O que tem causado chuva e seca pelo Brasil

Só em janeiro, chuva já deixou quase 400 mortos no Sudeste.
Estiagem levou cinco cidades a decretar emergência no Rio Grande do Sul


Por ter dimensões continentais, o Brasil é afetado, ao mesmo tempo, por diferentes fenômenos climáticos que causam temporais e secas pelo país, no mesmo período do ano. Desde outubro, o Rio Grande do Sul sofre com uma estiagem severa que já levou cinco cidades a decretar situação de emergência. Enquanto isso, a chuva intensa no Sudeste já deixou quase 400 mortos. Só no Rio de Janeiro, até as 14h10 desta quinta-feira (13), 381 pessoas morreram vítimas das chuvas.
Meteorologistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) elaboraram um mapa que aponta áreas em que há registro de chuva e de seca acima da média histórica. As regiões traçadas na figura são aproximadas. (veja figura abaixo)
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"Essas chuvas intensas são provocadas por uma zona de convergência de umidade que se configurou há cerca de três dias. Esse canal de umidade sobre parte do Norte, o Centro-Oeste e parte do Sudeste, é comum nesta época do ano, e associado a temperaturas elevadas causa chuvas ainda mais fortes", diz o meteorologista Gustavo Escobar, coordenador do Grupo de Previsão de Tempo do Cptec/Inpe.
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Com chuvas dentro da normalidade para a época do ano, as tragédias que temos visto são causadas pela combinação dos temporais e um ambiente irregular, de encostas, áreas já sujeitas a riscos. "O solo encharcado e a chuva constante, sem tempo de escoamento, têm sido responsáveis pelos deslizamentos de terra e desabamentos”, afirma o também meteorologista José Felipe Farias, do Cptec/Inpe.
A previsão para os próximos dias não é boa para famílias que já enfrentam transtornos causados pela chuva no Sudeste. Nesta sexta-feira (14), temporais devem persistir no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. No fim de semana, também há possibilidade de pancadas de chuva, que podem ser intensificadas por temperaturas elevadas.
Chuva no Norte e seca no Sul
Enquanto as chuvas no Sudeste e parte do Centro-Oeste são causadas por um canal de umidade, no Norte, os temporais são provocados pela atuação do fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas no Pacífico Equatorial. O mesmo cenário que configura chuvas acima da média histórica na Região Norte, leva à seca na Região Sul. O La Niña está atuando desde junho de 2010.
“O La Niña provoca uma mudança nos ventos entre a Austrália e a Região da Indonésia. No Brasil, há alteração na circulação de ventos tanto no eixo leste/oeste quanto no norte/sul, por isso ocorre a mudança no comportamento da chuva”, diz a meteorologista Priscila Farias, do Cptec/Inpe. Na Região Sul, o período com falta de chuva se estabeleceu a partir de outubro.
Priscila explica que na região em que há o resfriamento das águas, a formação de nuvens é deslocada. "Onde as nuvens se formam, o ar ascende, e onde ele desce, ele inibe a formação de nuvens. Por isso temos falta de chuva em alguns pontos e excesso, em outros, já que o fenômeno influencia na circulação geral do ar na atmosfera", afirma.
Nordeste
Na Região Nordeste, entre novembro e dezembro, choveu pouco em Sergipe e em Alagoas. O acumulado de chuva não alcançou 50 milímetros nestes estados, segundo o Cptec/Inpe. Entretanto, a chuva é geralmente reduzida no Nordeste neste período. As chuvas no norte da Região Nordeste iniciam em fevereiro.
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