BuscaPé compra empresa de tecnologia para internet Navegg

Site adquire 70% da empresa, que é dedicada à análise de conteúdo digital para tornar a publicidade na internet mais eficiente

O BuscaPé, maior site de comparação de preços da América Latina, anuncia nesta terça-feira a aquisição de 70% da Navegg. A Navegg é uma empresa dedicada à otimização de resultados na internet a partir da análise de históricos de navegação de internautas. O valor da transação não foi divulgado.

“O modelo de negócios da Navegg encaixa-se perfeitamente na postura inovadora do BuscaPé de sempre buscar soluções capazes de tornar nossa plataforma de e-commerce cada vez mais poderosa para nossos clientes”, diz Pedro Guasti, vice-presidente de Inteligência Empresarial do BuscaPé.

Pedro Cruz e Luciano Juvinski, fundadores da Navegg: "Ganhamos não só um parceiro, mas novos clientes, que são as empresas do 'ecossistema BuscaPé'."

Segundo o BuscaPé, a compra faz parte da contínua estratégia da empresa de crescer no mercado de comércio online na América Latina por meio da incorporação de empresas que possam ser complementares às suas atividades.

A aposta do BuscaPé é que a Navegg possa elevar suas vendas à anunciantes, uma vez que a empresa possui uma ferramenta que permite tornar as campanhas publicitárias mais eficientes.

A partir do mapeamento do histórico de navegação dos internautas, a empresa consegue customizar as propagandas de acordo com o perfil demográfico, os interesses e as intenções de compra do usuário de internet. Seus principais clientes são portais, redes de publicidade e sites de comércio online.

Fundada em 2009 no Paraná pelo adminsitrador de empresas Pedro Cruz e pelo engenheiro de computação Luciano Juvinski, a Navegg já fornece sua tecnologia a mais de cinco mil sites. Todos os meses, analisa 40 milhões de perfis demográficos.

Impulso

Para os fundadores da Navegg, o negócio com o BuscaPé dará um impulso à empresa. “Avaliamos que fazer parte de uma empresa como o BuscaPé, o maior player da Internet na América Latina, é o ideal para consolidar nosso crescimento. Estamos muito felizes”, diz Cruz.

O maior ganho, segundo ele, são as oportunidades que surgem a partir do acordo com o BuscaPé. "Ganhamos um cliente novo, que é o próprio BuscaPé, além de todas as empresas do ecossistema BuscaPé, desde agregadores de compra coletiva, até empresas afiliadas."

"Além disso, temos uma porta aberta para trabalhar com empresas associadas à Naspers [o fundo sul-africano que adquiriu 91% do BuscaPé em 2009]," acrescenta Cruz.

Segundo Cruz, a Navegg continuará com sua base em Curitiba, no Paraná, e terá um representante do BuscaPé em seu conselho. "Será uma pessoa que irá colaborar diariamente na parte administrativa, jurídica e contábil".

Em 2009, quando tinha pouco mais de um ano, a Navegg foi finalista do Desafio Brasil, competição de empresas iniciantes organizada pela Fundação Getúlio Vargas e, em seguida, recebeu aporte de um fundo da Astella Investimentos, que alavancou a empresa, na ocasião em estágio inicial.

BuscaPé

Já o Buscapé foi criado por quatro jovens em 1999 como um site de comparação de preços. Seus criadores ficaram milionários em 2009, quando venderam uma participação de 91% ao fundo sul-africano Naspers por US$ 342 milhões (R$ 570 milhões). Desde então, o BuscaPé vem adquirindo diversas companhias de internet, como Bondfaro, QueBarato!, Pagamento Digital, e-bit e Save-me.

 

Ex-sócio do BuscaPé viajou o mundo e montou duas novas empresas

Mario Letelier criou a companhia em 1999, aos 23 anos, junto com outros três amigos, mas vendeu sua participação em 2009

Antes de completar 30 anos, o administrador de empresas Mario Letelier conquistou o sucesso profissional. Junto com outros três amigos, ele criou o BuscaPé em 1999. De lá para cá, viu a empresa crescer, atrair investidores e se internacionalizar. Enquanto seus ex-sócios permanecem na diretoria da companhia até hoje, Letelier partiu para outros desafios. Ele se afastou da gestão do BuscaPé em 2006 e se desfez das ações da companhia em 2009, quando o fundo sul-africano Naspers comprou 91% da empresa por US$ 342 milhões.

“Eu percebi que já tinha conquistado várias metas profissionais, como montar uma empresa do zero e fazer dela líder de mercado. Mas, pessoalmente, eu queria mais”, afirmou Letelier.

Em agosto de 2006, ele pediu afastamento do BuscaPé para se dedicar a um projeto pessoal: dar uma volta ao mundo. Letelier colocou uma mochila nas costas e percorreu mais de 50 países até 2008, uma experiência que classificou como “enriquecedora”. “Sempre li muito sobre outras culturas. Antes, a minha visão sobre o mundo era teórica. Agora, é prática”, diz o empresário, hoje com 34 anos.

Mario Letelier, em viagem ao Lago Karakul, na fronteira da China com Afeganistão e Paquistão

Quando chegou à China, Letelier resolveu ficar. A força da economia do país fez com que ele sentisse novamente o desejo de empreender. O empresário aproveitou o espírito esportivo por qual passava a China em 2008, quando sediou a Olimpíada de Pequim, e abriu sua segunda empresa, na área de marketing esportivo. Batizada como Infinito Esportes, na tradução para o português, a empresa tem parcerias com o governo chinês para a promoção de eventos esportivos.

Da China, Letelier abriu sua terceira empresa, sediada no Brasil. Trata-se de uma companhia de tratamento de resíduos, criada há cerca de um ano, em sociedade com outros dois amigos que conheceu na faculdade, a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Letelier reconhece que dificilmente criará outro gigante como o BuscaPé, mas diz que continua em busca de novos empreendimentos. “Foi uma das melhores realizações da minha vida, mas a empresa ficou maior do que eu”, diz.

Enquanto viajava, Letelier ainda era dono de parte do BuscaPé. Ele saiu da sociedade no ano passado, quando a Naspers comprou 91% das ações. O ex-acionista não revela por quanto vendeu sua participação. Letelier ressalta que não criou o BuscaPé e nenhuma das suas duas novas empresas para revendê-las, mas, no caso do BuscaPé, viu uma oportunidade de negócios.

Carreira no BuscaPé

Letelier foi o último a entrar na sociedade. Administrador de empresas, ele se associou aos três engenheiros Romero Rodrigues, Ronaldo Morita e Rodrigo Borges para transformar o projeto de um site de comparação de preços em uma empresa.

Até 2001, ele se dedicou ao processo de captação de recursos e de reestruturação da companhia para sobreviver à bolha da internet, que estourou no início dos anos 2000. Depois, assumiu a missão de implementar o modelo de pagamento por clique e convencer os varejistas a pagar para ter seus anúncios divulgados no BuscaPé.

Por fim, iniciou a estratégia de internacionalização do site. Sua última função na empresa reacendeu o desejo de conhecer o mundo, que o motivou a deixar a companhia para se dedicar a novos projetos.

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