Existem formas singulares de felicidade; descubra a sua

As pessoas são mais felizes ou infelizes do que se imagina? Nosso peso e medida, nossa sabedoria - que vale adequadamente para nós mesmos - pode julgar a felicidade alheia? Somos o referencial apropriado para avaliar, com critério e acerto, o Universal da felicidade? Acho difícil, pouco provável, diria impossível.

Contaminado pelo nosso conjunto de valores e ilusões, avaliamos a questão apenas em relação a nós mesmos, incapazes de entender outras escolhas, mais ou menos como estrangeiros que desembarcam em país diferente e não sabem falar a língua, não compreendem os hábitos culturais, taxam de dissonantes.

Quando aceitamos - mas, como é difícil! - um contato mais aberto com a multiplicidade da experiência humana em sua riqueza, feito abertamente e sem preconceitos, revelações e descobertas são surpreendentes. É pedagógico perceber que todos os caminhos das nossas paixões e desejos deságuam, quando bem trilhados, em formas individuais muito singulares de felicidade. Em outras palavras: aquilo que alegra uns, pode não ser suficientemente cativante ou emocionante para outros. Mas, para quem elege aquilo como ideal e meta... trata-se da culminância da vida e do prazer.

Em relação a esse assunto, um dos segredos de sabedoria é aceitar que existe muita falsa alegria andando por aí. Mais do que, inclusive, verdadeiras tristezas. Isso porque nós somos feitos para fugir adaptativamente do que nos anula e esmaga. Não gostamos do que nos deixa em conflitos e diminuídos. Olhamos para as possibilidades, na maioria das vezes, com intensidade e otimismo. Há exceções, claro, senão não haveria gente deprimida, sofrendo. Mas em menor número, bem menor.

Pensei nisso tudo acompanhando, recentemente, uma matéria televisiva, jornalismo vespertino. Na telinha, duas praias paulistas, realidades muito afastadas. Numa delas, o biquíni da moda - caro! - custa o suficiente para pagar toda uma semana de sol na outra. Sem falar do espetinho de camarão ou da prosaica cervejinha de cada dia. Desigualdade social? Sim. E de felicidade? PIBs diferentes, sem dúvida. Felicidades brutas também?

Acho que não. Na praia mais simples, águas aprovadas pela Cetesb, muita comida boa, música, risos, sal e suor, crianças pulando e sensualidade vaporosa no ar. Na elegante das praias, águas "impróprias" por conta da superlotação turística, o que senti foi prisão ao ritual e ao protocolo, ditadura do corpinho feito de alface, medo de ser visto em situação pouco abonadora. Tudo meio engessado, travado.

Fascina e inveja o carrão importado? Enorme, suspensão de carro de combate, verdadeiro tanque de guerra com bancos de couro e geladeira a bordo. Preço de quatro apartamentos de classe média. Só o que sei é que a família do Monza velhusco, alto verão no país "abençoado por Deus e bonito por natureza", vai também com intensa alegria, livre, contagiante, a la playa.

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