Intimidade mascara problemas de comunicação nos casais

Segundo estudo, pessoas íntimas superestimam a qualidade da comunicação

A comunicação entre pessoas íntimas e desconhecidos tem um grau de precisão semelhante, de acordo com um estudo da Universidade de Chicago. “As pessoas tendem a acreditar que se comunicam melhor com amigos íntimos do que com desconhecidos. A intimidade pode levá-las a superestimar suas habilidades de comunicação, um fenômeno que chamamos de “viés na comunicação-proximidade”, diz Boaz Keysar, um dos autores do estudo e professor de psicologia na Universidade de Chicago.

No estudo, os pesquisadores pediram a 24 casais que sentassem em cadeiras, virados de costas um para o outro, e interpretassem o que o parceiro quis dizer com uma frase ambígua, que não fosse absolutamente clara.

Os cônjuges superestimaram sua capacidade de comunicação, de acordo com os autores do estudo. “Uma esposa que diz ‘Está ficando quente aqui’ está dando uma dica ao marido de que gostaria que ele diminuísse a temperatura do ar condicionado, e pode acabar surpresa com o fato dele entender a frase como um sinal verde para uma aproximação sexual”, disse Keneth Savistky, professor de psicologia no Williams College, em Williamstown, em Massachussets. “Embora os participantes esperassem que seu parceiro os compreendessem melhor do que desconhecidos, a taxa de precisão entre os dois grupos foi estatisticamente idêntica. É chocante porque os participantes estavam totalmente confiantes de que seriam melhor compreendidos pelos parceiros.”

De acordo com Savitsky, “alguns casais podem de fato estar na mesma sintonia, mas talvez não tanto quanto acham que estão. Na pressa e na preocupação, você deixa de entrar na perspectiva do outro, justamente por causa da intimidade que tem com essa pessoa”.

Nicholas Epley, coautor do estudo e professor de ciência comportamental na Escola de Administração da Universidade de Chicago, explica o fenômeno. “Nosso problema na comunicação com amigos e parceiros é que temos a ilusão da proximidade. Ser íntimo de alguém parece criar a ilusão de compreender muito mais do que se realmente compreende”.

 

Estilos de linguagem compatíveis ajudam na conquista

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Na próxima vez que for a um primeiro encontro, não se preocupe com critérios como interesses comuns e química. O que realmente importa, segundo uma nova pesquisa, é se os estilos de linguagem entre os pretendentes são compatíveis. E como aumentar as chances disso? Bom, nesse caso é como a química: ou está lá, ou não está.

Para analisar o estilo de linguagem das pessoas, os pesquisadores analisaram o uso de pronomes como “eu”, “dele”, “deles”; artigos como “um” ou “o”; preposições como “dentro” e “embaixo”; e advérbios como “muito” e “pouco”.
As pessoas geralmente não prestam atenção nesses termos, mas se a comunicação estiver em sincronia com a de outra pessoa, é possível que saiam muitas faíscas, como disse o autor da pesquisa, James Pennebaker, da Universidade do Texas. Ele e seus colegas avaliaram o estilo de linguagem de 40 homens e 40 mulheres que fizeram “speed dating”. E eles tendiam a selecionar os parceiros com linguagem semelhante à sua.
Em um segundo estudo, a equipe de Pennebaker observou as mensagens de texto enviadas por 86 casais e descobriu que a compatibilidade da linguagem importa ali também. Os participantes tinham em media 19 anos, estavam juntos há pelo menos seis meses e viviam, na maioria dos casos, em cidades diferentes. “Formam um ótimo grupo de estudos porque têm relacionamentos instáveis”, diz o autor do levantamento. “Descobrimos que se as mensagens eram altamente compatíveis, maior seria a chance de o casal estar junto nos próximos três meses”, completa. Aqueles com a maior compatibilidade têm até 50% mais chance de dar certo.
Alguns experts em relacionamentos dizem que, quando as pessoas se sentem atraídas por outra, começam a falar como ela. Outros acreditam que é alguém falar como você que desperta a atração. Talvez seja um pouco de cada, segundo Pennebaker. Ele acha que prestar atenção no pretendente também contribui.
Jeffrey Hancock, professor de comunicação da Universidade de Cornell, diz que a pesquisa ajuda a reduzir o nervosismo do primeiro encontro, porque não é possível dar instruções para combinar o estilo de linguagem com o de outra pessoa. Nesse caso, o melhor conselho é o “seja você mesmo”.
Também é importante ser compreensivo com você mesmo. “Se você interagir da mesma forma que outra pessoa, se sairá bem. Se não der, não é sua culpa”, diz Hancock. Ele também acha que prestar atenção no outro conta pontos e que o estilo de linguagem vem naturalmente.

O novo estudo mostra que “as palavras que usamos na interação diária estão relacionadas com o sucesso dos relacionamentos, se eles progridem do encontro casual para um a vivência romântica e como serão resolvidos os conflitos”, segundo Rachel Simmons, doutora em psicologia no Hospital Presbiteriano de Nova York. No seu próprio estudo, ela descobriu que os casais que usam mais os termos “eu” e “nós” resolvem problemas melhor que aqueles que usam palavras como “você”. Ela também acredita que a compatibilidade de linguagem funciona em duas vias. “Quanto mais uma pessoa combina com sua fala e padrões de comportamento, mais você gosta dela. E quanto mais você gosta dela, mais combina com seu comportamento e fala”, diz. 

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