Entenda o comportamento indefinido da Economia

29/1/2011 0:28

Mantega reage a puxão de orelha do FMI

Irritado com o 'puxão de orelha' do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou ontem de 'bobagens de um velho ortodoxo' as críticas do Fundo.
Com apenas alguns minutos na agenda antes de embarcar para São Paulo, Mantega convocou ontem a imprensa de última hora e de forma atabalhoada para contrapor, com palavras duras, a avaliação sobre a deterioração fiscal brasileira. 'Acho que o diretor-gerente do FMI saiu de férias e algum velho ortodoxo do Fundo Monetário deve ter escrito esse relatório com essas bobagens sobre o Brasil', disse ao citar Dominique Strauss-Kahn.
Pode-se dizer que a avaliação do FMI foi uma virada de página do que se via até então. O Fundo foi um dos órgãos internacionais que mais deram apoio ao Brasil nos últimos anos e, mesmo quando as contas públicas começaram a sofrer deterioração no passado recente, o FMI chegou a ser condescendente com o País.
A posição brasileira em relação ao FMI também mudou nos últimos anos, com o País passando de devedor para credor. Isso pode ter ajudado a engrossar a voz do ministro Mantega, que disse ter telefonado para Washington para mostrar incômodo com o teor do relatório. 'Mas ainda eram 7 horas da manhã e, por isso, não havia ninguém.'
Déficit nominal. Por si só o teor do relatório teria peso, mas ganhou ainda mais força por ter sido publicado na véspera da divulgação dos números das contas públicas pelo Tesouro. Inicialmente, o resultado do Governo Central seria conhecido na próxima segunda-feira e há quem avalie que a antecipação ocorreu justamente para contrapor, com números, o Fundo. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, garantiu, no entanto, que os eventos não tiveram relação.
Para sustentar que o FMI errou, Mantega desceu até a portaria do ministério para falar com os jornalistas munido de papéis repletos de números. Ele apresentou a evolução de uma série de indicadores, como a queda do déficit nominal e da dívida líquida do setor público. Um exemplo de diferença de avaliação entre os dois é que o Fundo prevê déficit nominal - que inclui gastos com pagamento de juros da dívida pública - de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 ante perspectiva do governo de 1,8% do PIB.
O ministro ressaltou ainda que houve melhora fiscal de 2009 para 2010, afirmação que posteriormente foi repetida pelo secretário do Tesouro.
'A nossa opinião é de que o FMI fez avaliações não aprofundadas, não corretas sobre nossa área fiscal', disse Augustin. 'Fico sem compreender como pode uma situação fiscal que melhora ser criticada', continuou.
Sem desculpas. Apesar do alvoroço causado pelo ministro ontem ao convocar a imprensa justamente na hora em que estava prevista a entrevista de Augustin, ele disse que não pedirá desculpas formais do Fundo sobre o relatório. E tentou reduzir a relevância do documento: 'Acho que não é um relatório muito importante'.
Ainda sobre a questão dos gastos, Mantega disse que o Banco Central não fez nenhuma solicitação de aperto fiscal ao ministério. Esta, no entanto, foi a interpretação de analistas ao ler a ata da última reunião do Copom, divulgada na quinta-feira.
Segundo o ministro, a autoridade monetária está afinada com as diretrizes que estão sendo colocadas pelo governo e isso significa que o BC poderá fazer uma política monetária menos dura. 'Em conjunto, podemos fazer um trabalho complementar.'
29/1/2011 0:28

Resultados do Governo Central dão razão ao FMI

Depois do alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, saiu em defesa das contas públicas brasileiras, mas os números do Governo Central divulgados ontem pelo Tesouro mostram uma clara deterioração, com o aumento forte das despesas. O ano foi de crescimento histórico para a economia brasileira, recuperação da arrecadação, mas mesmo assim o retrato das contas públicas não é o mais favorável para o País.
É certo que o Brasil se destaca positivamente entre outros países que atravessam dificuldades econômicas. O problema é a crescente escalada dos gastos públicos, que mancha a fotografia da política fiscal e dá mais trabalho para o Banco Central controlar a inflação ascendente. Mesmo com todo o esforço de 'garimpo' de receitas, o governo não conseguiu cumprir a meta cheia de superávit primário das contas do setor público e ainda mais: arranhou a credibilidade. A meta foi reduzida, no fim do ano passado, com o jogo andando.
São poucos hoje os que acreditam que o governo conseguirá cumprir a meta cheia em 2011, apesar dos discursos reiterados de integrantes da equipe econômica. Talvez tivesse sido melhor o governo ter assumido uma meta menor já no início de 2010, como defendiam integrantes da equipe econômica.
Cresce, assim, o número de observadores desconfiados da promessa que se repete para 2011 de que mais uma vez o Brasil fechará suas contas, cortará gastos, contribuindo para a queda dos juros. É por isso que a credibilidade da política fiscal do Brasil está sendo questionada pelos analistas econômicos e, agora, também pelo FMI, que nos últimos anos vinha elogiando a condução do gerenciamento das contas públicas brasileiras.
 
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FMI vê deterioração "brusca" das contas fiscais do Brasil


O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quinta-feira, em Washington, um relatório em que afirma que a deterioração nas contas fiscais do Brasil "é particularmente brusca" e vai impedir que se alcance a meta de superávit primário.
"Espera-se agora que o governo não alcance sua meta fiscal (superávit primário da ordem de 3% do Produto Interno Bruto, PIB) por ampla margem", diz a atualização do relatório Fiscal Monitor, que analisa dívidas e déficit global.
No documento, o governo brasileiro sofre críticas por manter uma política fiscal muito relaxada e, diante do excesso de gastos, ser obrigado a recorrer a uma política monetária mais rígida para manter a inflação sob controle, aumentando a taxa básica de juros.
Diante da pressão inflacionária, o Banco Central (BC) elevou na semana passada a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 10,75% para 11,25%, interrompendo um período de seis meses de estabilidade.
Nesta quinta-feira, o BC também divulgou a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na qual projeta que a meta de superávit primário para 2011 será cumprida sem ajustes.
No documento, o BC afirma ainda que, "os desenvolvimentos no âmbito fiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas".
Déficit
Apesar da maior arrecadação em muitos emergentes, o FMI afirma que receitas maiores foram, na maioria dos casos, usadas para financiar gastos maiores. "Em parte refletindo isso, os balanços fiscais em várias economias chave (especialmente Brasil, China e Índia) foram mais fracos do que o projetado em novembro", diz o FMI.
Segundo o documento, a arrecadação superou as expectativas em muitas economias emergentes em 2010, refletindo principalmente um crescimento mais forte e preços mais altos das commmodities e, em alguns casos, grandes ingressos extraordinários, como "a venda de concessões de petróleo no Brasil". No ano passado, R$ 32 bilhões associados à capitalização da Petrobras foram contabilizados como receita da União.
No relatório, o fundo também revisou para cima as projeções de déficit fiscal brasileiro em relação ao relatório anterior, de novembro, com previsão de 3,1% do PIB neste ano e 3,2% em 2012.
A revisão das projeções para o déficit fiscal brasileiro se deve principalmente a gastos comprometidos no segundo semestre do ano passado e ao fato de que certos ingressos registrados em 2010 não se repetirão.
Fluxo de capitais
Uma das consequências de juros altos, como os adotados no Brasil, é a atração de fluxos de capital, que pode levar à apreciação da moeda e, consequentemente, prejudicar a competitividade das exportações.
"Nos mercados emergentes, a afluência de capitais e as condições expansivas de crédito correspondentes podem desencorajar a formação de reservas fiscais suficientes", diz o FMI.
O Fundo afirma que muitos mercados emergentes devem constituir reservas fiscais maiores, sobretudo diante das entradas de capital, do risco de superaquecimento da economia e da possibilidade de contágio dos países avançados. "Devem resistir às pressões de gastos e economizar os excedentes fiscais em sua totalidade", diz o relatório.
Economias avançadas
Segundo o relatório, à medida que a economia mundial continua a se recuperar da crise, o desempenho fiscal dos países em 2010 foi levemente melhor do que a projeção anterior, em novembro, mas ainda assim os níveis de dívida em muitas economias avançadas permanecem altos e em crescimento.
O documento cita o caso dos Estados Unidos e do Japão, que adotaram novas medidas de estímulo, atrasando a consolidação prevista no relatório de novembro. Na Europa, ao contrário, as economias avançadas deverão manter políticas de aperto.
"De modo geral, riscos soberanos permanecem elevados e, em alguns casos, aumentaram desde novembro, ressaltando a necessidade de planos de consolidação de médio prazo mais robustos e específicos", diz o FMI.



28/1/2011 19:52

Protestos no Egito reforçam aversão ao risco e bolsas dos EUA fecham em queda

Os principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram o pregão desta sexta-feira (28) com significativas quedas, após ter prevalecido a aversão ao risco após os conflitos no Egito terem se intensificado. O temor, aliado à resultados corporativos negativos, ofuscou a melhora na confiança do consumidor do país.
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em baixa de 2,48% a 2.687 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em desvalorização de 1,79% atingindo 1.276 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 1,39% chegando a 11.824 pontos.
No Oriente Médio, a polícia entrou em confronto com manifestantes que protestaram nas ruas no Cairo, Alexandria e outras cidades do Egito pela queda do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981. No quarto dia consecutivo de uma das piores manifestações contra o governo em décadas, ao menos cinco manifestantes morreram e cerca de 870 ficaram feridos.
Para conter os manifestantes, o governo colocou o Exército na rua, impôs toque de recolher e interrompeu o acesso a telefones celulares e à internet. Analistas apontam que o risco de confrontos na região fecharem o canal de Suez, além de prejudicar a exportação de petróleo do Oriente Médio, levou investidores a migraram para ativos mais seguros.
Desta forma, ações ligadas a commodities, que incluem petróleo, ouro e títulos públicos, subiram. Os papéis da Conoco Phillips e Barrick Gold tiveram valorizações de 1,69% e 2%, respectivamente.
PIB ficou abaixo das expectativas
A economia norte-americana avançou 3,2% no quarto trimestre de 2010, de acordo com a primeira prévia dos dados anualizados, divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA. O avanço da economia no período ficou aquém das expectativas do mercado, que sugeriam um aumento de 3,7% na atividade do país.
O deflator do PIB, que mede basicamente o custo de uma cesta de bens na economia norte-americana, registrou um avanço de 0,3%, patamar inferior às projeções de 1,5%.
O resultado representou uma aceleração moderada quando comparado ao avanço anualizado de 2,6% observado na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2010. A aceleração decorreu principalmente do melhor desempenho do consumo das famílias, que passou de 2,4% no 3T10 para 4,4%, em termos anualizados.
Mais indicadores
Entre os destaques positivos, atenção para o Michigan Sentiment. O indicador que denota mensalmente a confiança do consumidor norte-americano apontou 74,2 pontos, superando os 73,2 pontos estimados anteriormente pelo mercado e os 72,7 pontos da medição anterior.
Já o custo da mão-de-obra ficou em linha com o esperado no quarto trimestre de 2010, segundo dados do Departamento de Trabalho norte-americano. No período, foi registrada alta de 0,4% no Employment Cost Index.
Resultados
As ações da Ford despencaram 13,41%, após a empresa divulgar um resultado consideravelmente abaixo do esperado pelo mercado. A montadora reportou um lucro líquido de US$ 0,05, bem abaixo dos US$ 0,25 marcados no mesmo período do ano anterior e dos US$ 0,48 esperados por analistas. As ações da concorrente General Motors fecharam em baixa de 5,35%.
A Monster Worldwide, por sua vez, teve seus papéis em acentuada queda de 25,43%. A empresa também reportou receita abaixo do esperado em seus resultados do primeiro trimestre.
Os resultados divulgados na véspera também repercutiram na sessão. As ações da Amazon caíram 7,22% após divulgar receita de US$ 12,95 bilhões no quarto trimestre de 2010 e lucro líquido de US$ 416 milhões, o que equivale a lucro por ação de US$ 0,91 que supera os US$ 0,88 estimados anteriormente pelo consenso do mercado. As ações da Microsoft também decepcionaram e recuaram 3,88%.
Por outro lado, a Honeywell divulgou que suas vendas cresceram 8% em 2010, período no qual foi apurado ganhos por ação de US$ 2,59, ante resultado de US$ 2,05 no ano anterior. A empresa também elevou seu guidance para 2011 e anunciou a venda de sua divisão de produtos automotivos por US$ 950 milhões. Em meio ao momento negativo, as ações caíram 1,07%.
% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
Dow Jones -1,39 11.824 +2,06 +2,13
S&P 500 -1,79 1.276 +1,31 +1,49
Nasdaq -2,48 2.687 +0,75 +1,28

01.02.2011

Padrão pré-crise de desequilíbrios globais está voltando, diz FMI


A economia mundial começou a melhorar, mas está cercada de problemas como o alto desemprego e os preços em alta, o que pode aumentar o protecionismo e problemas sociais, disse o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira. "O padrão pré-crise de desequilíbrios globais está surgindo de novo", afirmou Dominique Strauss-Kahn.
"O crescimento nas economias com amplos déficits externos, como os Estados Unidos, ainda é guiado pela demanda doméstica. E o crescimento em economias com amplos superávits externos, como China e Alemanha, ainda está sengo guiado pelas exportações."



 
Veja os gráficos e entenda:

A variação do preço do petróleo, uma das commodities mais influentes na participação da crise financeira mundial, esta demonstrada no gráfico a seguir:
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A evolução da taxa de câmbio reflete a instabilidade da nossa economia, conforme variação do dólar médio semanal demonstrado no gráfico a seguir:
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Comentários
Semana de 17 a 21 de Jan
A Bovespa acumula queda de 0,25% no ano. Na semana a queda foi de 2,55%. O comportamento indefinido da economia americana e as medidas antiinflacionárias da China preocupam os mercados e influenciam no desempenho instável das principais bolsas mundiais. A zona do euro parece se manter relativamente estável depois do desempenho positivo na colocação dos títulos da Grécia e Espanha e dos sinais de aquecimento da economia alemã, fatos que influenciam positivamente alguns mercados.
O câmbio se mantém estável entre nós com o real valorizado apesar dos esforços do Banco Central, conforme demonstra o gráfico da cotação média semanal.



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