A hora de marcar o médico

A visita ao consultório é o que garante o ditado “melhor prevenir do que remediar”. Listamos a importância de 6 especialistas

Crianças vão ao pediatra, mulheres ao ginecologista e homens ao urologista (pelo menos deveriam). Além destas especialidades, a medicina coleciona uma série de outros títulos. A orientação antes de procurar as áreas mais específicas é sempre passar por um médico de base (clínico geral, por exemplo) para que o encaminhamento seja mais preciso.

Listamos os principais sintomas tratados por seis especialistas e a importância de recorrer aos doutores. O hábito de visitar os consultórios é o que garante o diagnóstico precoce e a máxima “melhor prevenir do que remediar”.

Neurologista

Dor de cabeça não pode ser negligenciada

Dores de cabeça constantes e problemas com o sono são apenas dois sintomas tratados e desvendados pelos neurologistas. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) “93% da população em geral já tiveram dor de cabeça em alguma época da vida. Deste total, 31% precisariam de tratamento médico adequado em razão da incapacidade funcional que as crises causam”. A entidade acrescenta que a visão do especialista é importante pois existem mais de 300 tipos de dor de cabeça, provocadas por motivos diferentes e que exigem tratamentos distintos.

Sobre o sono, a entidade diz que além da insônia e da apneia, o ronco também é fator que atrapalha a qualidade do descanso, essencial para fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças. A estimativa da Universidade Federal de São Paulo é que 33% da população tenham distúrbios do sono, sendo necessário procurar o especialista.

 

Oftalmologista

Desde criança, a visita ao oftalmologista precisa ser rotina (pelo menos a cada três anos, caso a pessoa não use óculos ou lentes de contato). Os problemas oftalmológicos podem ser provocados por fatores genéticos, hábitos de vida e pelo uso constante do computador e do aparelho de televisão.

Com o passar dos anos, o envelhecimento aproxima duas doenças oculares perigosas, o glaucoma e a catarata. Por isso, após os 60, é indicado encurtar os tempos entre as consultas e o ideal é fazer as visitas uma vez por ano, sem esquecer de medir a pressão dos olhos.

Alguns sinais podem indicar problemas oftalmológicos, como dores de cabeça, tontura, enjoos. Além das lentes de grau, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia orienta que os óculos de sol precisam ter proteção contra os raios ultravioletas. Até mesmo a cor das lentes influencia na proteção.

 

Dentista

Visita ao dentista precisa ser repetida a cada seis meses

Para uma saúde bucal impecável, é visitar o especialista a cada seis meses. Não espere sintomas como dores ou mau-hálito aparecerem. As doenças da boca estão ligadas aos problemas cardíacos, à obesidade e também podem revelar outros problemas como transtorno alimentar. Até o ronco pode indicar problema dentário.
Mesmo as crianças com dentição de leite não devem negligenciar a visita ao dentista, já que problemas nos dentes provisórios podem afetar toda a arcada exigindo intervenções futuras.

Cardiologista

Se você nunca foi ao cardiologista, provavelmente também não conhece informações numéricas essenciais que indicam boa saúde. Os números da pressão arterial (o ideal é 12 por 8) e também do Índice de Massa Corpórea (IMC) são imprescindíveis para direcionar mudanças de hábitos alimentares e de atividades físicas.

Por isso, caso essas aferições sejam um mistério, o ideal é procurar um médico de base e identificar se há a necessidade de uma visita ao especialista em coração. As mulheres que já estão na menopausa
acabam menos protegidas por causa das alterações hormonais e mais suscetíveis aos problemas cardíacos. Os homens, a partir dos 45 anos, já devem procurar este especialista para verificar se não há nenhum problema.

É importante ficar em alerta, porque os sinais do infarto, por exemplo, são múltiplos e quando afeta o sexo feminino as mortes são duas vezes mais frequentes. A vida moderna também acrescentou mais fatores influentes nas panes cardíacas e aspectos psicológicos também compõe o infarto do novo século.

Para evitar as mortes por problemas no coração, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) elaborou uma cartilha que garante a prevenção do músculo mais importante do organismo 24 horas por dia.


Gastroenterologista

O amendoim pesou no estômago. O camarão, a carne, o café, a maçã, o leite, a água também. Quando a lista de alimentos que agridem o estômago começa a ficar extensa demais, talvez o problema não esteja na comida e, sim, no seu organismo.

Azia, queimação, dores recorrentes são indícios de que a visita ao gastroenterologista é uma necessidade. Outro sintoma que também mostra a necessidade de procurar este especialista é a prisão de ventre severa. O refluxo gástrico também é tratado por este especialista, que normalmente ajuda o paciente a elaborar um cardápio que não seja tão agressivo para o estômago.

Endocrinologista

Obesos devem procurar um endocrinologista

A epidemia de obesidade que afeta o mundo também fez aumentar o trabalho dos endocrinologistas. Estes especialistas identificam as razões para a chamada síndrome metabólica que, além do excesso de peso, também é caracterizada pelo diabetes e em alguns casos o ovário policístico.

Apesar do foco maior ser os pacientes obesos, os endocrinologistas também tratam outros problemas de saúde que podem não ser caracterizados pelo peso em excesso. A sensação de cansaço ou menstruação desregulada podem ser sinais de alterações na tireóide, parte do corpo também cuidada por esta especialidade médica.

O jogador de futebol recém aposentado, Ronaldo Fenômeno, recentemente declarou ser paciente de hipotireoidismo, doença que também pode resultar em ganho de quilos, e tratada por este tipo de especialista.

 

Um exercício para cada tipo de dor de cabeça

Especialistas recomendam atividades diferentes para aliviar sintomas sem uso de remédio

Na receita de Silvana Mei, 22 anos, não constam medicamentos como aqueles que se pode comprar na farmácia. A recomendação médica para acabar com a enxaqueca que a atacava duas vezes por semana foi uma só: exercícios físicos.

Antes de correr para a farmácia, a solução para a dor de cabeça pode estar na academia

Assim como ela, mais de 72 milhões de brasileiros sofrem com dores de cabeça todo ano, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Engana-se quem ainda acha que o alívio pode estar nas prateleiras das farmácias. Quando aquela enxaqueca dá sinais de que está chegando, o melhor é correr para a academia.

“No momento do exercício, há a produção de endorfina e serotonina, este último o neurotransmissor do bem-estar. Ele age como uma morfina natural do organismo”, explica a neurologista Carla Jevoux, da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).

Para que ele seja um "santo remédio”, no entanto, a prática precisa ser regular, ou seja, realizada no mínimo três vezes por semana. “A produção constante desses hormônios é capaz de proteger o cérebro da dor, aumentando o limiar de resistência a ela”, afirma.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina conseguiu expressar os benefícios da atividade física em números. O estudo, que ouviu mais de quatro mil pessoas em todo o país, revelou que um sedentário tem 43% mais dor de cabeça do que alguém que faz exercícios.

Antes de escolher qual atividade física praticar é preciso identificar qual o tipo da sua dor de cabeça.

Tensional

Em muitos casos, o exercício substitui a medicação e a visita esporádica à farmácia é transformada em ida frequente à ginástica. As cefaleias do tipo tensional (como o próprio nome já diz, provocadas por estresse, tensão) são as que apresentam mais melhora com o exercício.

“Em casos de estresse, o ideal são atividades que mudem o foco do pensamento e promovam relaxamento como ioga, alongamento e pilates”, recomenda Rodrigues. Aulas de dança de salão, sapateado, ou balé, por exemplo, também podem entrar na lista.

Saber o que está causando o problema é realmente o ponto chave para que o tratamento seja eficaz. Dores causadas por mudanças bruscas na dieta, por exemplo, pedem outro tipo de interferência. Para estes casos, musculação de alta intensidade com uma hora de duração é o mais indicado.

TPM

Não bastasse a irritabilidade, a sensibilidade exacerbada e a cólica, a tensão pré-menstrual também vem acompanhada da dor de cabeça, mais parecida com a tensional, mas que varia com a oscilação hormonal. Para esses dias, o professor de educação física recomenda exercícios aeróbicos progressivos.

“É melhor evitar o exercício muito intenso sem aquecimento adequado. É preciso ir devagar, aos poucos, ou a dor pode piorar e começar a latejar”, conta. Segundo pesquisa da SBC, 60% das mulheres sofrem de cefaleia durante o período menstrual.

“É um hábito que costuma ser eficiente, já que ajuda na produção de substâncias que não deixam a dor aparecer”, expõe a neurologista.

Enxaqueca

Para manter a enxaqueca longe de você, há duas opções: musculação pesada ou exercícios aeróbios. O importante é que seja vigoroso. “Tem que ficar ao menos ofegante. Um treino bom para isso, por exemplo, pode ser uma caminhada mais forte como andar quatro minutos e correr um. Isso melhora o fluxo sanguíneo e atenua a dor de cabeça”, diz Rodrigues.

Além disso, você pode optar por aulas de spinning, jump (em cima de pequenas camas elásticas) ou boxe, que são intensas. “É possível reduzir a freqüência das crises e a dor passa a ser mais moderada”, diz Carla.

No entanto, se a sua enxaqueca já se instalou, preste atenção na intensidade da dor. Se estiver insuportável, evite o exercício, procure um quarto escuro e relaxe. Mas, se a dor ainda estiver chegando, vale a pena tentar atividades relaxantes como ioga ou alongamento.

Sem receita

Para este remédio, não há contraindicação, mas alguns casos exigem atenção. Quem tem hipertensão, diabetes, outras doenças crônicas ou problemas na coluna deve tomar cuidado. “É preciso ficar atento para a dor gerada pelo exercício. Por isso, é importante uma avaliação prévia. Pode haver compressão de vértebra, por exemplo, que faz pressão no nervo, causando dor”.

A neurologista alerta também para o caso da cefaleia do esforço físico, que aparece depois de uma atividade extenuante. “Em geral, ela aparece se a pessoa está em um lugar de calor, no sol ou em altitudes elevadas. Tem características pulsáteis, mas, diferente da enxaqueca, atinge os dois lados da cabeça. Pode durar cinco minutos ou até dois dias. O importante, nesses casos, é procurar um médico para que ele afaste outro qualquer problema”.

 

Como escolher seu médico

Amigos, familiares e até um profissional de confiança são seus melhores aliados nessa hora

 

Livro do plano de saúde na mão, a administradora Flávia Laís, 33 anos, começava sua busca por um neurologista para tratar de uma dor de cabeça que a acompanha há 10 anos. Sem saber quais características pesar, selecionou consultórios próximos de sua casa ou de seu escritório. Dessa seleção, pesquisou nome por nome na internet para ver quais referências encontraria.

“Aqueles que eram mencionados em reportagens na internet, ou cujo currículo consegui encontrar na web ganharam pontos. Os que não tinham nada disso, tirei da lista”, conta.

Entre as três opções que sobraram, a opção foi feita novamente por proximidade e facilidade de acesso. Depois de tanto esforço e de mais de dois meses de espera por uma consulta, o resultado foi decepcionante.

“Cheguei ao consultório, o médico atrasou uma hora e meia, me atendeu com pressa, pediu uma série de exames e me mandou embora. Quinze minutos depois eu saía do consultório. E quando quis marcar retorno, não havia data na agenda do médico para os próximos dois meses. Achei péssimo”, reclama.

Escolher o profissional que vai cuidar da sua saúde pelo CEP parece ser uma atitude comum entre os pacientes, mas é veementemente desaconselhada pelos médicos. “Tem quem procure pelo bairro, para ver se o profissional está em um endereço famoso, achando que assim encontrará alguém mais capacitado”, afirma Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

Como a procura não é simples e o número de profissionais é extenso (a proporção é de um médico para cada 578 brasileiros) o conselho é buscar referências em pessoas de confiança. “Familiares e amigos podem indicar um profissional de alto nível, qualidade moral e técnica e que eles já conheçam”, diz Jecé Brandão, gastroenterologista e representante do Conselho Federal de Medicina na Bahia.

Para Lopes, o ideal é que o especialista seja indicado por um clínico geral que já tenha a visão completa do paciente. “Ele tem condições de recomendar um profissional de forma mais adequada, já que conhece não só a saúde, mas o jeito do paciente. Não existem doenças, mas sim doentes diferentes”, completa.

Vale também pedir indicação para outro médico de confiança. Se você já tem um ginecologista ou clínico que conhece há tempos, peça para ele te ajudar nessa escolha indicando profissionais.

Currículo
Segundo Jecé Brandão, checar o currículo do profissional é válido, mas atenderá parcialmente ao objetivo, já que desta forma é possível avaliar somente se ele é ou não um especialista, mas não como será seu atendimento. No entanto, ele aconselha a consulta à lista do conselho federal ou regional de medicina e a alguma associação de classe para confirmar se o profissional faz parte de alguma delas. “É uma segurança”, reforça.

Antonio Lopes faz uma ressalva nesse ponto: o currículo disponível na plataforma Lattes não espelha a competência do médico. “Um paciente disse ter ficado impressionado com as minhas pesquisas e que o meu currículo foi o fator decisivo para ter vindo até o consultório. Eu respondi que ele devia estar enganado já que todas as minhas pesquisas eram feitas com ratos”, relata.

Um minutinho de atenção
Analisar o currículo do médico não necessariamente vai dizer o quanto ele é bom. O saber técnico é importante, mas tem o mesmo peso que as qualidades morais, analisa Jecé Brandão. “É preciso ter virtudes de compaixão, generosidade, honestidade.”

Para ele, um bom médico deve ter principalmente três qualidades: formação profissional consolidada e continuada, história de vida limpa e decente e preparo para acolher o paciente de forma generosa.

“O médico exerce o papel de cuidador, de aliviador do sofrimento. Quando está doente, a pessoa se fragiliza, fica completamente vulnerável e o médico está lá para acudir essa pessoa. Por isso, os profissionais precisam ter sensibilidade e tempo para ouvir”, diz.

A atenção dada ao paciente é um dos fatores destacados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) na busca por um médico de confiança. “É preciso que o profissional tenha desenvolvido a escuta. O paciente relata seus sofrimentos e em 70% das vezes dá para saber qual é o problema e é possível até medicar”, afirma Jecé.

Lopes reforça que o médico não pode ter pressa e tem que saber ouvir. Além disso, ele enumera outras qualidades como não se colocar em um pedestal, não ter curiosidades sobre a vida pessoal do paciente e não ser autoritário.

“Ele tem que explicar ao paciente porque vai receitar determinado remédio, porque a pessoa deve agir de uma determinada maneira e não somente mandar e achar que o paciente vai obedecer”, afirma.

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