Jornalista é demitido na Bahia após matérias sobre crimes ambientais de construtoras

Circula pela internet uma carta supostamente assinada por funcionários da redação do jornal A Tarde, da Bahia, repudiando a demissão do jornalista Aguirre Peixoto por pressão do mercado imobiliário baiano, sobretudo da capital, Salvador.

Na manhã da última terça-feira (8), Peixoto teria sido demitido a pedido de empresários do mercado imobiliário incomodados por reportagens sobre crimes ambientais cometidos por incorporadoras e construtoras em todo o estado. O motivo da demissão, no entanto, não teria sido informado ao jornalista.

Segundo apuração da reportagem do Portal IMPRENSA, o jornal A Tarde chegou a ser comercialmente boicotado pelas empresas em razão das reportagens de Peixoto. Por conta das matérias, o jornalista foi inclusive processado por uma das citadas, a Patrimonial Saraíba. 

No entanto, os sócios da construtora moveram ação contra Peixoto individualmente. Logo, o jornalista terá de responder a quatro processos caso o Tribunal de Justiça da Bahia aceite a denúncia. IMPRENSA tentou contato com o advogado dos sócios, Gamil el Hireche, e aguarda retorno. 

A matéria que culminou com a demissão do jornalista foi suíte de uma reportagem maior sobre a construção do Centro Tecnológico do Governo do Estado, na avenida Luis Viana Neto (Paralela), em Salvador, obra executada pela Patrimonial Saraíba e NM Construtora.

O texto falava de uma liminar concedida pela 10ª Vara Federal em que cassava multa aplicada ao empreendimento pelo Ibama. No dia seguinte a publicação da matéria, a Tribuna da Bahia publicou reportagem em que dizia que a liminar (decisão que pode ser revista) acabava com o processo criminal contra o empreendimento. 

Aguirre Peixoto, então, ouviu o Ministério Público Federal (MPF) e apontou que se tratava de processos distintos, sendo o da multa - cassada liminarmente e que o MPF afirmava que recorreria da decisão -; e o criminal - que continuava em tramitação normal. 

De acordo com a carta publicada em apoio ao jornalista, a exatidão e isonomia de sua reportagem são comprovadas pela nota do próprio MPF, desmentindo a matéria publicada naTribuna da Bahia

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) emitiu comunicado protestando contra a demissão do jornalista.

De acordo com o sindicato, a demissão é incompreensível, já que o jornal autorizou a publicação das reportagens. "Agora vem o golpe final, desferido justamente pelo Jornal A Tarde, a empresa a que inicialmente autorizou a publicação do material e que deveria protegê-lo de todas as formas para que não maculasse sua história quase centenária, como representante dos interesses da sociedade baiana", diz o texto.

A demissão de Peixoto, segundo a entidade, serve como prova às pressões sofridas pela redação do jornal A Tarde para adequar suas pautas aos interesses do departamento comercial."Nos últimos anos a redação de A Tarde vem sofrendo todo tipo de pressão interna, com o objetivo de adequar a reportagem a interesses comerciais e de marketing. Nada poderia estar mais distante do que fazer o bom jornalismo, onde precisamos nos colocar ao lado dos reais interesses da sociedade".

Comentários

“Novidade?”

TODOS NÓS SABEMOS QUE A IMPRENSA JORNALISTICA É BASEADA EM OPINIOES DE EMPRESARIOS E GRANDES POLITICOS,NUNCA SE FAZ UMA DENÚNCIA OU UMA GRANDE REPORTAGEM SEM QUE SE CONSULTE UM GRANDE EMPRESÁRIO PUBLICITÁRIO PARA QE ISSO NAO MANCHE A EMPRESA. ISSO JÁ É NOTORIO, SÓ NAO SABE QUEM NÃO QUER.

 

DCI teria demitido funcionários que não aceitaram atuar como Pessoa Jurídica

 

Na última sexta-feira (12), quatro funcionários do Diário Comércio Indústria e Serviços (DCI), de propriedade do ex-governador Orestes Quércia, teriam sido demitidos sob condições irregulares. 

Dispensa sem aviso-prévio; suposta pressão para abertura de empresa; e para a assinatura de um termo que livraria o DCI de eventuais processos após a demissão.

Os precedentes das dispensas foram apontados pelo Portal IMPRENSA no último mês de outubro, em reportagem que enumerava infrações trabalhistas; sucateamento das condições de trabalho; e coação para a abertura de empresa (para que atuassem como Pessoa Jurídica, sem registro em carteira). 

Segundo apuração da reportagem, os quatro demitidos, sendo três jornalistas e um funcionário do Shopping News, teriam extrapolado o prazo estipulado peloDCI para abertura de empresa. O departamento de Recursos Humanos, no entanto, teria alegado corte de despesas. 

No caso dos três repórteres, seus editores também não teriam sido avisados com antecedência. Em um deles, o próprio jornalista informou ao seu superior a razão da dispensa. Depois, no entanto, os editores foram informados pela direção do DCI sobre os desligamentos.

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