Empreendedor Rural transforma produtores em empresários

Programa começou no Paraná, e hoje funciona em quase todo o Brasil.
O curso é feito em três etapas com duração de um ano.

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Muitos agricultores estão cheios de projetos, mas não sabem transformá-los em realidade. Pra ajudar quem está nessa situação, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural criou o programa Empreendedor Rural.

A cidade de Bandeirantes, no norte do Paraná, tem 30 mil habitantes e é famosa por sua universidade, que abriga uma das mais tradicionais faculdades de agronomia do estado.

Toda quinta-feira, no fim da tarde, a pracinha do centro da cidade ganha um movimento diferente. Enquanto o sol vai baixando, barracas vão subindo e tomam conta da rua. Em pouco tempo, surge a Feira da Lua, repleta de comida gostosa, bebida, peças de decoração.

Além de mão boa para a comida e para o artesanato, as feirantes têm mais uma coisa em comum: são todos agricultores que fazem parte de um projeto do Senar, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que já ajudou milhares de pequenos produtores do Paraná a se transformarem em empresários, o programa Empreendedor Rural.

O Empreendedor Rural é um curso feito em três etapas, com duração de um ano. Ele começou no Paraná em 2003 e já formou mais de 14 mil agricultores. Os participantes que se reúnem uma vez por semana, como uma turma de Ortigueira, outra cidade do norte do estado.

Quem faz o curso geralmente já tem uma idéia na cabeça, mas não sabe como colocá-la em prática: “Eu quero aprender mais, para organizar o trabalho e diversificar a produção”, afirma Alexandre da Silva, criador de abelhas.

Assim como o Alexandre, muitos produtores de Ortigueira lidam com abelha. Todo mundo quer melhorar o negócio e conquistar novos mercados. O Empreendedor Rural ajuda o agricultor a transformar essas idéias em projetos, de um jeito bem profissional.

“Uma nova ideia surge a partir de um diagnóstico que o agricultor faz na propriedade dele. É muito melhor ele perder tempo e lápis do que gastar seu dinheiro e não ter o recurso retornando para o bolso”, explica como explica o agrônomo Élcio Chagas, gerente técnico do Senar, no Paraná.

Ao longo do curso, com a ajuda dos instrutores, cada um vai descobrindo o que sabe fazer melhor, o que é mais fácil vender na sua região, onde está e quanto custa a tecnologia necessária pra se começar um novo negócio ou melhorar a atividade que o agricultor já desenvolve.

Tudo isso tem que ser colocado no papel na forma de um projeto. Foi assim que surgiu a idéia da Feira da Lua, de Bandeirantes. O grupo fez o curso em 2007 e já no ano seguinte, a idéia virou realidade, como conta Adriane Lima, uma das fundadoras da feira.

“Comecei a verificar que as feiras das cidades vizinhas faziam sucesso com a população de Bandeirante, todos iam visitar. Aí comecei a ter a ideia de montar a Feira da Lua, que se transformou em um ponto de encontro e de lazer”, diz.

Ruth Shinozaki é outra fundadora da Feira da Lua. Junto com o marido, Jorge, e com o cunhado, o Hélio, ela toca a propriedade da família. Aprendeu na prática, como uma boa idéia pode mudar a vida de todos.

Jorge é agrônomo. Durante anos só trabalhou com café, até que a crise no setor fez com que com ele fosse procurar uma vida melhor na terra de seus antepassados: o Japão. O casal viveu por lá durante 13 anos, fez um pé-de-meia e na volta decidiu vender parte da propriedade, e aplicar o dinheiro na diversificação.

Hoje, além do café, eles trabalham com frango de corte e com a produção de verduras em estufa. Ruth só deixa o trabalho na roça no dia da feira, quando vai pra cozinha, preparar os ingredientes usados na barraca de comida japonesa.

O pessoal da feira trabalha em grupo, mas muita gente que fez o empreendedor rural decidiu investir num negócio individual.

Mesmo quem não tem terra nem recurso é capaz de desenvolver um empreendimento agrícola de sucesso. Júlio César Farias, filho de um pequeno agricultor, nasceu e cresceu na zona rural de Nova Fátima. Como a renda da família era pouca, ele sempre trabalhou para os outros.

Em 1998 ele se formou técnico em agropecuária e começou a realizar seu grande sonho. “Eu sempre tive vontade de desenvolver um negócio pra mim, porque eu sempre pensei que se eu fosse um funcionário, eu seria eternamente um funcionário”, conta Júlio César Farias, agricultor.

Em 2003, Júlio fez o curso do Empreendedor Rural. “A coisa mais importante que eu vi lá foi o estudo de mercado. Produzir é fácil, o difícil é comercializar”, diz.
Foi assim que surgiu a idéia de montar um viveiro para a produção de mudas. Júlio não tinha recurso, nem terra. Mas conseguiu arrendar área de um amigo e começou a produzir. Primeiro mudas de café e eucalipto, perto de 60 mil unidades por ano.

Mas com o conhecimento aprendido na escola agrícola e um bom projeto, o negócio cresceu e muito. “Em torno de 60 mil mudas para um milhão, um milhão e duzentas. Nós produzimos 13 variedades de café, quatro de eucalipto, 40 espécies de árvores nativas, 25 espécies de mata ciliar e produz quatro tipos de palmeiras, plantas ornamentais, frutíferas silvestres e outras exóticas”, revela.

Hoje, Júlio é dono do sítio onde fica o viveiro. São oito hectares de terra. Ele tem dez funcionários e desenvolveu um jeito de trabalhar com venda garantida. “Noventa por cento do que é produzido é vendido através de contrato, venda antecipada, encomenda”, explica.

O Empreendedor Rural, que começou no Paraná, hoje funciona em quase todo o Brasil. É uma ferramenta que pode ajudar muitos agricultores a construírem histórias de vida com final feliz.

Para mais informações sobre o programa Empreendedor Rural, procure o Senar ou o sindicato rural da sua cidade.

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