Carreira de gestor de crises ganha espaço com desastres

Demanda por esse profissional deverá aumentar no futuro, prevê professor

As tragédias causadas por guerras ou conflitos sociais, como os que estão acontecendo no Egito, ou pelo clima, como tsunamis, terremotos e furacões, mostram um cenário cada vez mais promissor para novas profissões, como as de especialistas em desastres e epidemias, e gestores de crises e emergências.

No início de 2011, o caos provocado pelas chuvas no Rio de Janeiro poderia ter sido amenizado se houvesse uma atuação mais efetiva dos governantes e um sistema de alerta eficiente. É o que diz o analista Alexandre Guindani, da empresa especializada em gestão de crises GCN Brasil.

“As pessoas sabiam das condições precárias dos locais onde construíram suas casas, já havia um histórico de ocorrências semelhantes e mesmo assim elas continuaram lá”, afirma Guindani. “No Brasil, não se acredita nem mesmo em alarme de incêndio. Há casos de empresas que desligam o aparelho por que ele faz muito barulho.”

Pesquisa

De acordo com uma pesquisa da consultoria inglesa Fast Future, publicada no ano passado, carreiras ligadas a desastres como “guardador de quarentena” serão cada vez mais comuns. Outro estudo, conduzido pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Brandão também prevê boas perspectivas para profissões ligadas à crises.

“A ocorrência mais frequente de desastres naturais fará com que este assunto seja mais discutido e mostrará a carência existente no país de profissionais preparados para lidar com este tipo de evento”, avalia Guindani.

Formação

O consultor aponta que a grande maioria dos profissionais que atua nas áreas de gestão de continuidade dos negócios e gestão de crises tem formação médica ou tecnológica. “Como em nosso país não existe curso de formação específico, como há nos Estados Unidos, o melhor caminho para quem quer se desenvolver na carreira são os cursos e as certificações internacionais”, indica.

Segundo Guindani, existem poucos bons cursos disponíveis no Brasil: o realizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o do DRII, e o da SUNGARD/STROHL, as duas últimas instituições internacionais sobre continuidade de negócios.

O engenheiro Luciano Martins Gehrke, especialista na área médico-hospitalar e autor de um site sobre gerenciamento de crise, comenta que não só a saúde pública deve ficar em alerta por causa de eventos catastróficos. Hospitais, hotéis e grandes corporações também devem estar preparados para agir rapidamente em casos, por exemplo, de um surto de gripe letal, acidentes aéreos e até atentados.

“O comitê de crise organiza ações, procedimentos e documentos para que as coisas andem mais facilmente. Esse especialista ou gestor de crise teria as funções básicas de olhar para a área de apoio e prepará-la para momentos difíceis, além de manter todos em alerta e prontos para aquilo que nunca aconteceu antes”, explica Gehrke.

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