Demanda por profissionais de agronegócio aumenta e se diversifica

Setor exige competências em gestão, administração e mercado

O agronegócio brasileiro é responsável por cerca de um terço de tudo que é produzido no País. Maria Flávia Tavares, coordenadora do núcleo de estudos de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio Grande do Sul (ESPM-RS), analisa que este é um setor que vem crescendo a cada ano, mas para o qual ainda faltam profissionais qualificados. “Hoje em dia, além dos conhecimentos em agronegócio, é preciso ter noção de mercado, gestão e comercialização.”

O crescimento das empresas do setor faz com que a demanda de profissionais seja cada vez mais diversificada, indo muito além das carreiras tradicionais, como agronomia ou veterinária. A formação dos profissionais envolve economia,  finanças, administração, contabilidade, pesquisa operacional e aplicações de práticas modernas de gerenciamento e controle do agronegócio.

Entretanto, segundo Maria Flávia, faltam cursos atualizados que ofereçam matérias de gestão específicas para o agronegócio e que formem profissionais mais “completos”. Apesar disso, as faculdades estão começando a oferecer cursos que a preencham, como é o caso da ESPM.

Oportunidades

O profissional de agronegócio, hoje, não precisa necessariamente atuar no campo. “Muitas vezes, a pessoa acaba indo trabalhar em outras áreas que necessitam do conhecimento em agronegócio”, destaca Maria Flávia. “Áreas de comunicação, marketing, jornalistas, assessores de imprensas e bancos também estão demandando profissionais desse segmento.”

Luis Carlos Veguin, diretor de Recursos Humanos da Cosan, empresa de açúcar e álcool, afirma que as oportunidades no mercado do agronegócio estão aumentando a cada ano com o crescimento do setor e a automatização dos processos. O setor de produção de cana de açúcar, por exemplo, está passando por um processo de mecanização da colheita, criando novas vagas no processo de automatização.

Carreiras como Logística, Engenharia Química, Elétrica, Mecatrônica, Instrumentação e Engenharia de Alimentos estão sendo muito demandas pelo segmento do agronegócio. “Antes não havia máquinas, o agrônomo fazia tudo. Hoje em dia, é tudo automatizado. É necessário que os profissionais tenham um conhecimento maior, dominem uma outra língua e tenham uma especialização”, aponta Veguin.
Veguin destaca que, apesar de as oportunidades de emprego estarem aumentando, este é um setor sazonal. “Na entressafra da cana de açúcar, é normal que o número de pessoas empregadas caia. Há um aumento a partir de março e, em novembro, diminui de novo.”

Perspectivas do setor

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o agronegócio é responsável por 35% dos empregos do País, o que representa em torno de 12% da população economicamente ativa (PEA). O profissional desta área é capacitado para atuar em toda cadeia agroindustrial: mercado de insumos, produção, processamento e consumidor final.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em 2009, a agropecuária apresentou uma queda de 0,99% nos postos de trabalho em relação ao ano anterior. O motivo dessa redução no setor é a influência sazonal da entressafra. Em 2010, houve um saldo negativo de 2.580 empregos com carteira assinada no setor. Para este ano, a expectativa é que o número de empregos aumente devido à melhora das condições gerais do negócio, do câmbio e dos preços das commodities.

Para 2011, a CNA estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresça de 3,5% a 4%, perdendo força em relação ao PIB do setor em 2010, com projeção de 7%. Em 2009, a agropecuária brasileira encerrou o ano com produção equivalente a R$ 718 bilhões, queda de R$ 46,6 bilhões em relação à renda obtida em 2008. Com isso, houve uma queda de 6% na participação do setor na formação do PIB brasileiro.

O relatório das exportações do agronegócio em 2010, realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostra que os únicos produtos com atratividade em expansão no comparativo com 2009 foram: açúcar (13,36%), papel e celulose (10,43%), álcool (7,74%), carne suína (4,71%), carne bovina (2,66%) e café (1,85%). Todos os demais tiveram perda de atratividade, com destaque para farelo de soja (-37,46%), soja em grãos (-18,59%) e madeira e mobiliário (-12,71%) . As frutas, óelo de soja, suco de laranja e a carne de frango apresentaram retração entre 6% e 10%.

Dos produtos exportados, os do complexo sucroalcooleiro, do complexo soja e as carnes aparecem na dianteira em termos de receita. Em 2010, o açúcar foi o produto de maior destaque, com crescimento de quase 17% do volume e de 36% dos preços em dólar em comparação com as médias de 2009.

Na avaliação dos pesquisadores, desde o início de 2010 o agronegócio nacional parece ter superado a crise, apesar da forte valorização cambial que tem prejudicado o faturamento em reais do setor. Para o início do ano de 2011, espera-se uma pequena redução nas quantidades exportadas, já que os principais produtos exportados encontram-se em fase de entressafra.

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