no centro. São pedidos alimentos, material de limpeza e produtos de higiene.

Sangue

HemoRio da capital fluminense informou que precisa com urgência de doações de sangue para atender às emergências em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. O hemocentro necessita enviar 300 bolsas de sangue para a região serrana. O HemoRio fica na rua Frei Caneca, 8, centro do Rio, com horário de funcionamento todos os dias de semana, das 7h às 18h, inclusive finais de semana e feriados. O telefone do Disque Sangue é 0800 2820708.
Mais cedo nesta quinta-feira, cerca de 40 policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) do Batalhão de Choque doaram sangue às vítimas dos estragos causados pelas chuvas.

Ajuda federal

Hoje, às 13h, prefeitos das cidades da região serrana desvatadas pela chuva e pelos deslizamentos se reúnem no Rio de Janeiro com o governador Sérgio Cabral, que cancelou agenda de férias no exterior, e com a presidente Dilma Rousseff.
Dilma vai sobrevoar as áreas atingidas nesta quinta e, ontem (12), assinou uma medida provisória que destina R$ 780 milhões para os ministérios enviarem auxílio às regiões afetadas. O Ministério da Saúde anunciou que enviará mais de sete toneladas de medicamentos e insumos para o auxílio às pessoas atingidas pelas enchentes no Estado.
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