Comprar imóvel, casar e se aposentar

Público que mais cresceu na Bovespa em 2010, investidores entre 18 e 25 anos apostam em ações com objetivos de médio e longo prazo

Em 2010, o público que mais cresceu na Bolsa de Valores de São Paulo foi o de jovens entre 18 e 25 anos. Enquanto o número total de pessoas registradas no mercado de ações brasileiro subiu 10%, o público jovem saltou 20%, passando a 36,7 mil, segundo dados da BM&FBovespa. Mas quais são as metas desses jovens investidores? Engana-se quem pensa que eles estão interessados apenas em ganhos fáceis e de curto prazo. Comprar uma empresa, garantir a casa própria ou assegurar uma aposentadoria mais tranqüila estão entre os objetivos de quem aposta parte da mesada ou do salário do primeiro emprego na Bolsa de Valores.

“É claro que atendemos o perfil interessado apenas em ganhos imediatos e de curto prazo. No entanto, percebemos que há muitos jovens poupando e investindo com um horizonte de médio e longo prazo, que inclui desde planos de casamento a cálculos para uma aposentadoria precoce, afirma Amerson Magalhães, diretor da Easynvest, home broker que tem um programa exclusivo para o público entre 18 e 23 anos

Alexandre Lourenço, 21, investe pelo home broker há 5 anos e quer comprar uma empresa no futuro

O estudante Alexandre Vieira Lourenço, de 21 anos, que cursa contabilidade está entre os que se preocupam em garantir o futuro. Quando tinha apenas 16 anos, ele fez sua primeira aplicação em ações, aportando R$ 1 mil no home broker de uma corretora de valores. Até hoje, apesar das tentações comuns à idade, resistiu e não fez nenhum saque. “Minha ideia é usar o dinheiro que venho acumulando em um investimento maior, como a compra de uma empresa, daqui a alguns anos”, afirma.

Apesar de os jovens serem imediatistas por natureza, o controle para deixar o capital render durante um período de tempo mais longo, como faz Alexandre, não é tão incomum como se pensa, diz Tércia Rocha, consultora da BM&FBovespa. Ela acredita que esse público é bem informado e acaba aprendendo, rapidamente, o que é melhor. “Para muitos deles, tudo é para hoje. Então começam a investir com essa ideia. Mas conforme eles vão aprendendo sobre o mercado, muitos vêem que as estratégias de curto prazo nem sempre são as melhores”.

Aposentadoria tranquila

Robson Queiroz, diretor operacional da corretora SLW, concorda. “Muitos chegam aqui com uma tendência mais agressiva, mas logo mudam de ideia.” Segundo ele, em palestras e cursos que a corretora oferece para jovens, os analistas tentam estimular uma cultura de longo prazo. Mostramos exemplos de momentos de crise, como a de 2008 e a de 11 de setembro de 2001, e as recuperações em seguida. “É uma forma de eles perceberem que, com mais tempo, é possível recuperar eventuais perdas e ganhar ainda mais.”

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Jéssica Benetti de Oliveira, de 25 anos, por exemplo, pensa em poupar os rendimentos obtidos em bolsa para garantir uma velhice tranqüila. Ela conta que, desde 2005, quando começou a investir em ações, fez poucos resgates, de quantias pequenas. “Fiz uma planilha e acompanho os movimentos das minhas aplicações, mas só vou usufruir do capital na hora de aposentar”, afirma.

Maior disposição para assumir riscos

A melhora do emprego no País e a entrada dos jovens no mercado de trabalho em um momento de juros não tão altos também contribuíram para que mais jovens entrassem na Bolsa nos últimos anos. Nas gerações anteriores, o cenário era mais difícil, pois os profissionais em início de carreira preocupavam-se mais com a desvalorização da moeda que com a construção de um patrimônio no longo prazo. O fato de a geração abaixo dos 25 anos não ter convivido com a hiperinflação explicaria, segundo Magalhães, sua disposição para tomar mais riscos em busca de rendimentos mais expressivos.

“Guardar o dinheiro na poupança ou em aplicações mais conservadoras não compensa”, afirma Letticia Paula Diez Rey, 22 anos. Estudante do curso de arquitetura da USP, Letticia começou a investir no mercado financeiro no segundo semestre do ano passado. O primeiro objetivo, conta, era aprender mais sobre os investimentos em ação. “Mas, à medida que conhecer mais o mercado e me sentir mais segura, minha meta é juntar dinheiro para comprar um imóvel”, afirma.

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