Desemprego tem impacto negativo no salário

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Ficar muito tempo desempregado causa um impacto negativo no futuro salário do trabalhador, especialmente em países como Espanha, Itália e Portugal. É a conclusão de um estudo publicado na edição de 6 de dezembro da revista Manchester School, que faz uma análise do impacto do desemprego nos salários relativos de seis países europeus.
O estudo analisou a mobilidade de empregos e a perda relativa de salário quando um indivíduo passa por um período de inatividade - quando não estão procurando nem disponíveis para trabalhar - ou de desemprego na Espanha, Itália, Portugal, Reino Unido, França e Alemanha, durante sete anos consecutivos (1995-2001).
O resultado mostra que os países analisados podem ser divididos em três grupos. O primeiro inclui Alemanha e França, que são "instituições protetoras", ou que seguem um modelo mais preventivo ou de segurança social no que diz respeito ao trabalho. Espanha, Itália e Portugal operam um sistema preventivo parecido, mas mais "fraco", que é diferente a respeito do sistema de negociação coletiva e das políticas ativas do mercado de trabalho. O último grupo tem apenas o Reino Unido, que tem o sistema mais flexível, com menos proteção contra o desemprego.
"Nós esperávamos que o impacto da inatividade e desemprego seria maior em países como a França e a Alemanha, mas não é o caso. Levando em conta apenas a inatividade, França, Alemanha e Portugal lideram a relação de impacto negativo de salários em empregos subsequentes", diz Carlos García-Serrano, pesquisador da Universidad de Alcalá e um dos autores do estudo.
Nem todos os dados são negativos. Os períodos de perda de salário após o desemprego não são permanentes. García-Serrano ressalta que para trabalhadores que mudaram de emprego devido a um período recente de desemprego, seus salários são 4,5% menores na Espanha, 5,6% na Itália e 7% em Portugal quando comparados com pessoas que permaneceram trabalhando, mas os salários voltam ao normal rapidamente e as diferenças desaparecem em cerca de um ano.
Os trabalhadores mais jovens tiveram os maiores aumentos de salário em todos os países - particularmente os que mudaram de emprego voluntariamente. No entanto, as pessoas de 31 a 45 anos são as mais suscetíveis a passar por essa queda de salário após o desemprego, e demoram mais para recuperar o antigo valor.

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