Como a economia deve afetar o mercado de trabalho neste ano

 

Para especialistas, preocupação dos profissionais deve ser com qualificação para manter a empregabilidade

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou uma taxa de desemprego de 5,3% em dezembro de 2010. Esse é o menor índice desde o início do levantamento, em março de 2002. Em relação ao mesmo período de 2009, a taxa recuou 1,5 ponto percentual.

Na média dos 12 meses de 2010, a taxa de desocupação ficou em 6,7%, também a menor da série histórica, 1,4 ponto percentual abaixo da média de 2009 (8,1%) e 5,7 pontos percentuais abaixo da média de 2003 (12,4%).

Taxa de desemprego deve continuar caindo em 2011, mas em um ritmo menor

Qual a influência desse cenário para o profissional que está procurando emprego, seja ele desempregado ou em busca de uma recolocação?

Cenário 1 – Se atividade econômica continua crescendo significativamente

Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%. Caso, a atividade econômica continue crescendo significativamente, a preocupação maior será com a inflação. “As taxas de juros aumentariam, impedindo a economia de avançar”, afirma José Gaspar. Segundo ele, o crescimento brasileiro é baseado no consumo. Se o crédito fica mais caro, as pessoas deixam de comprar, desacelerando a economia.

Com a inflação alta, os eventuais ganhos salariais acabam se perdendo, pois o consumo fica mais caro.

Em um primeiro momento, esse cenário seria favorável para os desempregados, já que a continuidade no crescimento econômico levaria à criação de mais empregos. Entretanto,  em um segundo momento, a taxa de desemprego poderia subir significativamente.

“Um crescimento contínuo faria com que a demanda de produtos aumentasse significativamente, levando a uma alta dos preços. Com isso, a inflação aumentaria, obrigando a autoridade monetária a colocar um ‘freio’ na economia”.

Esse é um cenário muito improvável. “O Banco Central e o governo não deixariam que isso acontecesse”. Segundo ele, os países emergentes já têm dado sinais de que vão “pisar no freio” ao longo deste ano com medo de que haja pressões inflacionárias adicionais e isso prejudique o consumo.

Cenário 2 – redução do crescimento da economia

Esse é o cenário mais provável para este ano. A expectativa é uma redução do nível de crescimento de 7,5% para 5%. Com isso, a taxa de desemprego deve ficar um pouco mais alta, mas ainda abaixo das taxas de outros países.

Esperamos que, neste ano, o PIB tenha um crescimento de 4,3%. “Com esse PIB, a taxa de desemprego deve continuar caindo, mas não no nível de 2009 e 2010”. Para ele, a taxa de desocupação deve ficar em torno de 6,4%, o que representa uma redução de 0,3 ponto percentual em relação a 2010.

O que deve ser levado em conta na hora de analisar o desemprego é o crescimento da população ocupada e da população economicamente ativa. “São essas duas variáveis que resultam na taxa de desemprego. Se a população ocupada cresce mais do que a população economicamente ativa, a taxa de desocupação cairá em um ritmo menor.”

No ano passado, com a maior demanda de consumo – e, por consequência, por profissionais –, os salários também registraram alta. Entretanto, as empresas só conseguirão sustentar esses ganhos se a produtividade aumentar. “Para compensar os salários no ano passado, há necessidade em melhorar a produção, diminuindo custos em tecnologia, por exemplo”.

Apesar da redução do nível de crescimento, pode ser que para alguns setores haja uma manutenção da demanda de empregos. Outros podem ser mais afetados. “Não é algo generalizado. Há variáveis como a região e o setor”.

O que deve ser notado é que a taxa de desemprego pode aumentar, mas isso não significa uma maior dificuldade em conseguir um trabalho. “As pessoas devem começar a se preparar para assumir os desafios que a competitividade nas empresas exige”. De acordo com ele, os funcionários devem estar mais preocupados com sua qualificação e mudanças de tecnologia no mercado de trabalho. “Olhar menos os números e mais o nível de qualificação.”

Neste ano, as oportunidades devem continuar aparecendo, mas em um ritmo menos acelerado. Há alguns setores que enfrentam problemas com a mão de obra qualificada. “Isso faz com que os salários sejam maiores para profissionais nessa área. Um exemplo é o setor de construção, que no ano passado teve um crescimento de 10% nos salários, valor muito acima da média geral, que foi de 3,8%.”

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