Sonho brasileiro

 

Tradicional exportador de mão de obra para países desenvolvidos, agora é o Brasil que atrai profissionais em busca de oportunidades

GLOBETROTTER
Depois de viver na Dinamarca e na Itália,
o holândes Maarten Markink decidiu vir para o Brasil

Nos últimos cinco anos, o Ministério do Trabalho concedeu quase 190 mil autorizações de trabalho. E os pedidos só crescem. Apenas nos primeiros nove meses de 2010 foram 39.057 vistos emitidos. Estima-se que a cifra atinja a casa dos 46 mil quando for fechado o balanço do ano. O holandês Maarten Markink, 43 anos, está entre os estrangeiros que acabam de desembarcar a trabalho no Brasil. Diretor financeiro da Pearle Latam, especializada em equipamentos óticos, Markink assumiu em agosto passado o escritório da empresa em São Paulo, aberto no ano anterior. “A combinação do desenvolvimento econômico com a estabilidade política faz as oportunidades”, afirma o executivo. “E a classe média brasileira está crescendo cada vez mais.” Depois de viver quatro anos na Dinamarca e sete na Itália, Markink conta que o processo de adaptação dele e da família em São Paulo foi muito tranquilo. Com mulher e três filhos, o executivo já faz planos de passar os próximos anos no País.

Processo similar vivem famílias recém-chegadas a Macaé, no Rio de Janeiro. Mônica Mello, dona da empresa Welcome Expats, especialista em receber profissionais expatriados, relata que todos os dias chegam especialistas em exploração de petróleo em alto-mar na cidade, principalmente depois que os Estados Unidos proibiram a perfuração em águas profundas no leste do Golfo do México, após o vazamento de petróleo, em junho de 2010. Ela lembra que a cadeia de fornecedores da Petrobras é enorme e que o Brasil não tem mão de obra suficiente para atender à procura. “Os americanos são a maioria, mas há imigrantes do Equador, Colômbia, Venezuela e Argentina que vêm em busca de uma vida melhor”, diz.
É o caso dos americanos Jay e Lyndie Phillips, que encontraram a qualidade de vida que desejavam no Brasil. O casal está há seis meses em Macaé, com duas filhas pequenas, depois de uma temporada na Holanda. O marido não pode dar entrevistas, mas Lyndie conta que, apesar de achar a Holanda mais organizada e com melhores escolas do que o Brasil, o custo de vida holandês é muito alto. Ela diz que ama seu país e sente muita falta do resto da família, que mora nos Estados Unidos. Por isso, quando o marido foi chamado para trabalhar num projeto da empresa de exploração de petróleo no Brasil, hesitou. “Como o contrato é de dois anos e seis meses, aceitei”, diz Lyndie. A remuneração também era maior. “Estou muito feliz. Aqui temos um quintal grande, empregados e plano de saúde. Acho o clima maravilhoso, gosto da cultura, da comida e as pessoas são encantadoras”, derrete-se.

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MONEY
Salário fez o casal americano
Jay e Lyndie Phillips trocar a Holanda por
Macaé, onde Jay trabalha como petroleiro

Tratar da adaptação de estrangeiros ao País é a especialidade da advogada Tania Maluf Cardoso, dona da TMC Human Resources Services, em São Paulo. Ela está no ramo há quase uma década e meia, mas diz que jamais tinha visto um janeiro como este mês, que sequer terminou. “Duas novas multinacionais já bateram à minha porta”, comenta, feliz da vida. Até a primeira semana de fevereiro, Tania precisa cuidar da realocação de seis famílias, vindas dos Estados Unidos, da Espanha, do México e da Suíça. E o mercado deve continuar aquecido. Sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers, Edmar Perfetto avalia que o aumento da importação de mão de obra é uma tendência que se consolida, porque “as economias do Hemisfério Norte estão com desenvolvimento modesto e dificuldade de gerar empregos.”
Distante das limitações impostas pela situação econômica em outras partes do mundo, o Brasil é um dos principais países do mundo na mira dos investidores estrangeiros e prevê a entrada recorde de capital este ano. Por isso, parte da mão de obra que chega faz planos para ficar uma longa temporada. Consultor de empresas formado em economia, o português André Nogueira, 29 anos, chegou há dois anos no Brasil, quando a crise econômica já havia se instalado na Europa. Ele garante que não fugiu da crise. “Eu estava trabalhando em Portugal. Vim em busca de experiência”, ressalta Nogueira. “E estou muito feliz.” Não é para menos. Na semana passada, ele acertava os detalhes de sua primeira troca de emprego no País – para uma situação melhor, é claro. E são muitos os profissionais conhecidos de Nogueira que estão se preparando para fazer trajetória similar à dele. Todos na esperança de que o sonho brasileiro seja duradouro .

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