Perspectivas para a economia brasileira em 2011: 1 - Tributos, 2 - setor hoteleiro, 3 - microfranquias, 4 - aviação civil, 5 - etanol e 6 - imóveis - 7 - Concorrência chinesa se enfrenta com marcas, diz Alpargatas

1 - Brasileiros devem pagar mais impostos neste ano, prevê IBPT

Em entrevista, vice-presidente da entidade defende desoneração.
Depois do Impostômetro, entidade quer lançar o 'Gastômetro'.

Letícia do Amaral, vice-presidente do IBPT
Letícia do Amaral, vice-presidente do IBPT.
O ano de 2010 terminou com o valor recorde de R$ 1,27 trilhão em impostos pagos pelos brasileiros, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Neste ano, será preciso um bolso ainda mais fundo: a previsão do instituto é de que a arrecadação cresça cerca de 10%, para R$ 1,4 trilhão.
"Se o governo está arrecadando mais, há espaço para diminuir alíquotas e desonerar alguns tributos", defende a vice-presidente do IBPT, Leticia Amaral. Em entrevista (leia abaixo), no entanto, ela diz que não vê vontade política para a aprovação de uma reforma tributária.
Com o objetivo de pressionar por uma maior eficiência dos gastos públicos, o IBPT deve lançar, neste ano, o "Gastômetro". O indicador, que será "parceiro" do Impostômetro, deve funcionar como mais uma ferramenta de denúncia da elevação da carga tributária e vai mostrar para a população o destino do dinheiro da arrecadação.
"Será uma complementação. Se o Impostômetro apontou a R$ 1,27 tri de arrecadação, o gastômetro vai mostrar o que o governo faz com esses R$ 1,27 tri", explica Letícia do Amaral, vice-presidente do IBPT. "Com a ferramenta será possível ter uma noção de quanto o governo destina para áreas essenciais como saúde e educação e quanto vai para gastos supérfluos."
A ideia é criar uma espécie de ranking dos principais destinos dos recursos arrecadados e identificar quanto o governo efetivamente despende para pagamentos de dívidas, folha de pagamento, custeio, previdência e investimentos.
"O mais difícil é desenvolver uma ferramenta e uma metodologia para computar todas as informações oficiais do governo e dos estados e municípios", afirma Letícia. Segundo a advogada, ainda não há previsão da data de lançamento do "Gastômetro".
Na entrevista a seguir, Letícia do Amaral fala sobre as expectativas em relação ao governo Dilma, o impacto de uma recriação da CPMF e propostas de simplificação do cálculo dos impostos e tributos.
Entrevista:
 
Segundo o Impostômetro, a arrecadação de impostos e tributos em 2010 foi recorde, atingindo a marca de R$ 1,27 trilhão. Qual é a previsão para 2011?
Letícia do Amaral - O aquecimento da economia deve continuar e isso vai refletir na arrecadação tributária. O país está enquadrado num cenário muito favorável por causa de Copa e Olimpíadas, o que atrai muito investimento. A previsão para 2011 é de um aumento de 10% em relação a 2010, o que deve levar a uma arrecadação de R$ 1,4 trilhão.
A arrecadação tributária cresce num ritmo maior que o da economia. Isso é desproporcional?
Letícia - Historicamente, a arrecadação sempre cresce mais do que o PIB, por isso a carga tributária sempre aumenta de um ano para outro. Mas a população não sente na mesma proporção uma melhora na qualidade dos serviços públicos. O crescimento econômico vem gerando mais empregos e consumo, o que reflete na arrecadação. Além disso, o governo vem aprimorando suas técnicas de fiscalização e reduzindo a sonegação. Mas há um desequilíbrio porque, se o governo está arrecadando mais, há espaço para dimimuir alíquotas e desonerar alguns tributos.
Em seu discurso de posse, a presidente Dilma defendeu a modernização do sistema tributário. É um bom sinal de que o tema será de fato enfrentado?
Letícia - A reforma tributária não saiu porque não houve vontade política. Acho difícil que surja essa vontade agora. Da mesma forma que ela fala que é prioridade mexer na tributação, fala-se também em recriar a CPMF, o que é contraditório. Que o tema é urgente, não há dúvida, mas não há garantia de nada. O que o governo tem feito é mexer em setores muito pontuais, ligados à infra-estrutura e ao PAC, mas existem áreas primordiais que ainda são muito tributadas. O peso dos impostos nos medicamentos, por exemplo, varia de 25% a 30%.
No Brasil, os governos costumam dizer que impostos elevados são necessários para manter um Estado forte. A carga tributária no Brasil é justa?
Letícia - Claro que não é justa. O peso da carga tributária em relação ao PIB em 2010 deve ficar em torno de 35,5%. Em 2009, foi de 34,5%. Recentemente, o IBPT divulgou um estudo mostrando que o Brasil ocupa o 1º lugar em carga tributária entre os países emergentes. Só perdemos para países altamente desenvolvidos. É claro que o Estado precisa arrecadar tributos para funcionar, mas temos os Estados Unidos, por exemplo, onde a carga tributária é de 25%. Países no mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil, como México, Rússia, Índia, China, têm carga tributária de menos de 20%. Quando um país reduz a carga tributária acaba ajudando na elevação do PIB, porque sobra mais dinheiro para investimento e produção interna.
A desoneração depende necessariamente da aprovação de uma reforma tributária no Congresso ou há alternativas que dependem somente de medidadas do Executivo?
Letícia - O histórico que nós temos de reforma tributária não é muito vantajoso para o contribuinte, mas sim para o governo. Nos últimos anos o que se viu foram medidas que acabaram por inflar a fórmula de calcular os tributos, prorrogaram algum tributo ou então tornaram o sistema ainda mais complexo. O que defendemos é uma reestruturação administrativa. O governo tem que começar a gerir melhor os seus gastos. Além disso, você pode mexer no sistema sem falar necessariamente numa reforma tributária. Aprovar uma lei ordinária é muito mais fácil do que uma emenda à Constituição. E tem como desonerar grande parte de produtos sem depender de projetos de leis. Uma alíquota de IPI pode ser mudada por decreto.
"O anseio de todos é pela simplificação, só o que as empresas gastam com toda a burocracia representa uns 2% dos seus custos"
E quais seriam as mudanças tributárias prioritárias?
Letícia - O anseio de todos é pela simplificação, só o que as empresas gastam com toda a burocracia representa uns 2% dos seus custos. Mas uma mudança urgente é na fórmula de calcular os tributos. A própria configuração do sistema tributário faz com que a arrecadação se eleve. Ao contrário de outros países, temos tributo incidindo sobre tributo, o chamado efeito cascata: Pis e Confins na base de cálculo do ICMS, e ICMS na própria base de cálculo do ICMS. Essa é uma aberração que só existe no Brasil. Outra mudança muito simples seria mudar o prazo de vencimento de determinado tributo. Hoje, a empresa vende a prazo e paga o tributo antecipadamente. Um projeto de lei poderia dilatar os prazos de vencimentos e permitir que os tributos fossem pagos no momento em que a empresa efetivamente receber o dinheiro da venda.
Num contexto de reformulação tributária, haveria espaço para a criação de uma Contribuição Social para a Saúde (CSS) para aumentar os investimentos na área da saúde?
Letícia - O país não precisa de recriar a CPMF. O governo já tem recursos para destinar à saúde e não destina. As verbas para a área correspondem a cerca de 5% do PIB, o que é muito pouco e mostra que o setor não é tratado como prioritário. Essa forma de cobrança de tributo é muito benéfica para o governo, mas o efeito dela é nefasto porque atinge toda movimentação financeira. A CPMF incide em todas as etapas da produção e acaba tendo impacto também no preço final dos produtos.
Setores da indústria de exportação têm reclamado não só do dólar baixo, mas também do peso da carga tributária. Que medidas de desoneração poderiam ser feitas?
Letícia - As exportações já têm uma tributação bem menos elevada. O que o governo pode fazer é mexer na tributação interna, nas alíquotas gerais que fazem parte da cadeia de produção de setores que dependem da exportação.
Segundo pesquisa do IBPT, o Brasil aparece em 2º lugar num ranking de 26 países com maior tributação direta sobre salários. É possível baixar esse custo?
Letícia - A desoneração da folha de salários deveria ser uma das metas do novo governo. No ano passado, quem tinha carteira assinada trabalhou em média 148 dias só para pagar imposto, o que dá quase cinco meses. A tributação da folha de salários tem peso de cerca de 50%, o que é muito alto. Mas para mudar isso o governo terá que mexer também na Previdência, que sofrerá impacto direto se houver desoneração na folha de salários. Por outro lado, o governo pode mexer no Imposto de Renda, que está com a tabela defasada há anos.
Depois do Impostômetro, O IBPT estuda lançar o "Gastômetro" e o "Corruptômetro". Como funcionariam essas ferramentas?
Letícia - Será uma complementação. Se o Impostômetro apontou a R$ 1,27 tri de arrecadação, o Gastômetro vai mostrar o que o governo faz com esses R$ 1,27 tri. Com a ferramenta será possível ter uma noção de quanto o governo destina para áreas essenciais como saúde e educação e quanto vai para gastos supérfluos. Já o Corruptômetro será uma ferramenta para estimar o volume de dinheiro público desviado, mas é algo mais complicado, vai ter que ser na base de estimativas, já que corrupção não é algo transparente.

 

2 - Classe C já troca casa de parente por hotel, diz executivo da Accor

Nova classe média é 'bola da vez' também no setor hoteleiro.
Maior rede de hotéis no país prevê inaugurar 16 novas unidades em 2011.

Accor  Gilles Gonzales
Gilles Gonzalez, diretor da Accor América Latina.
A classe C é a bola da vez também no setor hoteleiro. Investimentos em hotéis econômicos, com diária média de R$ 100, são a aposta da francesa Accor, maior rede de hotelaria do Brasil, para mudar o velho hábito de se hospedar em casas de parentes ou amigos durante viagens.
“As pessoas estão viajando cada vez mais e a expectativa da classe média é sempre por algo melhor. Então é preciso oferecer o que eles procuram: mais conforto, qualidade e preços justos”, afirma Gilles Gonzalez, diretor de Desenvolvimento Accor América Latina. “Hoje a classe C já tem renda suficiente para se hospedar num hotel, e o hábito de ficar em casa de parente já está mudando”.
A rede, que reúne as marcas Sofitel, Pullman, Novotel, Mercure, Ibis e Formule 1, administra hoje 144 unidades no país e prevê inaugurar 16 novos hotéis no Brasil em 2011. O plano é chegar a 224 até 2015, sendo a maioria hotéis de custo baixo e serviços enxutos. O foco é a expansão das duas marcas econômicas da rede: Ibis e Formule 1.
A bandeira Ibis tem hoje 53 hotéis em funcionamento no país e outros 43 com contrato assinado para a construção. Para a marca Formule 1, a expectativa é abrir 100 novas unidades até 2018 com o lançamento de franquias para cidades secundárias, de 100 mil a 500 mil habitantes.
A projeção que o Brasil ganhou no exterior depois de conquistar o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 tem ajudado a aumentar o movimento de turistas no país e a atrair novos investimentos. Só no Rio de Janeiro, a Accor tem hoje 7 empreendimentos em construção, num total de R$ 172 milhões em investimentos.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) estima que nos últimos dois anos a taxa de crescimento no setor foi de cerca de 15% para hotelaria de rede ou de hotéis administrados por redes e bandeiras, e de 6% a 8% por ano na hotelaria independente. Segundo a entidade, o setor reúne cerca de 27.500 meios de hospedagem, entre hotéis, pousadas, flats, albergues e alojamentos, e movimenta cerca de R$ 24,8 bilhões por ano.
Grupo vai abrir mais hotéis no Brasil do que na China e na Índia
O Brasil é a prioridade da Accor na América Latina, onde a rede está presente em oito países, com cerca de 165 hotéis. “Nosso plano até 2015 é multiplicar por dois nossa plataforma na América Latina e chegar a 308 hotéis. E a participação do Brasil nessa expansão chega a 80%”, diz Gonzalez.
Em 2010, dos 12 empreendimentos inaugurados na América Latina, 8 foram no Brasil. Para 2011, das 18 novas unidades previstas na região, 16 são no Brasil. O número inaugurações da rede no país será maior que na China e Índia, onde a previsão de abertura é, respectivamente, 15 e 13 novos hotéis. Não por acaso São Paulo e Xangai foram os destinos escolhidos para a primeira viagem para fora da Europa do novo presidente global da Accor, Denis Hennequin, que chega essa semana ao Brasil.
De acordo com Gilles Gonzalez, o que mais tem pesado na aceleração do plano de expansão da rede no país é o crescimento da demanda interna e a ascensão da classe C. “Nos últimos anos, mais de 25 milhões de brasileiros entraram na classe C. Para os próximos 5 anos, as previsões são que mais 25 milhões entrarão”, diz.
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Investimentos em cidades de médio porte
De acordo com o executivo,  ainda há muito espaço para novos empreendimentos. “Nos países desenvolvidos, a estrutura da oferta hoteleira costuma ser em forma de pirâmide, com hotéis de luxo na ponta, hotéis intermediários num volume um pouco maior e modelos econômicos na base da pirâmide. No Brasil, temos uma pirâmide em formato de barrica, com uma base ainda muito pequena”, explica Gonzalez, que nasceu na França e reside no país há dois anos.
É por isso que o grupo francês foca agora a abertura de novas unidades também fora das capitais. “O Brasil está crescendo como um todo e não existe nas cidades de pequeno e médio porte uma hotelaria com nível e qualidade internacional”, afirma o executivo da Accor.
O modelo de unidades franqueadas da marca Formule 1 prevê hotéis menores, de até 100 apartamentos. A Accor já conseguiu uma parceria com Banco do Nordeste, que concordou em liberar empréstimos com juros baixos para construção de hotéis. O investimento médio, incluindo terreno, varia entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões.
As características dos novos hotéis, porém, serão as mesmas das 11 unidades de Formule 1 já construídas. Não há piscina, nem restaurante. O hotel não disponibiliza carregador de bagagens nem serviço de quarto. Café de manhã e estacionamento não estão incluídos na diária e são pagos à parte. Os quartos são pequenos, de apenas 12 metros quadrados. Para economizar espaço, a pia fica do lado de fora do banheiro e não há banheira. A cama extra do apartamento de casal é um beliche. Em compensação, o preço é único por apartamento. Nas unidades da marca, as taxas de ocupação costumam ficar em torno de 80%, acima da média registrada nos outros segmentos do setor.
“Nossa força está na padronização. O sucesso é justamente repetir o padrão de qualidade de uma marca mundial. O turista sabe que não vai ter surpresa”, afirma Gonzalez. O hotel se propõe ser atraente tanto para as pessoas que viajam a negócios durante a semana quanto para os turistas de classe média aos sábados e domingos.
O preço da diária é, sem dúvida, um dos maiores atrativos. “A grande diferença de um hotel econômico é que nele é o hóspede quem paga na maioria dos casos, e não uma empresa”, diz o diretor da Accor.
1º Pullman do Brasil abre em março
Para o segmento luxo, a aposta da Accor é o lançamento da marca Pullman, de categoria upscale ou 5 estrelas. O primeiro hotel da bandeira no país será aberto em março, em São Paulo, no local onde funcionava o Mercure Grand Hotel Ibirapuera.
Obras do hotel Pulmman de BH devem começar neste semestre.
Obras do hotel Pullman de BH devem começar neste semestre.
“O hotel está sendo reformado para abrir com essa nova marca. A grande diferença será nas áreas sociais, no lobby, restaurantes e nos andares de suítes”, explica Gonzalez.
O conceito prima por instalações de design diferenciado e confortáveis destinadas à realização de reuniões e eventos corporativos. Áreas comuns foram projetadas para facilitar a convivência e a conectividade. “A idéia é conquistar um público mais jovem, entre 30 a 45 anos, que busca sociabilidade e instalações mais modernas”, afirma o diretor da Accor.
O segundo hotel da bandeira no país será erguido em Belo Horizonte, em parceria com o grupo Maio Paranasa. As obras começam neste semestre e a previsão de término é em fevereiro de 2014.
A maioria dos novos empreendimentos da rede no país é feita com parceiros locais que têm se beneficiado de novos programas federais de financiamento. Dos 7 hotéis da Accor em construção no Rio, dois (Ibis em Copacabana e Botafogo) estão sendo erguidos com recursos do BNDES, que lançou o ProCopa Turismo, programa com orçamento de R$ 1 bilhão destinado a estimular a ampliação e modernização da rede hoteleira nas cidades que sediarão jogos da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

 

3 - Em alta, microfranquias permitem à classe C abrir o próprio negócio

País tem 2,5 mil franqueados deste tipo; previsão é de alta de 20% em 2011.
Modelo de negócio exige investimento inicial de no máximo R$ 50 mil.

Elaine Alves (à esquerda.), franqueada da Home Angels
Elaine Alves (à esquerda), franqueada da Home Angels
Em menos de dois anos, a enfermeira Elaine Cristina Barbosa Alves, de 32 anos, passou de assalariada, com renda média de R$ 1 mil, para empresária no ramo de cuidados especiais a idosos, com 35 funcionários, incluindo o próprio marido, e rendimento mensal de cerca de R$ 10 mil. Ela virou a própria patroa após abrir uma microfranquia, modelo que exige investimento máximo de até R$ 50 mil e que já representa 10% do faturamento do setor de franchising no país.
“No início foi bastante difícil, tive que fazer muita panfletagem na rua, muito marketing de guerrilha, mas hoje já estou atendendo na base da indicação”, afirma Elaine, que é franqueada da Home Angels na cidade de Campinas (SP). Criada em 2007, a microfranquia funciona no modelo home-based (baseado em casa), sem necessidade de ponto comercial. A operação do negócio exige apenas um telefone e uma equipe mínima de funcionários.
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) estima que já exista no país cerca de 2.500 franqueados de um total de mais de 50 marcas de microfranquias. “A fatia de participação delas no mercado de franquias deve chegar a 20% até o fim de 2011”, diz Ricardo Camargo, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Franchising.
O setor de franquias deve fechar o ano de 2010 com um faturamento de R$ 75 bilhões, um crescimento de 19% em relação a 2009. Para 2011, a previsão é de alta de 15%. Mas para os modelos de microfranquias, a estimativa é de crescimento acima de 20%.
"As microfranquias se caracterizam pelo baixo investimento e pela baixa complexidade operacional. Muitos dos negócios podem ser administrados de casa e não envolvem estoques, coleções, manipulação de produtos ou softwares complexos”, explica André Friedheim, sócio-diretor da Francap, empresa de consultoria na área de francising.
Negócios não exigem ponto comercial
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A maioria das microfranquias está ligada à prestação de serviços como reformas, jardinagem, reforço escolar, aulas particulares, fisioterapia, manutenção de computadores, tratamento de beleza e cuidado de idosos, crianças e animais, entre outros. Quando o negócio depende de um ponto comercial, geralmente o modelo é para espaços como quiosques, sem custo de luva.
Entre as vantagens, está a possibilidade de montar o negócio com capital próprio, sem necessidade de financiamento, o uso de uma marca que já está presente no mercado e a transferência de know-how para o gerenciamento do negócio. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelam que 80% das empresas fecham em até cinco anos após a inauguração. No caso das franquias, o número cai para 15%.
"Apesar da rigidez de algumas franquias, abrir um comércio de nome já conhecido e respeitado é muito mais seguro do que começar do zero”, destaca o diretor-executivo da ABF.
Ele afirma que o tempo médio de retorno do investimento na microfranquia é menor, entre 18 e 24 meses, contra uma média de 36 meses nos modelos tradicionais.
O alto custo era o principal impedimento para a entrada de mais empreendedores nesse mercado”, afirma Artur Hipólito, do Grupo Zaiom, pioneiro no setor de microfranquias no país e responsável pela operação de sete marcas com cerca de 400 franqueados. “Para 2011 a nossa meta é dobrar o número de franqueados”.
O investimento médio para abrir uma franquia do grupo costuma ser em torno de R$ 20 mil. O faturamento médio mensal costuma variar entre R$ 5 e 15 mil, com taxa de lucro entre 30 e 40%. “É um modelo de baixo risco e de rápida implantação. O franqueado consegue iniciar as operações entre 30 e 40 dias”, afirma Hipólito, dono das marcas Home Angels, Amigo Computador, Tutores, Dr. Faz Tudo e Dog Relax.
“É a porta de entrada mais fácil para se tornar um franquedo, aprender a trabalhar em rede, cumprir padrões de processo, conhecer esse mundo e depois se aventurar em operações de maior porte", avalia André Friedheim.
“O momento do país é excelente, o varejo está crescendo e há mais oferta de crédito. Portanto, as microfranquias são uma oportunidade até para essa nova classe C que sonha ter seu próprio negócio e virar patrão de si mesma”, completa o diretor da Francap.
Elevação da renda e da carga de trabalho
Além de representar a porta de entrada da classe C para o mundo do franchising e do empreendedorismo, as microfranquias criam em muitos casos um atalho para a elevação da renda do prestador de serviço.
“Os nossos franqueados costumam ter mais de 35 anos. São pessoas que querem sair do ambiente coorporativo e abrir o próprio negócio, e que querem elevar a renda numa área da qual já fazem parte ou têm afinidade”, afirma o dono do grupo Zaiom. “São pessoas que ganham entre dois e três mil reais que encontram na microfranquia uma chance de duplicar, triplicar os seus ganhos e mudar de vida”.
Artur Hipólito, do Grupo Zaiom
Artur Hipólito, do Grupo Zaiom, que opera sete marcas de microfranquias
A franqueada Elaine conta que com ganho de renda já conseguiu comprar um apartamento e um carro zero. “Eu acho que já saí da classe C, já estou numa classe quase média alta”, diz. O crescimento do negócio permitiu convencer até o marido a abandonar o emprego de funcionário de escritório. “É ele quem cuida de todo o marketing e da divulgação do negócio. Agora ele é meu empregado”, brinca.
O sucesso no mundo das microfranquias, entretanto, exige planejamento, análise do mercado e da região de atuação, e escolha criteriosa do ramo de atividade. "O ponto de partido deve ser a afinidade com o negócio. Quem não gosta de trabalhar no fim de semana, por exemplo, deve pensar duas vezes antes de abrir um negócio em shopping ou ligado a alimentação", afirma André Friedheim.
Ricardo Camargo, da ABF, lembra que é indispensável também pesquisar a marca, o histórico da empresa e o grau de satisfação dos franqueados. “Isso é importante para avaliar se o negócio tem futuro e potencial de captura de cliente”, diz.
Nada é mais importante, no entanto, do que a presença do dono no negócio. “Na verdade, quem abre uma microfranquia está comprando um emprego”, resume Friedheim.
“Como diz o ditado, é o olho do dono que engorda o boi”, diz a empresária Elaine. “Passei a dormir com o celular do lado da cama para não deixar de atender nenhum cliente”.

 

4 - Aviação civil quer aprender a falar com novo público, diz Azul

Com expansão de 23,47% em 2010, setor busca aproximação com classe C.
Para presidente da Azul, 'não existe um único canal, nem um canal mágico'.

Encontrar canais de comunicação adequados para capturar novos clientes  - incluindo a classe econômica emergente, que está descobrindo que o transporte aéreo também está acessível a ela - é o atual desafio do setor da aviação civil, segundo o presidente da Azul Linhas Aéreas, Pedro Janot.
“Qual é o caminho? Como é que você chega para falar com essas pessoas? (...) Estamos tentando buscar o canal, mas não tem um canal mágico. Primeiro porque eu acho que não tem um único canal, tudo é multicanal. Então, a gente acha que está conseguindo entender como é que essas pessoas compram, onde é que elas compram, o que elas compram”. “É um projeto de guerrilha.”
Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas, prevê crescimento entre 15% e 18% para o setor em 2011
Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas, prevê crescimento entre 15% e 18% para o setor em 2011
A cada ano, cresce o número de passageiros transportados: dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgados na última quinta-feira (13) indicam que, em 2010, o movimento de passageiros cresceu 23,47% nos voos domésticos. Em 2009, a alta foi de 17,65%.
Para ter certeza de que estará presente onde seu público está, a Azul aposta atualmente em múltiplos canais de venda – seja na internet; em lan houses dentro de supermercados; por meio de parceria com terceiros, como a estabelecida com a rede Magazine Luiza; em lojas próprias instaladas em shoppings; etc. “Estamos fazendo vários testes por vários canais”, explica Janot.
Para o presidente da Azul, em termos de crescimento, o cenário é de céu de brigadeiro para todo o setor em 2011. “Num ambiente macroeconômico que você tem dólar constante, petróleo constante, economia constante, eu acho, honestamente, que isso pode ir de novo [o crescimento do setor] entre 15% e 18%.” Na opinião do executivo, este crescimento virá por meio da taxa de ocupação, já que, em sua opinião, não deve haver crescimento expressivo na capacidade de oferta de assentos totais da aviação civil.
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Gargalo
Mas, se por um lado, o crescimento é positivo, por outro, ele esbarra num grave problema do setor – o da infraestrutura deficiente. Janot evita criar polêmica em torno do tema, mas admite que a situação precisa ser enfrentada, especialmente no que diz respeito aos três aeroportos mais movimentados do país. “Brasília, Congonhas e Guarulhos são os aeroportos que precisam de reforma urgente para aumentar as capacidades e conforto dos passageiros”, diz. “Eu acho que nos próximos dois anos, para a aviação nacional, tirando estes aeroportos, e com algum esforço, a aviação vai continuar a crescer, mas com desconforto dos passageiros, sem estacionamento para você parar seu carro, num ambiente desconfortável e sem estrutura.”
Ao falar sobre a proximidade da Copa do Mundo – que o país recebe em 2014 – Janot é mais taxativo: “Para estruturas deste porte, nós estamos atrasados para o que a gente deve fazer. (...) São dois problemas: um é o tempo de execução individual, isto é um desafio. O outro problema é quando você faz todas as obras ao mesmo tempo e todo este sistema aqui está impactado por restrições, horários, não pode pousar...”, explica. “Fato é que a gente está muito preocupado. (...) Os prazos estão correndo e correndo muito rápido.”
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Parte da solução do problema, na opinião de Janot, seria explorar cada vez mais os aeroportos secundários que existem país afora. “Está tudo por vir ainda no Brasil. (...) Está para ser construída uma aviação regional, mais capilar. E levando em conta que há uma grande descentralização econômica do país. (...) Você tem 60 clusters econômicos que estão bombando. Onde você enfia a mão tem um projeto, tem uma planta industrial, tem um grande movimento econômico”, argumenta.
Esta descentralização, além de desafogar os aeroportos principais, ajudaria a mover a roda da economia, destaca Janot. “Quando nós chegamos em Campinas, a cidade movimentava 800 mil passageiros por ano. Este ano [2010], Campinas vai movimentar perto de 4,8 milhões de passageiros por ano. O aeroporto cresceu seis vezes. Imagine o que isso significou na economia dessa região? Teve valorização de terrenos, movimento das locadoras, empregos locais, indústrias locais, economia de custo das empresas que tinham que ir para outras cidades, dinamização dos negócios, decisões estratégicas de empresas.”
‘Quem é que é o dono da aviação civil?’
Janot reconhece que setor enfrenta gargalo de infraestrutura
Janot reconhece que setor enfrenta gargalo de infraestrutura
Não é só o problema da infraestrutura que pode afetar o crescimento do setor de aviação civil. Para Janot, a pergunta fundamental que deve ser feita é: “Quem é que é o dono da aviação civil?”.
“Dentro do aeroporto brasileiro você tem Anvisa, Ministério da Agricultura, Receita Federal e Polícia Federal, com poderes. O aeroporto pouco poder tem sobre essas áreas”, explica. “Não existe uma unidade em prol da produtividade. (...) Criaram o secretário de Portos. Qual é o modelo de gestão que vai ser criado para a aviação civil? As companhias vão levar os seus planos de necessidades, de demandas para quem? E este ‘quem’ tem que ter capacidade de planejamento e de resposta. A gente não tem com quem falar hoje”, reclama. “Eu quero voar ali não sei onde. Vai ter estrutura, vai ter Corpo de Bombeiros, vai atender a regulamentação da Anac? É casuístico. Cada aeroporto você tem que ‘arrombar’ uma porta.”
Com relação à mão de obra, Janot diz que, a partir do próximo ano o país já precisa começar a se preocupar em formar novos profissionais. Até o momento, esta variável não representou um gargalo para o setor porque houve um forte processo de absorção de trabalhadores das antigas aéreas – como Vasp e Varig, diz Janot. “Temos que começar a produzir jovens a partir de 2012 para assumir posições em aviões um pouco mais à frente.”
Classe C
Embora admita que há um forte ingresso de novos viajantes da classe C – e que a empresa está de olho neste mercado promissor -, Janot diz que esta não é a estratégia da empresa. “Meu foco não é a classe C. Meu foco é: regiões inexploradas, serviços inexplorados, com uma qualidade inexplorada. E o meu avião tem capacidade de transportar, ao mesmo tempo, a classe A – porque eu tenho o Espaço Azul, tenho poltrona de couro, tenho atenção ao cliente – e qualquer pessoa que queira voar neste avião”, argumenta.
De olho no caminho – ou caminhos – para se aproximar desta classe emergente, Janot comenta algo que percebeu em suas conversas com passageiros. Os novos clientes, muitas vezes, chegam ao avião pelas mãos dos jovens. “É muito comum você ver o painho, a mainha, o vô e a voinha dentro do avião e você pergunta assim: ‘Quem foi que comprou?’. Eles falam assim: ‘Quem comprou foi aquele moleque ali, ele sabe tudo de computador’”, diz.
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IPO
Questionado sobre se 2011 é o ano em que a Azul fará sua primeira oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês), Janot diz que este é um processo “natural na companhia”. “Nós temos que nos preparar para ser uma grande organização, porque nós já somos uma companhia grande, somos 3 mil tripulantes azuis, estamos em 27 bases, fazemos quase 4 mil voos por mês. (...) Temos uma missão de processualizar a companhia e, marginalmente, preparar a companhia para abertura de capital”, diz.
A Azul começou a voar no Brasil em dezembro de 2008, com quatro aeronaves. Atualmente, a companhia tem 27 aviões e deve receber, ainda este ano, mais 11 jatos da Embraer, além de ter feito a opção de compra de 20 ATRs.
 

 

5 - Etanol - Preço médio do etanol será mais alto em 2011, diz Copersucar

Crescimento da demanda por álcool está à frente da oferta, diz executivo.
Alta do preço do açúcar leva usinas a maximizar a produção da commodity

Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar
Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar
Abastecer o carro com etanol em 2011 será menos vantajoso do que nos últimos anos. A previsão é do presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, maior empresa brasileira do comércio de açúcar e etanol. Segundo o executivo, o consumidor não deve esperar grande recuo nos preços após o período de entresafra, que deve se estender até abril.
“Nesta safra deveremos ter menos volatilidade e um padrão de preço mais alto”, afirma. “Em São Paulo, onde o etanol custa em média 55% do preço da gasolina, o mais provável é que neste ano opere numa faixa de 65%”.
O presidente da Copersucar afirma, porém, que o preço do etanol já está no limite da competitividade com a gasolina e não deve subir muito mais nos postos. E, segundo ele, não há risco de desabastecimento. “Teremos em 2011 um volume de produção de etanol não menor do que o do ano passado".
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Souza diz que a que efeitos climáticos adversos no mundo e a alta do preço do açúcar têm limitado o crescimento da produção de etanol.
“O açúcar remunera hoje de 30% a 40% mais que o etanol”, afirma Souza. Ele destaca que o Centro-Sul do Brasil já responde por 50% do comércio mundial de açúcar. A commodity foi o grande destaque das exportações do agronegócio brasileiro em 2010, com expansão de de 52% das receitas. Com 18% das exportações do setor, o açúcar só ficou atrás da soja, que deteve 22% da vendas.
“O país precisa de mais investimentos em projetos greenfields (iniciados do zero), porque estamos vivendo um ciclo onde a demanda agora anda à frente da oferta”, afirma o presidente da Copersucar.
Na última safra, 55% da cana-de-açúcar comercializada pela Copersucar foi destinada à produção de etanol e 45% para a produção de açúcar. Segundo Souza, para a safra 2011/2012, a tendência é que esses índices mudem para 53% e 47%, respectivamente.
A empresa prevê comercializar 135 milhões de toneladas de cana na safra 2011/12, o que significará um crescimento de cerca de 25%. Das 8,1 milhões de toneladas de açúcar previstas, 6 milhões serão destinados à exportação. Na safra anterior, foram enviadas ao exterior 4,8 milhões de toneladas, a maior parte açúcar bruto a granel.
No caso do etanol, da produção estimada de 5,2 bilhões de litros, 600 milhões de litros devem ser exportados, volume igual ao da safra anterior. No Brasil, 87% da produção de etanol em 2010 foi destinada ao mercado interno, seguno a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
“O mercado internacional de álcool ainda não decolou”, diz Souza. “A exportação de álcool nos próximos cinco anos ainda deve ser marginal”, diz Souza.
A Copersucar prevê investir R$ 400 milhões em logística em 2011 e 2012, principalmente em terminais marítimos, transporte ferroviário e no etanolduto – obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que vai atravessar 45 municípios, ligando as principais regiões produtoras de etanol. O primeiro trecho, entre Ribeirão Preto e Paulínia, está orçado em R$ 800 milhões e deverá entrar em operação já em 2012. A Copersucar participa com 20% do investimento.
Imagem de usina associada a Copersucar, em Itapira (SP)
Imagem de usina associada a Copersucar, em Itapira (SP)
 
Entrevista:
 
O ano de 2010 foi marcado por uma forte alta no preço e nas exportações de açúcar. Esse cenário deve se repetir em 2011?
Paulo Roberto de Souza -
O efeito climático adverso no mundo está restringindo o crescimento da oferta. Com isso, a produção cresceu menos. Os fundamentos do açúcar são muitos bons. No cenário global os preços estão altos. Portanto, no Brasil, o incentivo será tentar maximizar a produção de açúcar. As usinas vão operar no máximo que podem, mas tem limitação. Já do ponto de vista de tamanho de safra 2011/2012, devemos ter um crescimento marginal em açúcar. Foram feitos investimentos pequenos no que chamamos de "desengargalamento", o que vai permitir aumentar a produção. Vamos ter um total de cana muito parecido e uma safra um pouco mais açucareira.
Produzir etanol hoje tem sido menos vantajoso para as usinas? Isso pode comprometer a oferta?
Souza -
O açúcar remunera hoje de 30% a 40% mais que o etanol. Agora, essa quantidade de açúcar é limitada. As usinas gostariam de produzir muito mais açúcar, mas se quiserem converter 70% da cana em álcool, isso não será possível. É uma questão de restrição nas fábricas, que estão operando próximo do limite de sua produção de açúcar, e o restante vai para o álcool. Mas teremos em 2011 um volume de produção de etanol não menor que o do ano passado.
Com o crescimento da demanda por álcool, a tendência então são preços mais altos nos postos?
Souza
- A frota de veículos não para de crescer. Só esse ano foram 3,3 milhões novos veículos, muitos deles flex. Historicamente, o preço do etanol tende a ser mais alto na entressafra. Nesta safra deveremos ter menos volatilidade e um padrão de preço mais alto.
Isso quer dizer que o preço do etanol para o consumidor não deve baixar tão cedo?
Souza -
A gente não vê espaço para um preço muito maior. Em São Paulo, por exemplo, começa a passar de 70% do preço da gasolina. Com isso, o etanol começa a perder demanda para gasolina. Para o ano, o consumidor não deve esperar que ocorra grande recuo no preço durante o período de moagem (de abril a dezembro), como foi no passado. Em São Paulo, onde o etanol custa em média 55% do preço da gasolina na época da safra, o mais provável é que neste ano opere numa faixa de 65%. Com isso, o consumo de gasolina cresce e aumenta também o volume de álcool anidro, que no blend corresponde a 25% da composição da gasolina. O álcool anidro volta a ter um crescimento um pouco mais robusto e o álcool hidratado estabiliza. Mas ficar estável num cenário de crescimento no consumo de combustíveis, significa perder participação no mercado.
O que precisa ser feito para aumentar a oferta de etanol?
Souza -
Um novo ciclo de investimentos em fábricas é necessário. As usinas estão no seu limite. Existe uma concepção não muito correta que, se o preço do açúcar está muito bom ou está melhor, se produz só açúcar e não álcool. Essa flexibilidade ao longo dos anos diminuiu muito. O país precisa de mais investimentos em projetos greenfields (iniciados do zero), porque estamos vivendo um ciclo onde a demanda agora anda à frente da oferta. Num passado recente, a gente gerou uma oferta e ficou encontrando mercado para esse produto. Agora a situação é outra. É preciso encontrar um mecanismo econômico para o etanol voltar a crescer num ritmo de dois dígitos ao ano.
“A cana está muito longe de ser monocultura no país, ainda há muito espaço para crescer"
Quais incentivos ajudariam a aumentar os investimentos na produção de etanol?
Souza -
A decisão de investimento é de longo prazo, o negócio tem que estar ancorado em etanol, açúcar e cogeração de energia. Um marco regulatório ajudaria a dar mais confiança no investimento. Hoje, a mistura de álcool na gasolina é de 25%, mas pela lei pode passar a 20%. Com 25% fixo, por exemplo, o mercado se ajustaria. A distribuidora passará a fazer mais contratos e, eventualmente, até importar. Já os incentivos para novos investimentos, a contrapartida deveria estar vinculada a contratos de fornecimento de longo prazo, semelhante ao modelo da cogeração de energia elétrica, no qual a usina faz um contrato de 15 ou 20 anos de fornecimento e tem o BNDES financiando parte do investimento.
Além da redução dos custos, o que mudará com a construção do etanolduto (obra prevista para começar neste ano)?
Souza -
A principal mudança é na forma de comercialização. Hoje, o álcool é negociado na porta da usina. É a distribuidora quem manda o caminhão. Com o etanolduto, a Copersucar vai andar na frente na cadeia logística, nosso álcool passará a ser vendido em pontos avançados. E do ponto de vista de sustentabilidade, vamos tirar milhares de viagens de caminhões das rodovias. E vamos ter um custo mais barato.
Como a Copersucar analisa o potencial de crescimento das áreas de cultivo e produção?
Souza -
A cana ocupa hoje metade da área ocupada por soja, então ainda tem muita terra disponível, agriculturável, que pode ser ocupada sem desmatamento. A cana está muito longe de ser monocultura no país, ainda há muito espaço para crescer. Os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul devem ter um crescimento robusto nos próximos anos. Em relação ao mercado, o Centro-Sul do país já representa mais de 50% do mercado mundial de açúcar e pode chegar facilmente a 60% nos próximos anos.
E como você analisa o crescimento da demanda internacional por álcool?
Souza -
Já há países onde há demanda maior que a oferta. Nos Estados Unidos, o governo americano aprovou um aumento da mistura de etanol de base milho de 10% para 15%. Com isso, eles estão aumentando em 50% a demanda americana que já é maior que toda a produção de álcool do Brasil. Demanda existe, o que estamos enfrentando é um problema de competitividade com a gasolina, que é um mix de preço do petróleo e câmbio.
O volume de exportações de álcool ainda é muito pequeno. Isso tende a mudar a curto prazo?
Souza -
O mercado internacional de álcool ainda não decolou. Os grandes mercados hoje são Brasil e EUA, abastecidos por produção local. O mercado europeu é um mercado onde o Brasil deve ter uma participação crescente. A exportação de álcool nos próximos cinco anos ainda deve ser marginal. Então, a grande bandeira de que o futuro do etanol é exportação não parece ser uma realidade próxima. Mas os mercados estão sendo criados, há o apelo ambiental, o sucesso do etanol como aditivo continua, o sucesso do carro flex no Brasil é indiscutível, então o mercado está aí, só é uma questão de tempo.
 

6 - Imóveis - Brasileiro vai passar a trocar mais de casa, diz presidente da Gafisa

Executivo diz que não há bolha e que preços de imóveis não vão cair.
Wilson Amaral diz que crescimento do setor em 2011 será o dobro do PIB.

“Não há bolha. O mercado da construção civil ainda está nos primórdios do desenvolvimento. O brasileiro compra imóvel para ele mesmo morar ou para o filho, não tem nada de especulação”. A afirmação é de Wilson Amaral, presidente da Gafisa, maior construtora do país no segmento residencial e dona das marcas Tenda e Alphaville.
Na avaliação do executivo, o mercado imobiliário seguirá aquecido nos próximos anos, com preços em alta e taxas de crescimento superiores ao do PIB. “Não vai cair o preço”, diz. “A necessidade de novas casas que no Brasil é de cerca de 1,5 milhão por ano. Temos uma demanda tão grande que, se o PIB crescer 4 ou 4,5% em 2011, vamos crescer pelo menos o dobro”.
Wilson Amaral, presidente da GafisaWilson Amaral, presidente da Gafisa, diz que preço de imóveis não vai cair tão cedo
 
Segundo o presidente da Gafisa, com o crescimento da renda, desemprego baixo, inflação controlada e maior oferta de crédito, o brasileiro passará a comprar mais imóveis e a trocar mais vezes de residência. “Nos países desenvolvidos, as famílias mudam de residência até sete vezes em média ao longo da vida. No Brasil, a média não chega a duas casas. Mas isso vai mudar. É uma tendência clara”, afirma.
Amaral destaca que lançamentos imobiliários para a média e baixa renda, sem obrigatoriedade de valor de entrada, eram raros até poucos anos atrás. “Financiar um apartamento novo em 30 anos, pagando R$ 450 por mês, isso não existia. A pessoa casava, entrava numa casinha e morria na casinha”, diz.
Como em outros setores da economia, o segmento que mais cresce é o de média e baixa renda. Na Gafisa, a marca Tenda, voltada para empreendimentos de até R$ 200 mil, já responde por 36% do volume financeiro dos lançamentos da empresa. Dos 212 projetos em desenvolvimento do grupo, 100 são Tenda, 70 da marca Gafisa e 42 da Alphaville. Em cinco anos, a previsão é que a marca Tenda represente 50% dos negócios.
Os números consolidados de 2010 da Gafisa, que possui ações na Bovespa, só serão públicos em março. Segundo Amaral, pelas estimativas do mercado, o total de vendas foi 22% maior que o registrado e 2009. Já no volume financeiro dos empreendimentos lançados, a estimativa é que o total em 2010 fique entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,6 bilhões, o que poderá representará um crescimento superior a 90%.
Perfil do novo comprador
A estratégia da Gafisa é atuar em todos os segmentos. Mesmo porque o cliente de hoje de um apartamento popular, de dois dormitórios e área entre 40 e 50 metros quadrados, pode se tornar amanhã o cliente de um imóvel de médio ou alto padrão.
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Segundo Amaral, o cliente do novo mercado imobiliário costuma ter entre 25 e 30 anos, ganha entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil e que está na progressão da carreira. “Daqui a 5, 6 anos, essa pessoa vai estar ganhando mais, a família estará maior e chance dela comprar outra casa será muito grande”, diz. “À medida que a nova classe C for sendo incorporada, essa progressão será natural”, afirma o executivo de 57 anos, que reside atualmente na sua sexta residência.
Nas modalidades oferecidas atualmente pelas construtoras, o valor pago entre o lançamento e a entrega das chaves costuma ficar entre 25% e 30% do valor do imóvel, o que facilita bastante na hora de obter um financiamento. “Se a prestação coube no primeiro mês, a tendência é quitar o financiamento em menos de 30 anos, porque o valor mensal sempre cai”, afirma Amaral. Na Gafisa, o tempo médio entre o lançamento do imóvel e a inauguração é entre 2 anos e 2 anos e meio. Nos empreendimentos da marca Tenda, o prazo é menor, entre 12 e 18 meses.
Prédios sem tijolos para 'Minha Casa Minha Vida'
A Gafisa aposta no sucesso do programa “Minha Casa, Minha Vida” para alavancar as vendas no segmento de média e baixa renda. A construtora não revela o número de unidades contratadas dentro do programa, mas diz que o maior volume de entregas ocorrerá a partir desse ano. “Ninguém consegue entregar uma casa em um ano”, afirma Amaral. “As empresas se mobilizaram, compraram os terrenos, aprovaram os projetos na Caixa, fizeram os lançamentos, venderam e agora estão entregando”, diz Amaral.
Nova tecnologia usa moldes de alumínio no lugar da alvenaria estrutural
Tecnologia com moldes de alumínio para paredes permite construções mais rápidas

A garantia e estímulos federais para esse modelo de moradia (a fase 2 do "Minha Casa, Minha Vida" prevê mais 2 milhões de residências) levou a Gafisa a implantar até uma nova tecnologia de construção de unidades padronizadas, com moldes de alumínio no lugar da alvenaria estrutural.
“São prédios sem tijolos”, explica Amaral. “É um processo muito mais rápido e mais limpo. O acabamento das paredes é quase perfeito, não precisa fazer massa. Dá para fazer um prédio desse tipo em quatro, cinco meses”.
No primeiro empreendimento com o uso desta tecnologia, em Cotia, a construtora ergueu 128 prédios de quatro pavimentos numa área de 450 mil m². A partir de seis modelos básicos de forma, a construtora dispõe atualmente de 30 tipos de plantas padronizadas e adaptáveis à legislação de cada cidade.
Embora o crédito seja crescente, o setor da construção civil já alerta para a necessidade de novos fundos para o financiamento imobiliário, que já está próximo a 4% do PIB. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), projeta que o financiamento imobiliário poderá chegar a 11% do PIB em 2014
“O país não vai conseguir desenvolver esse mercado só com os recursos da caderneta de poupança”, afirma Amaral. “Com a estabilização econômica, o Brasil já está permitindo a criação de novos produtos como a securitização”.
“Nos últimos 10 anos, aumentou o tamanho da varanda e diminuiu o tamanho da sala"
Tendências em alta
Segundo o presidente da Gafisa, a construção de condomínios com vários prédios e em áreas um pouco mais afastadas do centro das capitais é uma tendência em alta no mercado brasileiro. “Com mais torres, você costuma ter uma área de lazer maior e o condomínio costuma ser mais barato”, explica.
Amaral admite, porém, que a carência de terrenos tem contribuído para o aumento do número de lançamentos fora das capitais. “O prédio mais antigo vai estar mais bem localizado, não tem jeito”, diz. Segundo ele, o custo do terreno no preço total de um lançamento representa entre 5% e 10% na marca Tenda e entre 15% e 20% na marca Gafisa. “Já numa área nobre de São Paulo, por exemplo, esse custo pode representar 50%”, afirma.
Segundo o executivo, é na infra-estrutura do condomínio e no desenho da planta do imóvel que os novos lançamentos costumam vencer a disputa pela preferência do comprador. “Hoje, a distribuição dos ambientes é muito mais inteligente. Já os antigos nem sempre há mais de uma vaga da garagem e varanda”, compara. “Nos últimos 10 anos, aumentou o tamanho da varanda e diminuiu o tamanho da sala. Essa tendência vai perdurar, pois a varanda gourmet é o sonho de consumo de qualquer um”.

7 - Concorrência chinesa se enfrenta com marcas, diz Alpargatas
Presidente da empresa critica sobretaxa para calçados da China.

Linha de tênis Havaianas é aposta para expansão da marca em 2011.


Nem sobretaxa a importados, nem produção de calçados mais baratos. Na avaliação do presidente da Alpargatas, Márcio Utsch, para enfrentar a concorrência chinesa a indústria brasileira deve investir cada vez mais em suas marcas e na modernização de suas linhas de produção. “É quase impossível você competir com os chineses por custo. Temos que competir pela marca, pelo posicionamento do produto, para que o consumidor perceba o diferencial”, afirma.

Márcio Utsch, presidente da Alpargatas
Márcio Utsch, presidente da Alpargatas

A China responde atualmente por cerca de 65% do calçado produzido no mundo. Hoje, os chineses produzem 10 vezes mais que os brasileiros: cerca de 11 bilhões de pares contra 850 milhões. O Brasil é o terceiro maior produtor de calçados e o sexto maior exportador. Em 2010, a China exportou cerca de 8 bilhões de pares. O Brasil fechou 2010 com 143 milhões de pares exportados, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados),
O presidente da Alpargatas, companhia que detém as marcas Havaianas, Topper, Rainha, Mizuno, Dupé, Sete Léguas, Timberland e lojas Meggashop, afirma que o custo de produção chega a ser cinco vezes menor na China. Segundo Utsch, produção em grande escala, encargos menores, jornada de trabalho maior e moeda desvalorizada são os fatores que permitem a China vender calçados a preços muito mais baixos.
“No calçadão de Frankfurt, tem sandália chinesa a 1 euro. A nossa é vendida a 25 euros. Mas isso não nos preocupa porque temos marca. Não vendemos chinelo, vendemos Havaianas”, afirma o executivo.
Desde março de 2010, o Brasil mantém uma sobretaxa de US$ 13,85 por par de sapato importado da China. Os fornecedores chineses são acusados de praticar dumping (vender produtos a um preço inferior ao praticado no mercado internacional). A sobretaxa vigorará por cinco anos e é adicional à tarifa de importação, que chega a 35% para artigos esportivos.
A Alpargatas, porém, se diz contrária à tarifa antidumping. “Isso é um absurdo, é uma trava totalmente desnecessária. Aqui não é Coreia do Norte, temos o direito de comprar as coisas pelo preço que elas valem e não por um preço fictício, sobretaxado”, afirma Utsch, que considera a medida uma proteção artificial e inflacionária.
A sobretaxa é uma bandeira da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que luta agora para estender o direito antidumping contra produtos provenientes do Vietnã, Malásia, Hong Kong e Indonésia, bem como para a importação de partes de calçados da China para montagem no Brasil. Segundo a entidade, os chineses têm usado a prática de triangulação das importações para mandar calçados para cá sem pagar sobretaxa.
“Não é protecionismo. Defendemos os interesses da indústria nacional frente a uma concorrência predatória”, afirma Heitor Klein, diretor executivo da entidade. Segundo ele, a medida também tem por objetivo evitar a transferência de produção para países onde o custo de produção é menor e pressionar as grandes marcas multinacionais que importam calçados chineses a trocar os produtos asiáticos por versões fabricadas em empresas instaladas aqui.
As multinacionais, sobretudo as fabricantes de tênis, argumentam que a ação é equivocada porque coloca em um mesmo patamar tanto calçados mais simples como produtos mais sofisticados, como os chamados tênis de alta performance, cuja produção é concentrada lá fora.
“Se tivermos livre competição aqui, a gente vai abrir espaço para o nosso produto lá fora também. Estou sendo prejudicado e o governo está perdendo impostos”, diz Utsch. A Alpargatas não revela, porém, o número de calçados importados.
Em vez da sobretaxa, o presidente da Alpargatas defende uma política industrial para o setor de calçados, com linhas de financiamento especiais para a modernização das instalações dos pequenos e médios fabricantes.
Polêmica à parte, os números da Abicalçados mostram um recuo na importação de calçados em 2010 e um crescimento do consumo interno. O consumo per capita de calçados no Brasil subiu 5,3% em 2010, para uma média de 3,9 pares por pessoa. A produção da indústria calçadista cresceu 5,5%, atingindo 858 milhões de pares. As importações registraram uma queda de 5,5% (29 milhões de pares) e as exportações um aumento de 12,9% (143 milhões de pares).
Internacionalização da Alpargatas
Líder no mercado de sandálias e maior empresa brasileira em faturamento de calçados e acessórios esportivos, a Alpargatas tem obtido boa entrada no mercado internacional. Segundo Utsch, 30% do total da receita da companhia em 2010 foi gerada por moedas diferentes do real: dólar, euro e peso argentino. “Em 2005, esse percentual era inferior a 3%”, afirma o executivo Para 2014, o plano é levar essa participação para índices próximos a 40%.
As marcas da Alpargatas estão presentes em 70 países em mais de 200 mil pontos de venda. A companhia tem operação própria nos EUA, Espanha, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Argentina e Uruguai. São 190 lojas próprias, 106 franqueadas e cerca de 200 mil pontos de venda no mundo. A companhia tem 18 mil empregados, dos quais 5,4 mil no exterior.
“Somos uma empresa de marcas e a nossa estratégia é cada vez mais internacionalizar a Alpargatas”, diz Utsch. Segundo ele, 13% de toda a receita da companhia é investida em marketing.


A transformação das modestas sandálias Havaianas em artigo de moda no mundo mostra o quanto o investimento em marca pode gerar. Atualmente, as Havaianas representam 54% das receitas da Alpargatas, que obteve uma receita bruta de R$ 1,9 bilhão até o 3º trimestre de 2010. Os números de 2010 ainda não foram divulgados. A meta da companhia é alcançar em 2014 uma receia bruta de R$ 5,5 bilhões.


“Hoje são 70 modelos diferentes de Havaianas, fora as cores. “Se você quiser ter uma de cada cor e tamanho, você vai ter que comprar 6.100 havaianas”, diz Utsch. A estratégia da marca é oferecer modelos diferentes para cada tipo de ponto de venda.
Em 2010, segundo a Alpargatas, dos 350 milhões de pares de sandálias vendidos no país, 220 milhões foram pares de Havaianas. Considerando que o total de calçados vendidos no Brasil no ano passado somou 744 milhões de pares, segundo os dados da Abicalçados, as Havaianas respondem por cerca de 30% do total de calçados comprados no Brasil.
Modelos da primeira linha de tênis Havainas
Tênis Havaianas
A Alpargatas não quer mais que as Havaianas sejam sinônimo só de chinelo. A estratégia agora é expandir a linha de produtos com a marca, incluindo bolsas, toalhas e, principalmente, tênis.
Lançado no último inverno na Europa e disponível até então somente em algumas das lojas no Brasil, a linha de calçados fechados, batizada de "Soul Collection", é a grande aposta das Havaianas para o ano.
O produto surgiu de um viés sazonal, para enfrentar a queda nas vendas de chinelos no Hemisfério Norte durante o inverno. “É um achado. Agora a gente vai ficar presente o ano inteiro nas vitrines internacionais”, diz Utsch.
O produto é um híbrido. O calçado mantém na sola e na palmilha a mesma borracha dos chinelos. O desenho da tira da sandália também está presente no acabamento. Por enquanto, são quatro modelos em várias cores. Além dos modelos de cano baixo e alto, há uma sapatilha com cobertura de lona.
“Não é um tênis, é um produto diferente. A gente preserva a alma da marca, é como se fosse uma sandália”, explica Utsch. Segundo o executivo, o produto ficará numa faixa intermediária de preço, com preço médio entre R$ 70 e R$ 80.
A empresa diz que uma estratégia de distribuição já está sendo colocada em prática para multiplicar os pontos de venda do novo produto e pretende aumentar os investimentos em publicidade. A Alpargatas não revela, porém, o volume de vendas em 2010 nem a previsão para 2011. "A concorrência está louca pra saber", desconversa Utsch.
A empresa revela apenas que o plano é fazer com que a linha de novos produtos Havaianas cheguem a 15% do volume de negócios da marca até 2014.

 






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