As 90 reportagens que fizeram história

21.jun.1959

"Um rio desafia o Brasil", de Mário Mazzei Guimarães

Série de 16 reportagens com enfoque econômico sobre a região cortada pelo rio São Francisco e suas carências. Recebeu o prêmio Esso de Jornalismo.

26.out.1967

"De repente, a violência", de Gil Passarelli

Fotografia registrou confronto entre grupos de alunos do Mackenzie devido às eleições para a União Estadual dos Estudantes de SP. Venceu o Prêmio Esso de Fotografia.

4.abr.1968

Caso Calabouço, de fotógrafo não identificado

Imagem retratou padres tentando impedir policiais de se aproximarem de grupo que havia assistido à missa de 7º dia da morte de jovem baleado no Rio.

4.abr.1968/Folhapress

8.jul.1970

"Operação salva vítimas de infarto agudo", de Julio Abramczyk

Reportagem apontava que a ponte de safena era nova técnica que poderia salvar vidas de pessoas infartadas. Recebeu o Prêmio Esso de Informação Científica.

15.jan.1975

"O prefeito é Olavo Setúbal", reportagem não assinada

Jornal revelou que o banqueiro e empresário Olavo Setúbal era a escolha do governador Paulo Egydio Martins para assumir a Prefeitura de São Paulo, nomeação que só seria anunciada oficialmente um mês depois. A reportagem afirmava que o nome de Setúbal já havia sido anteriormente cogitado para as secretarias municipais da Fazenda ou do Planejamento.

31.ago.1975

"O jogo dos miseráveis", de Flávio Adauto

Caderno mostrou que mais de 7.000 jogadores de futebol, em 21 Estados, viviam sem direitos previdenciários, apesar de pagarem impostos. Recebeu o Prêmio Esso Informação.

5.abr.1978

"Fala Figueiredo", de Getúlio Bittencourt e Haroldo Cerqueira Lima

A entrevista exclusiva com João Baptista Figueiredo, então ministro-chefe do SNI, que se preparava para suceder o presidente Ernesto Geisel, causou agitação no mundo político. O general se mostrou bastante áspero na conversa pontuada por discordâncias entre os repórteres e o entrevistado. Ele defendeu a eleição indireta para presidente e direta para governadores em 1982. Recebeu Prêmio Esso de Jornalismo.

21.ago.1979

"Projeto da anistia é intocável", de Jorge Araújo

Imagem retratou a concentração de pessoas na praça da Sé, em SP, em manifestação a favor da anistia a exilados e presos políticos na ditadura. Venceu Prêmio Esso de Fotografia.

9.out.1980

"A baixada da violência", de Paulo César de Araújo e Valério Meinel

A ação dos grupos de extermínio da Baixada Fluminense, comandados em sua maioria por policiais, foi tema da reportagem. Ganhou o Prêmio Wladimir Herzog.

7.dez.1980

"No fim, fratura exposta", de Álvaro da Costa

Imagem mostrou momento em que o corintiano João Alves tem a perna quebrada pelo goleiro do Flamengo na Taça São Paulo de Juniores. Venceu Prêmio Esso de Fotografia.

Álvaro da Costa-7.dez.1980/Folhapress

27.mar.1981

"Mães de maio burlam a polícia e fazem protesto", de Clóvis Rossi

Reportagem informou que Mães da Praça de Maio anteciparam ato por desaparecidos políticos para burlar vigilância policial, na Argentina. Venceu Prêmio Wladimir Herzog na categoria jornal.

28.ago.1981

"Guatemala vive sob terror", de Newton Carlos

Reportagem relatou assassinatos e decapitações de integrantes de grupos de esquerda pelo "Exército Secreto Anticomunista". Venceu Prêmio Wladimir Herzog, na categoria jornal.

10.out.1982

"Rota, os métodos e as mortes", de Dácio Nitrini e Valmir Salaro

Até outubro de 1982, a PM era responsável por 354 mortes em SP --170 cometidas pela Rota. O texto apontou os abusos da tropa. Venceu Prêmio Vladimir Herzog, na categoria jornal.

30.dez.1982

"Governo favorece o Grupo Delfin", de José Carlos de Assis

Governo aceitou que a empresa quitasse uma dívida de CR$ 70 bi com o BNH com um terreno de CR$ 9 bi, apesar de relatório do banco vetar o negócio. Venceu Prêmio Esso de Reportagem.

22.jun.1983

"A saúde de Figueiredo", de Janio de Freitas

Texto revelou que novo problema cardíaco afastaria o general da Presidência. O fato foi negado. Uma semana depois, Figueiredo se internou num hospital em Cleveland (EUA).

18 a 21.dez.1983

"O sonho de Serra Pelada", de Ricardo Kotscho

Em reportagem sobre Serra Pelada, jornalista mostrou o recrudescimento da corrida ao ouro e a decaída das condições de vida dos garimpeiros.

23.set.1984

"Político Tancredo revela planos do candidato", de Boris Casoy

A última entrevista exclusiva de Tancredo à Folha foi em set.84. Antes de ser eleito indiretamente, ele admitia um civil para coordenar o SNI.

dez.1984 e jan.1985

"Radiografia do serviço secreto", de Rubem de Azevedo Lima

Série sobre SNI revelou que seus agentes eram treinados com base em exemplos de outros serviços secretos, como o da Gestapo, a polícia nazista. Ganhou o Prêmio Esso de Informação Política.

21.mar.1985

"Tancredo teve um tumor benigno; operado de novo, estado é grave", reportagem não assinada

A manchete revelou que, na primeira operação a que foi submetido, o presidente eleito teve extirpado um tumor benigno no intestino --e não sofria de diverticulite, como havia sido divulgado. O texto informou que, apesar do tom otimista dos comunicados oficiais, o silêncio de homens do governo dava a entender que o estado de saúde era grave.

7.jan.1986

"Doença de funaro", de Janio de Freitas

Em janeiro de 1986, o colunista informou que o então ministro da Fazenda, Dílson Funaro, estava com câncer. O ministro se tratou sem deixar o cargo.

8.ago.1986

"Serra do Cachimbo pode ser local de provas nucleares", de Elvira Lobato

Repórter revelou que governo construía em local de testes, em Base Aérea no Pará, poços que serviriam para testes nucleares e armazenamento de lixo atômico.

1º.jan.1987

Caso Cobrasma, de Frederico Vasconcelos

Folha mostrou que a Cobrasma, empresa do presidente da Fiesp, projetou lucro irreal, o que causou fortes prejuízos a investidores.

14.fev.1987

"País prepara hipótese para moratória", de Clóvis Rossi, Tadeu Afonso e Nelson Blecher

Antes de moratória, ministro Funaro preparara transferência de reservas de bancos tradicionais para centros financeiros imunes a retaliação.

Fev e mar.1987

"República dos padrinhos", de Gilberto Dimenstein

Série de reportagens mostrou que o então presidente José Sarney liberou recursos para as bases eleitorais de deputados dispostos a apoiar o mandato de cinco anos.

"13.mai.1987"

"Concorrência da Norte-Sul foi farsa", de Janio de Freitas

A concorrência para a construção da ferrovia foi desmascarada por Janio de Freitas, que publicou 5 dias antes, de forma cifrada, resultado nos classificados. Ele venceu Prêmio Esso de Jornalismo.

"3.fev.1988"

"A lista da fisiologia", de Gilberto Dimenstein

Documento apontava políticos intermediários de repasses para programas sociais, em esquema de tráfico de influência entre Executivo e Legislativo. Venceu Prêmio Esso de Jornalismo.

21.fev.1988

"Pesquisa da USP mostra que 1/4 dos docentes nada produz", de Laura Capriglione e Ana Fromer

Avaliação da USP sobre o desempenho dos professores em 1985-86 apontava que 25% nada produziam.

25.set.1988

"Segredos militares revelados", de Clóvis Rossi

Em documentos do Exército americano, o conceito de subversão era usado de forma indiscriminada. Além dos constituintes, a Fundação Ford era tida como subversiva.

22.jun.1989

"Itamaraty paga em dólar a funcionários no Brasil", de Gilberto Dimenstein

A Fundação Visconde de Cabo Frio, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, pagava funcionários em dólar, com depósitos em Londres.

9.ago.1989

"Collor enfrenta simpatizantes de Brizola", de Chico Ferreira

Imagem mostrou o então candidato à Presidência xingando simpatizantes de Brizola em campanha eleitoral em Niterói (RJ).

Chico Ferreira-09.ago.89/Folhapress

30.mai.1990

"Arquivos revelam os métodos da censura", de Cristina Grillo e Wilson Silveira

Folha teve acesso a mais de 90 mil processos sobre como agiram censores no regime militar. Venceu o Prêmio Esso de Informação Cultural.

14.dez.1990

"Violência da PM controla menores em São Paulo", de Luiz Paulo Lima

Policial em busca de ladrão foi flagrado ao colocar arma na boca de menino de rua, de 11 anos, nos Jardins, em São Paulo. Venceu Prêmio Wladimir Herzog.

Luiz Paulo Lima-14.dez.90/Folhapress

2.jun.1991

"Importações de equipamentos de Israel com superfaturamento", de Frederico Vasconcelos

Governo de SP comprou equipamentos israelenses com intermediação de firma de papel em paraíso fiscal.

20.dez.1992

"Índia amamenta filhote de porco do mato", de Pisco Del Gaiso

Foto flagrou índia da tribo Guajás, no Maranhão, amamentando filhote de porco do mato criado na aldeia. Venceu Prêmio Internacional Rei da Espanha.

Pisco Del Gaiso-10.jun.1995/Folhapress

27.abr.1993

"Anatomia de uma licitação", de Oscar Pilagallo e Xico Sá

Cartel de empreiteiras ditava os preços e definia, entre as empresas, as vencedoras das licitações. Vence o Prêmio Esso de Reportagem Especializada.

18.jun.1993

"Terror tinha lista de sequestráveis", de Fernando Rodrigues

Lista achada na Nicarágua incluía brasileiros que poderiam ser sequestrados. Papel trazia dados sobre Pão de Açúcar e Votorantim. Venceu Grande Prêmio Folha.

21.out.1993

"PC telefona e diz estar em Londres", de Xico Sá

Em telefonema ao repórter, o empresário e tesoureiro da campanha de Collor, Paulo César Farias, que estava foragido, contava que estava vivendo em Londres.

19.jul.1994

"Seleção volta ao país com toneladas de compras", de Fernando Rodrigues

Avião que trouxe jogadores ao Brasil trazia toneladas de produtos importados, que entrariam no país sem pagamento de impostos.

14.mai.1995

"Paraíba viu o verdadeiro milésimo gol; erro de contagem consagrou maracanã", de Valmir Storti

Folha constatou falha na contagem dos gols de Pelé. O milésimo ocorreu 5 dias antes do gol eternizado no Rio.

25.jun.1995

"A verdadeira história policial de Rubem Fonseca, de Mario Cesar Carvalho

A trajetória do escritor na polícia foi esmiuçada. Fonseca havia sido comissário de polícia na década de 1950. Venceu Prêmio Folha na categoria reportagem.

8.out.1995

"Como empreiteiras e bancos financiam o jogo eleitoral", de Olímpio Cruz Neto, Lucio Vaz, Marta Salomon, Gabriela Wolthers, Vivaldo de Souza e Gustavo Patú

Doações eleitorais e os subterrâneos das relações entre empresários e políticos. Venceu o Grande Prêmio Folha.

24.jun.1996

PC no IML, de Juca Varella

Repórter fotográfico consegue fotografar o corpo do tesoureiro Paulo César Farias em maca do IML de Maceió por meio de uma fresta. Venceu o Prêmio Folha na categoria fotografia.

Juca Varella-24.jun.1996/Folhapress

27.nov.1997

"Comprovado pedágio no futebol", de Marcelo Damato

Clube uruguaio intermediou a transferência do lateral Zé Roberto, da Portuguesa ao Real Madrid, e reteve US$ 5,4 milhões. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem.

13.mai.1997

"Mercado do voto", de Fernando Rodrigues

Numa conversa telefônica, o deputado Ronivon Santiago (do então PFL-AC) afirma a um amigo que havia recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição de FHC. Ele dizia ter recebido R$ 100 mil em dinheiro; o restante seria pago por uma empreiteira com relações com o governo do Acre. Os compradores do voto de Ronivon, segundo ele próprio, eram os governadores do Acre e do Amazonas. Venceu o Prêmio Essoe Grande Prêmio Folha.

13.jan.1999

"Gustavo Franco deixará o BC hoje", reportagem não assinada

Folha revelou que, no momento em que a crise financeira se agravava no país, o presidente do Banco Central se preparava para pedir demissão.

31.jan.1999

"Contrato dá à Nike poder sobre a CBF" de Juca Kfouri

Contrato entre CBF e Nike expunha cessão do controle sobre a seleção para a empresa. Segundo o documento, Nike escolheria adversários da seleção em 50 amistosos.

24.mar.1999

Investigação sobre as mortes de PC Farias e Suzana Marcolino, de Mário Magalhães, Ari Cipola e Paulo Peixoto

Cobertura sobre as mortes fez com que o caso não fosse arquivado. Venceu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Folha na categoria reportagem.

25.mai.1999

"FHC tomou partido de grupo no leilão da Telebrás", de Fernando Rodrigues e Elvira Lobato

Gravações revelaram que FHC pressionou fundo de pensão da Petrobras a entrar no consórcio do Opportunity para favorecê-lo. Venceu o Grande Prêmio Folha.

5.set.1999

"ONG americana oferece crianças pela internet e cobra US$ 5.500 por adoção", de Mario Cesar Carvalho e Marcio Aith

Entidade dos EUA no Brasil cobrava US$ 5.500 para intermediar a adoção de criança brasileira.

21.mai.2000

"Boca a Boca", de Zulmair Rocha

Imagem mostrou policial fazendo respiração boca a boca em menina em confronto da polícia com traficantes no Rio. Venceu Prêmio Esso categoria fotografia.

Zulmair Rocha-21.mai.2000/Folhapress

Out.2000

"Confrontos em Israel e territórios palestinos", de Paulo Daniel Farah

Repórter mostrou como conflitos fragilizaram o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o líder da OLP, Iasser Arafat. Venceu Prêmio Folha categoria reportagem.

12.nov.2000

"Campanha de FHC omitiu doações", de Andréa Michael e Wladimir Gramacho

Os repórteres investigaram a prestação de contas de FHC na campanha de 1994 e obtiveram provas de que o comitê do presidente foi abastecido por um caixa dois. Uma planilha eletrônica da sua primeira eleição à Presidência mostrou que pelo menos R$ 8 milhões deixaram de ser declarados ao TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) na ocasião. Venceu o Grande Prêmio Folha.

1.jun.2001

Líder estudantil fica nua na frente do Congresso, de Beto Barata

Imagem da presidente da União Brasileira de Estudantes, que havia tirado a roupa em protesto no Congresso. Ganhou o Prêmio Folha na categoria foto.

Beto Barata-31.mai.2001/Folhapress

10.jun.2001

"Paraíso fiscal bloqueia contas de Maluf", de Roberto Cosso

Repórter revelou que a polícia da Ilha de Jersey havia bloqueado contas do ex-prefeito de SP, que negou o fato. Venceu o Grande Prêmio Folha.

25.jul.2001

"Papéis secretos do Exército", de Andréa Michael e Josias de Souza

Área de inteligência do Exército classificava os movimentos sociais como "forças adversas". Venceu o Prêmio Esso Regional Sudeste.

18.nov.2001

"Empresa ligada a Pelé arma evento beneficente e fica com o dinheiro", de Mário Magalhães e Sérgio Rangel

Empresa recebeu US$ 700 mil por evento na Argentina e não deu verba ao Unicef. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem.

21.abr.2002

"Incra considera terra ociosa assentamento", de Rubens Valente e Eduardo Scolese

Governo inflava relatórios da reforma agrária com assentamentos que não saíram do papel. Venceu o Grande Prêmio Folha.

23 e 24.jul.2002

"Espionagem garantiu Sivam a empresa dos EUA", de Marcio Aith

Espionagem do governo dos EUA e ajuda de um militar brasileiro garantiram à companhia Raytheon a conquista do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

28.jul.2002

"Sem apoio da lei, PM recruta presos para operações de combate ao PCC", de Alessandro Silva e Gilmar Penteado

Folha revelou métodos ilegais da PM para recrutar presos e infiltrá-los em quadrilhas. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem e o Premio Esso Regional Sudeste.

23.mar.2003

"Juiz é alvo de investigação criminal do TRF", de Frederico Vasconcelos

Repórter informou que o juiz João Carlos da Rocha Mattos era investigado e que a suspeita recaía sobre relações com doleiros.

20.mar a 20.abr.2003

Cobertura da guerra do Iraque, de Sérgio Dávila e Juca Varella

Série de reportagens dos dois únicos repórteres brasileiros a cobrir em Bagdá a Guerra do Iraque. Venceu Grande Prêmio Folha e o Prêmio Esso na categoria reportagem.

20.jan.2004

Morumbi e Paraisópolis, de Tuca Vieira

Imagem aérea mostrou prédio de apartamentos de luxo, no Morumbi, vizinho da favela de Paraisópolis, em São Paulo.

Tuca Vieira-20.jan.2004/Folhapress

30.abr.2004

Documento aponta acordos em licitação de coleta de lixo, de Alencar Izidoro

Documento recebido pela Folha e registrado em cartório antecipou os grupos vencedores da licitação da coleta do lixo em São Paulo.

18.jul.2004

Agronegócio e pecuária usam trabalho escravo, de Elvira Lobato

Levantamento apontou que, entre 2000 e 2003, o avanço das fronteiras agrícolas foi acompanhado pelo trabalho escravo. Venceu o Grande Prêmio Folha.

22.jul.2004

Empresa espiona alto escalão do governo Lula, de Marcio Aith

Serviço contratado pela Brasil Telecom para investigar Telecom Italia atingia o ministro da Comunicação e prefeituras do PT.

15.dez.2004

Desempregada preside empresa de Edemar, de Mario Cesar Carvalho

Vendedora desempregada aparecia como presidente de empresa do banqueiro Edemar Cid Ferreira. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem.

2004/2005

"Guerra das teles", de Guilherme Barros

Série de reportagens sobre espionagem industrial envolvendo o Opportunity, de Daniel Dantas, e a Telecom Italia. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem.

8.mai.2005

"Telemar espiona cliente e concorrente", de Fernando Canzian

Reportagem mostrou que a empresa de telefonia fixa Telemar vinha espionando e rastreando a sua concorrente Vésper.

6.jun.2005

Denúncia do Mensalão, de Renata Lo Prete

A entrevista do então deputado do PTB, Roberto Jefferson, trouxe à tona um esquema de compras de votos na Câmara para a aprovação de projetos do governo. Deu início a uma série de investigações que acabaram com o afastamento de ministros, a cassação do mandato de deputado de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, e do próprio Jefferson. Foi a mais grave crise do governo Lula. Venceu o prêmio Esso de Jornalismo e o Grande Prêmio Folha.

15.mar.2006

"Exército recupera arma após acordo com traficantes", de Raphael Gomide, Sérgio Torres e Mario Hugo Monken

Militares negociaram com Comando Vermelho a recuperação de armas roubadas de quartel do Rio. Venceu o Prêmio Folha na categoria reportagem.

26.mar.2006

"Nossa Caixa beneficia aliados de Alckmin", de Frederico Vasconcelos

Gestão Alckmin direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e TV mantidos ou indicados por aliados.

26.abr.2006

"Circo do incentivo", de Silvana Arantes

Governo destinou R$ 9,4 mi para show do grupo canadense Cirque du Soleil via Lei Rouanet, que prioriza a produção brasileira.

6.jul.2006

"Isolados, detentos vivem inferno no interior", de Laura Capriglione e Marlene Bergamo

Jornalistas mostraram que mais de 1.600 presos viviam em condições sub-humanas. Venceu o Grande Prêmio Folha.

18.fev.2007

"Fitas revelam erro na queda do avião", de Eliane Cantanhêde

Conteúdo da caixa-preta do Legacy, com diálogos entre pilotos e passageiros, apontava para sucessão de erros e mal-entendidos que culminou com acidente aéreo.

30.ago.2007

"Tendência era amaciar para Dirceu, diz ministro do STF", de Vera Magalhães

Ricardo Lewandowski, do STF, reclamou de interferência da imprensa no julgamento do mensalão. Venceu Prêmio Folha na categoria reportagem.

15.dez.2007

"Império empresarial da Universal", de Elvira Lobato

Folha revelou império empresarial construído em 30 anos pela igreja. Venceu o Prêmio Esso de Jornalismo.

16.dez.2007

17 horas de trabalho por casa e comida, de Antônio Gaudério

Fotógrafo viveu jornadas de até 17 horas com bolivianos, em SP. Venceu o Grande Prêmio Folha.

7.fev.2008

"Cartão banca contas de luxo de universidades", de Lucas Ferraz e Felipe Seligman

Reportagem mostrou uso irregular de cartões do governo.

28.mar.2008

"Braço direito de Dilma fez dossiê contra FHC", de Leonardo Souza, Marta Salomon e Andreza Matais

Erenice Guerra foi responsabilizada pelo dossiê contra FHC.

18.mai.2008

"A PM por dentro", de Raphael Gomide

Repórter participou de seleção da PM do Rio e trabalhou como recruta. Venceu o Grande Prêmio Lorenzo Natali de Jornalismo, o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo - RS e Anamatra de Direitos Humanos.

24.ago.2008

"Submundo da cana", de Mário Magalhães e Joel Silva

Folha investigou em SP condições de vida dos cortadores de cana. Venceu o Prêmio Vladimir Herzog, o Prêmio Every Human Has Rights e o Prêmio Folha na categoria reportagem.

9.jan.2009

"Médico é investigado por supostos crimes sexuais", de Lilian Christofoletti

A repórter levantou denúncias de ex-pacientes contra o médico Roger Abdelmassih por abusos sexuais.

25.abr.2009

"Dilma passa por tratamento médico", de Mônica Bergamo e Diógenes Campanha

Reportagem revelou que a então pré-candidata Dilma Rousseff havia colocado um cateter para tratamento quimioterápico.

Ago.2009

"A fronteira da guerra", de Igor Gielow

Repórter percorreu os campos de refugiados de guerra no Paquistão e no Afeganistão e as cidades do front paquistanês. Venceu o Grande Prêmio Folha.

8.out.2009

"Governo segura restituição do IR", de Leonardo Souza

Para compensar parte da queda na arrecadação, governo pretendia segurar as restituições do IR de milhões de brasileiros. Venceu o Prêmio Esso na categoria reportagem e o Prêmio Folha na categoria reportagem.

17.jan.2010

Haiti, de Caio Guatelli

Foto flagrou haitiano retirando carteira de homem morto pela polícia em confronto com saqueadores em Porto Príncipe, cinco dias após terremoto que atingiu o país.

Caio Guatelli-17.jan.2010/Folhapress

12.jun.2010

"Dossiê traz dados sigilosos da Receita contra tucano", de Leonardo Souza

Documentos fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, circularam entre pessoas ligadas à chamada "equipe de inteligência" da pré-campanha da então candidata Dilma Rousseff (PT). Uma semana depois, o repórter informou que os dados saíram dos sistemas da Receita Federal. Venceu o Prêmio Esso na categoria reportagem.

16.set.2010

"Empresa acusa filho de erenice de lobby no governo", de Rubens Valente, Fernanda Odilla e Andreza Matais

Empresa interessada em obter dinheiro do BNDES confirmou que um lobby operava dentro da Casa Civil. Venceu o Grande Prêmio Folha.

26.out.2010

"Folha conhecia vencedores do metrô seis meses antes", de Ricardo Feltrin

Jornal registrou, em abril, em vídeo e cartório, vencedores de concorrência, anunciados só em outubro. Venceu o Prêmio Folha reportagem.

6.jan.2011

"Governo concede passaporte especial para filhos de Lula", de Matheus Leitão

Itamaraty concedeu passaporte diplomático a dois filhos do presidente, dois dias antes do fim de seu mandato. Venceu o Prêmio Folha reportagem.

 

Folha põe na internet 90 anos de história em 1,8 milhão de páginas

 

No dia em que comemora seus 90 anos, a Folha coloca na internet a versão fac-similar das suas edições desde 1921. São cerca de 1,8 milhão de páginas, incluindo as edições da "Folha da Noite", da "Folha da Manhã" e da "Folha de S.Paulo".

A Folha é o primeiro dos grandes jornais brasileiros a digitalizar seu acervo integral e a colocá-lo à disposição dos leitores.

O processo demorou cerca de um ano. Envolveu dezenas de pessoas do jornal e a contratação da empresa Digital Pages. O custo estimado foi da ordem de R$ 3 milhões, o que inclui a digitalização, o armazenamento e o espaço em servidores capazes de suprir a demanda que será criada na internet.
Nesta fase inicial, qualquer pessoa poderá ter acesso gratuito por meio do site acervo.folha.com.br.

"Após um período de degustação aberto a todos, o acesso gratuito será mantido só para assinantes do jornal. É uma ferramenta poderosa para pesquisas e uma vantagem a mais para o leitor fiel da Folha", afirma Antonio Manuel Teixeira Mendes, superintendente do jornal.

BUSCAS

"Todas as páginas receberam OCR, a tecnologia que permite o reconhecimento de caracteres nas imagens. Com isso, será possível fazer pesquisas simples ou sofisticadas sobre os textos do acervo de forma intuitiva. E, com enorme volume de páginas, a interface foi desenhada para que a busca traga resultados contextualizados visualmente em poucos cliques", diz Ana Busch, diretora-executiva da Folha.com.

Jorge Araújo-23.ago.1979/Folhapress

Pomba pousa sobre faixa durante ato em favor da anistia a exilados e presos políticos na praça da Sé, em SP

Pomba pousa sobre faixa durante ato em favor da anistia a exilados e presos políticos na praça da Sé, em SP

O trabalho foi quase todo feito a partir de microfilmes do jornal. Em 1982, a Folha começou a microfilmar suas edições desde a década de 1920. "Embora existam as coleções em papel, o microfilme é importante para preservar o material. A vida estimada de um livro em papel de jornal é de cem anos. Em microfilme, dura cerca de 500 anos", afirma Carlos Kauffmann, gerente do Banco de Dados da Folha e um dos coordenadores do projeto.

Ainda hoje a Folha continua sendo microfilmada. Para efeitos legais, só cópias a partir desse meio são aceitas em processos na Justiça.

"O fato de o jornal na década de 1980 ter decidido microfilmar seus exemplares antigos facilitou bastante o processo. No ano passado, a digitalização começou a partir dos microfilmes. Mesmo os das edições mais velhas estão em boa qualidade", explica Kauffmann.
A partir de agosto de 2003, os arquivos em pdf (imagens digitais das páginas) do jornal foram usados para o atual projeto de colocar na internet todo o acervo.

O projeto de digitalização e apresentação das páginas na web privilegia o acesso amplo dos leitores. Ao fazer a busca de um texto, o interessado chegará à página correspondente e terá a possibilidade de folhear a edição do jornal daquele dia ou até de um período mais longo.

Nesse sistema, o trabalho de pesquisa se torna mais rico. Por exemplo, numa busca sobre a Segunda Guerra Mundial, ao chegar ao artigo específico, o interessado também poderá ler as reportagens publicadas na mesma página e em outras partes da edição naquela data.

Em breve, outros jornais do Grupo Folha também terão seus acervos digitalizados. Entre eles, o "Notícias Populares", que circulou de 15 de outubro de 1963 a 20 de janeiro de 2001, e a "Folha da Tarde", criada em 1949.

GRANDES REPORTAGENS

Nesta e nas próximas páginas deste caderno especial, o jornal relaciona 90 grandes reportagens --como o caso do mensalão (2005)-- e fotos publicadas ao longo de todas as suas edições.

Esse índice pode servir de guia para quem deseja fazer uma viagem histórica pelas páginas do jornal nas últimas nove décadas.

Editoria de Arte/Folhapress

 

Os 90 anos da Folha em 9 atos

Houve um tempo em que os leitores se referiam à Folha no plural. Afinal, até os anos 50 havia três Folhas: a da Manhã, a da Tarde (depois relançada) e a da Noite. Em 1960, a Folha de S.Paulo reuniu os títulos, e hoje se diz Folha, no singular.

O plural, no entanto, aplica-se bem à história do jornal. Em 90 anos, houve várias Folhas: a dos anos 20, vespertina e coloquial; a dos anos 50, que vivenciou um processo de modernização; a dos anos 60, que se tornou a ponta de lança de um conglomerado; a dos anos 70, que ganhou credibilidade com a abertura política; a dos 80, que mudou o jornalismo brasileiro com o Projeto Folha; e a atual, que foi pioneira na integração das plataformas impressa e on-line.

Os nove momentos abordados neste texto mostram como a Folha é plural -e singular.

Oscar Pilagallo, jornalista, é autor de "A Aventura do Dinheiro" e "A História do Brasil no Século 20", entre outros

2.jul.1951/Folhapress

Carro utilizado pela reportagem e na entrega de jornais nos anos 50

Carro utilizado pela reportagem e na entrega de jornais nos anos 50

1 - O NASCIMENTO DE UMA FOLHA

Se houvesse uma bíblia do jornalismo brasileiro, lá estaria escrito que a Folha nasceu de uma costela do jornal "O Estado de S. Paulo". Com o título de "Folha da Noite", a publicação que daria origem à Folha de S.Paulo nasceu em 19 de fevereiro de 1921 por obra de um grupo de profissionais egressos do jornal da família Mesquita, em cujas oficinas começou a ser impressa.

Os jornalistas, entre eles Júlio de Mesquita Filho, que escreveu o "programa" do jornal publicado na primeira edição, haviam ficado órfãos da edição vespertina do "Estado", informalmente chamada de "Estadinho", que fizera sucesso durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

19.fev.1929/Reprodução

Personagem Juca Pato, do caricaturista Belmonte

Personagem Juca Pato, do caricaturista Belmonte

Ao contrário do matutino, mais sisudo, o "Estadinho" se permitia um coloquialismo que era do agrado dos jovens jornalistas. Depois de seis anos de vida, o vespertino foi fechado. "Não nos conformávamos com o seu desaparecimento. Daí a ideia de 'Folha da Noite'", escreveu Paulo Duarte, um dos integrantes do grupo.

Duarte e Mesquita logo voltaram ao "Estado", e a "Folha da Noite" ficou sob a responsabilidade de outros dois fundadores, Pedro Cunha e, sobretudo, Olívio Olavo de Olival Costa, responsável pela política editorial. Não à toa o jornal era chamado de a "Folha do Olival".

Mas bem que poderia ter sido também a "Folha do Belmonte", o caricaturista Benedito Bastos Barreto, que, com seu personagem Juca Pato, deu identidade à "Folha da Noite".

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2 - A MODERNIZAÇÃO DE NABANTINO

A Folha moderna começou a nascer com José Nabantino Ramos, que em março de 1945 assumiu o controle da "Folha da Noite" e da "Folha da Manhã", esta criada em 1925. Seu primeiro movimento foi afastar o conde Francisco Matarazzo Júnior, que havia adquirido o jornal para usá-lo como tribuna contra Assis Chateaubriand, que o atacava pelas páginas das publicações dos Diários Associados.

Uma vez no comando, Nabantino tratou de imprimir às "Folhas" uma política editorial pautada pela imparcialidade. Se nem sempre teve êxito, diferenciou os jornais da concorrência, toda ela alinhada ao conservadorismo da UDN (União Democrática Nacional).

Em 1948, publicou o Programa de Ação para as Folhas, tentativa pioneira de conceituar a atividade em termos editoriais e empresariais, o que foi consolidado em 1959 num documento de 275 páginas.

Seu legado foi um jornal de porte médio, a Folha de S.Paulo, fusão das Folhas da Manhã, da Tarde e da Noite concretizada em 1º de janeiro de 1960.

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3 - A FORMAÇÃO DO CONGLOMERADO

O primeiro passo em direção ao conglomerado jornalístico foi dado em 13 de agosto de 1962, quando Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho compraram a Folha. Assim que saldaram as dívidas contraídas para pagar o negócio, os sócios começaram a ampliar o grupo.

Em 1965, entraram no ramo do jornalismo popular com a aquisição da "Última Hora" e do "Notícias Populares". No mesmo ano, compraram um terço da TV Excelsior, então líder de audiência. Dois anos depois, foi relançada a "Folha da Tarde". E surgiu o "Cidade de Santos", enquanto os dois sócios assumiam o controle administrativo da Fundação Cásper Líbero.

Com tamanho apetite para incorporações, a concorrência desconfiou da origem dos recursos, que na realidade eram prosaicas operações bancárias.

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4 - O PAPEL NA DITADURA

A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o "Estado", mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.

Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o "Estado", a revista "Veja" e o carioca "Jornal do Brasil", que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.

As tensões características dos chamados "anos de chumbo" marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a "Folha da Tarde" alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.

A entrega da Redação da "Folha da Tarde" a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos 'terroristas' mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.

Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da "Folha da Tarde" à repressão contra a luta armada.

Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.

2.dez.1948/Folhapress

Linotipistas trabalham em gráfica na rua do Carmo, nos anos 40

Linotipistas trabalham em gráfica na rua do Carmo, nos anos 40

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5 - SURFANDO A ONDA DA ABERTURA

No início de 1974, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, foi procurado por Golbery do Couto e Silva, futuro chefe da Casa Civil do governo de Ernesto Geisel, prestes a tomar posse.

Os dois militares seriam os principais artífices do projeto de distensão e abertura política, e Golbery encontrou-se com donos de jornais para expor o plano. Sabendo que enfrentaria a resistência da linha dura, queria a imprensa como aliada natural.

No caso da Folha, Golbery deixou claro que ao futuro governo não interessava ter um único jornal forte em São Paulo. A conversa coincidiu com discussões internas na empresa, com vistas a aproximar a Folha da sociedade civil. A empresa tinha saldado as dívidas iniciais e se expandido. O passo seguinte seria transformar o matutino num jornal influente.

Em meados de 1974, uma reunião em Nova York entre Frias, Cláudio Abramo e Otavio Frias Filho foi decisiva para a definição da nova estratégia. Sob a inspiração de Frias pai, uma ampla reforma editorial foi concebida e executada nos anos seguintes por Abramo, que trabalhava na Folha desde 1965. As páginas 2 e 3 se tornaram espaços de opinião crítica. Passaram a fazer parte da equipe editorial colunistas renomados, como Paulo Francis e, mais tarde, Janio de Freitas.

A trajetória teve um desvio em 1977, quando, por pressão da linha dura do governo, Abramo foi afastado de seu cargo. O revés, no entanto, seria passageiro. Boris Casoy, que o substituiu, manteve a orientação e garantiu que o jornal tivesse um espaço relevante no processo de redemocratização.

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6 - O JORNAL DAS DIRETAS

Em 1983, o Brasil estava num limbo político: tinha-se como certo que o ciclo militar se aproximava do fim, mas a eleição para presidente ainda era indireta. Foi nesse contexto que, timidamente, surgiu o movimento das Diretas-Já.

A Folha foi o jornal que mais se associou às Diretas. Seu engajamento é anterior ao das principais lideranças de oposição que, em fins de 1983, ainda não formavam uma frente compacta, deixando prevalecer os interesses partidários. Nessa altura, quando o movimento mal conseguia encher uma praça, o jornal criticou o sectarismo dos políticos e o silêncio da imprensa.

Os jornais só passaram a dar importância às Diretas-Já a partir de 25 de janeiro de 1984, quando o aniversário da cidade se transformou no primeiro dos muitos megacomícios que seriam realizados nos três meses seguintes.

Quando praticamente toda a imprensa cobria o movimento, o diferencial da Folha foi o tom de campanha. Jornalistas da sede em São Paulo viajavam para todas as capitais e grandes cidades onde eventos eram realizados. Os textos, com frequência ufanistas, procuravam inflamar os ânimos, de modo a arrastar mais pessoas para as ruas. No auge do movimento, a Folha passou a ser chamada até nos palanques de "o jornal das Diretas".

Com a autoridade moral conquistada durante a campanha, o jornal também criticou desvios de lideranças políticas, ao identificar manobras por baixo do pano com vistas a garantir a eleição indireta de um civil de oposição.

Quando as Diretas foram derrotadas no Congresso, em 25 de abril, a Folha foi o jornal que captou com mais intensidade a decepção popular. "A NAÇÃO FRUSTRADA!" foi a manchete do dia seguinte, ao lado de um editorial que chamava os parlamentares responsáveis pelo resultado de "fiapos de homens públicos" e "fósseis da ditadura".

Apesar da derrota, o movimento pavimentou o caminho para a eleição indireta do oposicionista Tancredo Neves. Quanto à Folha, saiu da campanha com capital editorial suficiente para se tornar um dos jornais mais influentes do país.

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7 - PROJETO FOLHA

As Diretas-Já representaram o apogeu e o fim de um consenso suprapartidário das oposições. Sem mais uma causa em comum a defender, cada partido tratou de traçar sua própria estratégia. Com o término do bipartidarismo, PMDB, PT, PDT, PTB e outras siglas surgidas entre fins dos anos 70 e início dos anos 80 passaram a buscar cada qual o seu espaço.

Respondendo a essa fragmentação, a direção do jornal elegeu o pluralismo e o apartidarismo (predicados valorizados em outros momentos da história do veículo) como os principais pilares do Projeto Folha.

O projeto começou, na prática, um mês depois da votação das Diretas-Já, quando Otavio Frias Filho assumiu a Direção de Redação. Três meses depois entrava em vigor o "Manual Geral da Redação", consolidando as linhas centrais do projeto. Do ponto de vista formal, tentava-se estabelecer um padrão que eliminasse os excessos de opinião e impressionismo característicos da cobertura das Diretas.

A redação foi informatizada em 1983-84. Surgiram programas de treinamento, bolsas para jornalistas atuarem no exterior, avaliação interna das equipes e uma mensuração sistemática dos erros cometidos pelo jornal, assim como a seção "Erramos" e o cargo de ombudsman, jornalista contratado para criticar o próprio periódico num boletim interno diário e numa coluna semanal. Criado nessa fase, o instituto Datafolha, além de pesquisas eleitorais, passou a fazer levantamentos periódicos do perfil do leitor do jornal.

Implantado com rigor, o Manual da Redação enfrentou a resistência de parte dos jornalistas, sobretudo de alguns dos mais experientes repórteres, que se sentiam tolhidos por regras draconianas que, em versões posteriores, foram abrandadas e substituídas pelo exercício do bom-senso.

Superadas as dificuldades internas, o Projeto Folha teria ainda que passar pelo crivo da sociedade civil com a qual o jornal se identificava desde meados dos anos 70. Já na eleição indireta de 1985, a Folha tratou igualmente os dois candidatos, Tancredo e Paulo Maluf, este em aliança com a desgastada base governista dos militares. A cobertura, criticada pela opinião majoritária do chamado campo progressista, mostrou como não é simples a prática do apartidarismo.

Com o tempo, o Projeto Folha transformou-se numa influente escola de jornalismo.

1954/Folhapress

Prédio na Barão de Limeira, atual sede do jornal, após mudança, em 1953, das "Folhas" para o local

Prédio na Barão de Limeira, atual sede do jornal, após mudança, em 1953, das "Folhas" para o local

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8 - O CONFRONTO COM COLLOR

Quando Fernando Collor assumiu a Presidência da República, em 15 de março de 1990, suas relações com a Folha já eram conflituosas. O jornal fizera uma série de reportagens que manchavam sua reputação de "caçador de marajás", construída com a ajuda da mídia. Também o comparou, em artigos de Clóvis Rossi, a Jânio Quadros; ele seria mais um salvador da pátria, um produto do marketing político.

A posição da Folha contrastava com a da grande imprensa, que, seduzida por seu discurso liberal, endossou a candidatura de um político até então pouco conhecido que chegou à disputa presidencial a bordo de um partido nanico.

A Folha também elogiou sua defesa da modernização do capitalismo brasileiro, tema do discurso de posse. Ainda assim, na semana seguinte, a Polícia Federal invadiu a sede do jornal, acusado de desrespeitar o tabelamento de preços --na realidade, uma tentativa de intimidação. Seis meses mais tarde, o presidente processou quatro jornalistas da Folha, inclusive Otavio Frias Filho, tentando caracterizar como calúnia um conjunto de reportagens e notas contidas numa seção de bastidores da economia. Em janeiro de 1992, os jornalistas foram absolvidos.

Nessa altura, já estava em marcha o Collorgate. Em 30 de junho, em editorial de primeira página, a Folha pediu a renúncia do presidente. Três meses depois, em 29 de setembro, Collor foi afastado pela Câmara, com a abertura do processo de impeachment.

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9 - A INTEGRAÇÃO IMPRESSO-ON-LINE

Desde meados dos anos 1980, a Folha tem feito reformas gráficas a cada 5 ou 6 anos. A mais recente ocorreu em maio do ano passado, com ampliação do tamanho das letras impressas e uso mais generoso de imagens. Também no ano passado, em abril, a Folhase tornou um dos primeiros jornais do país a promoverem a fusão entre as equipes voltadas ao jornal impresso e à versão online, que passou a se chamar Folha.com.

O objetivo de unir sob o mesmo comando editorial as duas plataformas noticiosas é ampliar as possibilidades de acesso do leitor a informações.

Ao preservar a identidade de cada meio, a integração permite que o leitor escolha entre o papel e a tela, de acordo com sua conveniência.

A sintonia entre os dois meios mostra que, ao contrário do que ocorre com alguma frequência no universo da internet, a agilidade do noticiário on-line não é incompatível com a preservação dos padrões de qualidade editorial, típica do veículo impresso.

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