Minha amiga foi traída: conto ou não conto?

Descobrir uma traição é sempre um fardo. Lidar com a situação não é fácil para os envolvidos, nem para as testemunhas.

Mesmo quem não tem vocação para fofoqueiro e detesta se intrometer na vida dos outros pode acabar na saia-justa: acidentalmente, você descobre que sua melhor amiga está sendo traída. O que fazer? Contar para protegê-la? Arriscar-se a levar a fama de fofoqueira ou até de perder a amizade? Simplesmente não se meter na vida alheia? “Contar ou não é sempre uma decisão difícil, que acarreta consequências”, afirma o psicólogo carioca Marcelo Quirino.

A produtora Liliane Ferrari, 35 anos, prefere silenciar. Uma amiga do clube que ela frequenta está sendo traída – o parceiro dela é ex de outra amiga de Liliane, e ela sabe que acontecem “recaídas” entre os dois. De acordo com a produtora, a regra do silêncio evita confusão e pessoas mais magoadas ainda. “Eu acho que é a pior coisa apontar esse tipo de situação. Num relacionamento, tudo se dá entre duas pessoas, que podem conviver com realidades e acordos que não vêm ao caso para mais ninguém além do casal”.

Constrangimento de ver alguém querido ser enganado pode motivar revelação

Mas ficar em silêncio tem suas implicações também. “É uma questão ética, que põe em jogo valores pessoais. Quem está nesse dilema precisa avaliar que tipo de valores tem o casal. Será que eu posso me meter na vida do outro ou não?”, discute Quirino. Ele acredita que há quatro fatores a serem levados em conta: a proximidade e intimidade com o traído, a personalidade dessa pessoa – se ela é estável e suporta ouvir uma notícia como essa -, se a relação com o suposto traidor é monogâmica ou aberta, e se não é o caso de uma relação sadomasoquista, de codependência, em que é inútil interferir. “Neste caso, a pessoa sabe que é traída, mas continua o relacionamento. Contar, assim, é perda de tempo, e você corre o risco de perder a amizade”, afirma o psicólogo.

Depois de ser acusada de intrometida, a bibliotecária e arquiteta da informação Carolina Fraga, 22 anos, não interfere mais. Uma amiga dela decidiu reatar com um ex, ao mesmo tempo em que Carolina já tinha visto o rapaz acompanhado de uma loira. “Avisei-a de que ela não era a única. Ela desistiu de sair com ele”. Um dia, ele apareceu na casa da amiga acompanhada de uma loira. Nem era a moça em questão, mas foi suficiente para a amiga de Carolina se desestabilizar e armar um barraco. “Ela, sem querer assumir que teve uma reação desmedida, disse que eu deveria ter ficado na minha e nunca comentado, e que assim ela não teria reagido dessa forma. Disse que eu falava demais”. A amizade de 16 anos ficou abalada, e Carolina se prometeu nunca mais repetir a experiência.

“De modo geral, a infidelidade é considerada um assunto restrito ao casal, em que cabe a ambos a responsabilidade pela resolução da situação”, afirma a antropóloga Francisca Luciana de Aquino, mestra pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que estudou a infidelidade através dos mecanismos de fofoca. “Contar ao amigo que ele está sendo traído é se ‘intrometer’ e até mesmo se comprometer com a suposta traição”, diz a antropóloga.

Além disso, cabe ao amigo “delator” o ônus da prova. “Contar a traição ao outro pressupõe prová-la. Ao mesmo tempo, ninguém quer ser responsabilizado pelo término de um relacionamento conjugal”, constata Francisca, da UFPE.

Laços abalados
Quem conta pode acabar também na posição de traída. A webwriter Lis Comunello, 35 anos, se sentiu desamparada quando a melhor amiga preferiu acreditar no namorado em vez dela. “Eu tinha 17 anos, minha amiga 16. Nos conhecíamos há 6 anos e éramos grudadíssimas.” Ambas foram fazer o colegial numa cidade maior, e a amiga de Lis começou a namorar. A webwriter acabou descobrindo diversas “puladas de cerca” do namorado da melhor amiga, e depois de semanas de indecisão, pensando na melhor maneira de contar à amiga, tomou coragem. “À ela, ele negou e ainda disse que eu estava inventando porque estava apaixonada por ele”. Lis ficou tão magoada que se afastou. “Acreditei que ela confiaria em mim e acabei me sentindo traída”, desabafa. “Nunca mais consegui me abrir com ela, por pior que eu estivesse”.

Mais grave ainda é quando a traição envolve família. Filhos que descobrem que um dos pais trai o outro acabam carregando um peso muito grande até a situação ser resolvida, e, muitas vezes, restam sequelas, como a quebra de confiança nos relacionamentos. “Quanto menor é o filho que descobre, mais é necessário dizer ‘não é sua culpa’”, explica o psicólogo. Entre adolescentes e adultos a conversa franca é o melhor canal para resolver a situação. “É preciso falar com o pai ou mãe traidor para que ele saiba como se sente. Não é uma responsabilidade que ele deve carregar sozinho, e um pai ou mãe que não sai desse impasse deixa o filho na posição de traidor também.”

E quem prefere saber?
Embora a professora Elisa Silva, 40 anos, já tenha perdido a proximidade de uma amiga por alertá-la de que o parceiro dela era mulherengo, agradece por ter sido avisada. “Nesse caso, a traída fui eu e quem contou a safadeza do meu ex foi um amigo”, diz. Elisa vivia no Rio de Janeiro e seu namorado em São Paulo, onde ele mantinha outra namorada. A namorada e Elisa tinham um amigo em comum, que percebeu a “coincidência” e a avisou. “É lógico que terminei, que o ex negou, que quando eu fui irredutível ele correu para a outra namorada, que me encarou como se eu fosse só um ‘casinho de quase um ano’”. Elisa é feliz de ter sido alertada, mas nem toda história acaba assim, bem resolvida.

“De modo geral, o que se cala não é mal visto socialmente. Em compensação o que fala pode ser classificado de ‘fofoqueiro’ ou de ‘alguém que gosta de se intrometer na vida conjugal dos outros’”, confirma Francisca. Na dúvida, vale uma conversa de sondagem, para que o amigo não acabe ouvindo o que não quer. “É melhor se orientar pelos valores da pessoa e optar pelo que causa menos dano”, afirma Marcelo Quirino. E tendo feito a escolha de contar ou não, seguir sem culpa e torcer por um desfecho tranquilo.

 

Traição é sempre culpa do marido?

Homens e mulheres traem em proporções parecidas. Eles culpam a si mesmos, e elas os culpam também

 

Nos primeiros capítulos de “Passione”, novela da Rede Globo, a personagem Stela, de Maitê Proença, saía pelas ruas à procura de sexo sem compromisso fora do casamento. No início da história, não havia nenhuma preocupação em tentar explicar ou justificar o fato de a personagem trair o seu marido. Com o passar do tempo, no entanto, cenas em que o companheiro de Stela a ignora, passa longe da intimidade e a trata de forma grosseira ganharam espaço. A trama agora foge da hipótese de uma mulher trair simplesmente porque quer. A culpa, cedo ou tarde, será do homem.

O discurso sobre infidelidade de “Passione” reflete muito do que pensam os brasileiros. Quando a antropóloga Mirian Goldenberg entrevistou 1.279 homens e mulheres de classe média carioca para seu livro “Por que homens e mulheres traem?”, uma coisa ficou clara: quando os homens traem, eles atribuem a infidelidade à questões relacionadas à masculinidade; quando as mulheres traem, elas justificam apontando faltas do parceiro. Ou seja, independentemente de quem trai, a culpa sempre recai sobre o homem.

 

A personagem adúltera de "Passione" tem uma relação de pouca intimidade com o marido

“Uma das coisas que descobri nesses vinte anos de pesquisa é que o homem é sempre culpado. Não só porque socialmente e culturalmente ele tem uma legitimização e até incentivo da infidelidade, mas também pelo fato de as mulheres não poderem adotar o discurso da traição pelo desejo. No entanto, elas traem, e bastante, é quase empatado. Em termos de comportamento sexual – iniciação, infidelidade, número de parceiros – homens e mulheres estão muito próximos. Mas isso não se reflete no discurso, que é onde os dois se refugiam, já que a linguagem é uma forma de as pessoas se colocarem no padrão”, diz Mirian.

Para entender melhor, vale a pena ver a lista de motivos apontados pelos entrevistados. Do universo inicial da pesquisa, 60% dos homens e 47% das mulheres disseram que já foram infiéis. O ranking de razões deles começa com “crise no casamento” e “crise pessoal”. A partir daí, seguem mais 50 justificativas, quase todas classificam a traição como uma consequência da masculinidade, por exemplo: “natureza masculina”, “essência masculina”, “genética”, “machismo” e “índole”.

A lista delas é bem diferente. Nenhuma das razões apresentadas pelo público feminino coloca a mulher como causadora da infidelidade. Pelo contrário. O rol é aberto com “insatisfação com o parceiro” e “defeitos do parceiro”, e segue numa variação sobre o mesmo tema, em que chama a atenção uma impressionante sequência de 25 justificativas iniciadas por “falta”: “falta de comunicação”, “falta de romance”, “falta de tesão”, “falta de elogios” e até “falta de tudo”.

“Tem um sofrimento de inadequação dos dois lados, e às vezes o do homem é maior. Se a mulher se sente mal de um lado, de outro eles não têm um discurso de vítima para referência”, explica a antropóloga. “Tem muito homem que não quer trair. Quem quer trair é o poligâmico, mas muitos não são assim”.

O que elas não dizem
A cobrança feminina, diz a antropóloga, está diretamente ligada ao que ela chama de “miséria subjetiva” das mulheres brasileiras. Isso significa que, em nossa sociedade, “um bom marido” é visto como definidor do valor da mulher. “O marido é um capital, e você tem que conquistar seu valor sendo ‘única’. O teu valor está sob fiança do fato de você ter ou não um homem. Aqui, se você for bem-sucedida e ganhar milhões, vai ouvir  'ah, mas ela não tem filhos nem marido'", afirma Mirian.

Com toda a expectativa do valor delas nas costas deles, é compreensível que isso acabe em frustração. “As mulheres têm muito esse discurso, como se ela fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Tem uma defasagem e uma fantasia feminina de achar que ela é a coisa mais especial que existe e que aquele cara pode completar todas as faltas. Aí ela pode se frustrar muito rápido. Você não é tão especial assim”, provoca Mirian. "É isso que gera comentários e padrões do tipo 'ai, mas se usar pochete não dá'”.

O que eles não dizem
Com ou sem infidelidade, o mais comum é que exista um terceiro elemento na relação: o amigo. O círculo de amizades tem um peso enorme na formação da identidade masculina, inclusive na solidificação de conceitos, como a infidelidade ser ou não parte do homem. A lista de justificativas apresentadas no livro de Mirian está cheia de pistas dessa importância – além dos objetivos “pressão dos amigos” e “competição com os amigos”, os entrevistados do sexo masculino apresentaram uma série de frases feitas para justificar o comportamento extraconjugal, como “não dá para comer arroz com feijão todos os dias” e “a carne é fraca”, típicas de discursos de rodinhas de marmanjos.

Na parte da pesquisa em que a antropóloga pergunta sobre o número de parceiras, 100% dos homens responderam que se julgavam fora da média, ou seja, que tinham tido menos mulheres do que os demais brasileiros. Nenhum entrevistado acha que é normal. Todos têm um “amigo que pegou mais mulher”. Todos.

“Para eles, o amigo é o ponto da comparação, então eles sempre têm um amigo que é melhor que eles. Mesmo o que diz que transou com cem mulheres tem um amigo que diz que transou com 200, e esse tem um que transou com 300”, explica Mirian. Uma curiosidade para quem sempre tem um amigo que transou mais: a média de parceiros ao longo da vida é de doze para os homens e oito para as mulheres.

Por que homens e mulheres traem?
Não há uma resposta a essa pergunta. Mas Mirian Goldenberg conseguiu delimitar do que homens e mulheres mais reclamam em seus relacionamentos. A questão sexual, ao contrário do que muitos imaginam, não chega nem perto das maiores razões para a infidelidade. “O sexo está lá embaixo. Se o problema for esse, as pessoas se separaram. Não é por isso que as pessoas traem hoje”, acredita Mirian. Para as mulheres, o principal problema é a falta de intimidade, para os homens, é a falta de compreensão.

“Eles não têm a menor idéia do que elas querem dizer com 'intimidade'. Ela quer ficar remoendo um problema, destrinchando, às vezes por anos. E eles têm aquela relação com os amigos de “vamos beber que passa”. É uma frase feita, mas é também um estilo de amizade diferente da amizade das mulheres. Parece mais simples, mas que funciona muito bem aqui na nossa cultura”, diz a antropóloga.

Atrás de “intimidade e compreensão”, homens e mulheres buscam fora de casa algo que, na opinião da antropóloga, “o casamento parece que destrói e é fundamental nas relações extraconjugais: o tesão de se encontrar”. “O casamento torna as pessoas o seu pior. As pessoas se tornam grosseiras e desagradáveis umas com as outras, engordam, colocam aquela roupinha confortável e larga, o cabelo sujo. Você trabalha até as 7 horas da noite e ainda tem que chegar em casa e trabalhar para ser bom para o outro?”.

Sem o cotidiano e outras características estruturais do casamento, as relações extraconjugais seriam o terreno onde isso nunca acontece. “É tão batalhado estar com aquela pessoa que você vai sempre o seu melhor. O único vínculo é o prazer amoroso. Pra quê eu vou ficar com um amante de cara amarrada? No casamento você encontra mil motivos para ficar”, acredita a antropóloga.

“A solução é ficar atento para esse movimento que destrói o casamento. Cultivar a delicadeza, admiração e respeito um pelo outro. O ideal é cada um lembrar para si mesmo que sempre quis aquela outra pessoa, e que aquela é a vida que sonhou, e que portanto tem que cuidar disso. É muito difícil ter no mundo, uma pessoa que você admira, tem intimidade, respeita, te dá momentos de alegria. Já que é tão raro, tem que cuidar.”

 

Quando começa a traição?

As regras mudam de casal para casal. Mas o que acontece quando elas são diferentes para os parceiros de um mesmo relacionamento?

 

Que o marido tivesse tantas mulheres em seu perfil de redes sociais era um incômodo para a funcionária pública Wanda Oliveira, 41. “Ele também reclamava de alguns contatos masculinos no meu”, diz. Não que ela achasse que isso fosse necessariamente traição – não havia nada no acordo do casal que dissesse que era proibido conversar online com desconhecidos do sexo oposto. Então, ninguém estava quebrando regra nenhuma. Mas, por alguma razão, isso incomodava os dois.

E olhar para o lado, pode?

No segundo ano de casamento, o marido confessou a Wanda uma escapada sexual com uma conhecida em uma festa. Pediu perdão, e ela perdoou: “Não foi fácil. A mágoa demorou a passar. Não conseguiria perdoar se ele tivesse realmente um relacionamento com ela, por exemplo. Não conseguiria”. Ela também acha que não teria conseguido superar se tivesse ficado sabendo por terceiros. “Seria muita humilhação”.

O casamento de Wanda vive sob a forma mais comum de acordo – o monogâmico, em que os dois se comprometem a não fazer sexo com outra pessoa. Mas mesmo uma regra aparentemente clara pode ter mais gradações do que mostra à primeira vista. A história de Wanda é um bom exemplo: mesmo não envolvendo nenhum contato físico, as “amizades” online incomodavam pela intuição do quase inevitável “flerte”. “Sem dúvida é uma ‘porta de entrada’ para a infidelidade”, acredita. Por outro lado, quando houve o contato físico propriamente dito, o casal conseguiu contornar o que, pelo acordo, seria incontornável. Ela notou um novo limite, o do romance, que a perturbaria mais do que uma noite de sexo. Quando, afinal, começa a traição?

“A traição é o rompimento de um acordo. Isso envolve a quebra de algo que foi combinado entre as pessoas envolvidas. Não quer dizer que a traição seja necessariamente sexual, ela pode ser financeira, moral, etc”, diz a psicóloga Renata Soifer Kraiser. “Não há uma regra para o que é o começo da traição. O que para uma pessoa pode ser um indício, para outra pode ser uma bobagem. Por isso o diálogo é tão importante, para que as partes envolvidas tenham plena consciência de quais são as regras”.
A regra é clara
Quando não são esmiuçadas, pode acontecer de um mesmo casal viver com regras individuais. A publicitária Janaína Oliveira, por exemplo, sempre gostou de postar online fotos suas em poses provocantes. Por causa disso, recebia mensagens de admiradores, e respondia. “Gosto de flertar, e a internet é um meio seguro para isso. Nunca encontrei nenhum desses homens, nem nunca encontraria. Para mim, nunca traí meu namorado”, afirma. Mas o namorado de Janaína pensava diferente. “Nunca tínhamos falado sobre isso. Um dia, ele descobriu as fotos – que eu não escondia – e ficou enlouquecido. Se sentiu muito traído. Chegou a terminar comigo”. Um mês e muita conversa depois, eles reataram. “Aí discutimos tudo. Bem preto no branco mesmo, falamos de forma realista o que nos incomodaria nesse sentido. Deu certo”. O flerte foi proibido - tanto na vida real quanto na virtual. E agora ela manda fotos só para ele.

O caminho escolhido por Janaína e seu namorado é o ideal na opinião da psicóloga Renata. “As áreas cinzentas vão aparecendo e tudo tem que ser conversado à medida que elas aparecem”, diz. Pode adicionar desconhecidos nas redes sociais? Admirar alguém atraente na frente do parceiro? Flertar? Sexo casual? Sexo virtual? Só beijar? São muitas as variantes, e todas devem ser discutidas. “Devem ir conversando sempre que aparecer algo que incomoda. Assim, eles têm a chance de refazer o acordo”.

Mas as regras devem ser realistas. O psicólogo Bruno Mendonça alerta que não adianta querer coibir intenções e pensamentos. “Muita gente acha que a traição começa quando o parceiro fantasia ou deseja outra pessoa. Criar uma regra que tente impedir isso só vai criar situações de mentira e culpa”, diz. “Um casal em que os dois são honestos um com o outro e partilham a vontade de fazer o relacionamento dar certo deve apenas fazer um acordo claro e confortável que administre de forma confortável esses desejos e fantasias”.

 

Como descobrir se ele está te traindo?

A lista de indícios de que tem outra mulher no pedaço é bem maior do que uma simples (e clássica) marca de batom na camisa. Fique esperta e confira os nove maiores sinais de infidelidade

Apesar de uma pesquisa norte-americana ter apontado que os homens, além de traírem mais, são mais espertos do que a gente na hora de descobrir uma traição, o nosso cornômetro funciona bem, obrigada. A mulher nasce com instinto detetive. Uma hora ou outra descobre que está dividindo o parceiro com alguém, garante a psicoterapeuta e sexóloga Mara Pusch.

Nem tudo é o que parece
Do inofensível ato de sair de perto para atender ao celular à grave falta de tesão, o rol de atitudes suspeitas é extenso. Mas, para serem confirmadas, essas atitudes precisam acontecer com frequência. Então, nada de surtar cada vez que o telefone tocar ou ele disser que está cansado demais para transar. Pode ser que esteja somente resolvendo um assunto profissional ou enfrentando problemas sérios no trabalho.

Montando um dossiê
Na iminência de uma traição, a calma e o bom senso costumam ser os melhores conselheiros. Foi essa a atitude da publicitária Eliane*, 28 anos. Comecei a desconfiar do meu namorado ao ver sua conta de telefone. Um número que se repetia diariamente e em longas chamadas chamou minha atenção. Pior foi constatar que até no dia dos namorados o danado estava lá! Não fiz nada naquele momento, mas guardei o celular, conta ela, que esperou juntar mais provas para encostar o cara na parede. Ele assumiu o affair e jurou não querer saber mais da outra. E parece estar cumprindo o prometido. Tanto que até já fala em casamento.

Bloqueio inconsciente
Não enxergar o chifre, por mais que ele esteja na cara, acontece. É o caso da designer Isabel*, 37 anos. Juntos há um ano, era comum eu emprestar o carro ao Carlos*. Até que, depois de uma das suas saídas com os amigos, encontrei a carteira de identidade de uma garota debaixo do banco. Quando perguntei o que significava aquilo, ele respondeu ah, é da namorada do fulano; dei carona para eles ontem à noite e deve ter caído. Não acreditei muito naquela desculpa, mas deixei passar. Com medo de brigar, de ficar sozinha, decidi não fazer nada, recorda ela que, meses depois de conviver com o fantasma, acabou trocada pela dona do RG. A falta de atitude nem sempre significa covardia assumida. Algumas mulheres aceitam a traição porque não conseguem lidar com ela. Preferem não sair da zona de conforto pois há muita coisa envolvida, como filhos pequenos ou uma carência mal resolvida, comenta a especialista em comportamento.

Mergulho profundo
Chiliques são inevitáveis quando a infidelidade é confirmada. Essa é a hora de extravasar a raiva, mas nenhuma atitude deve ser tomada de cabeça quente, aconselha a psicoterapeuta, que sugere uma análise da situação e uma boa conversa com o outro. Primeiro para tentar descobrir o que o teria levado a pular a cerca. A mulher pode estar dando atenção apenas à carreira, por exemplo. Só entra alguém no relacionamento quando há uma abertura. Por isso é essencial pensar na responsabilidade de cada um, indica. Outra reflexão importante é saber o que fazer com essa dolorosa descoberta. Vale a pena continuar investindo na relação? Os momentos bacanas vividos pelo casal superam a traição?, questiona.

A hora da decisão
Se depois de todo esse processo você resolver perdoar, tudo bem. Mas tem que esquecer mesmo do assunto, não ficar imaginando possíveis recaídas e transformar a relação num inferno. Procure ainda não se intimidar com a opinião alheia. Preocupe-se com você e no que a fará feliz. Às vezes, a pessoa até perdoa a traição, mas não suporta pensar no que os outros irão comentar, destaca Mara Pusch. E se resolver virar a página e seguir seu rumo sozinha, tudo bem também. A vida é feita de escolhas, e você deve fazer as suas, sempre consciente do que virá com elas.

Prova dos nove
Acompanhe aqui nove sinais de que a infidelidade está próxima, apontados por Mara Push e pela conselheira amorosa Renata Alarcon. Lembre-se: um evento isolado não significa traição. Mas fique de orelha em pé se ele...
1. Não lhe dá mais atenção. Por mais que você tente puxar conversa, ele parece sempre distante e desinteressado pelo que acontece na sua vida.

2. Passa a ter ciúmes excessivos. Por mais contraditório que pareça, pode acontecer dele surtar com um simples olhar seu para o lado. É, quem faz, cuida...

3. Fica irritado por qualquer coisa. Se você está calada, ele reclama. Se você fala, também. Nada que você faça ou diga parece agradar o moço.
4. Sai de perto quando o celular toca. Além de falar tão baixinho que nem o ouvido mais apurado é capaz de entender, muitas vezes desliga o telefone quando estão juntos.

5. Dificilmente atende suas ligações. Uma hora o celular está desligado, na outra toca até entrar na caixa postal. Acabou a bateria, o lugar não tinha sinal, esqueci no escritório ou vou trocar essa porcaria, tá com defeito costumam ser suas desculpas.

6. Começa a trabalhar demais. Ele continua no mesmo emprego, mas passa a fazer hora extra à noite e a trabalhar muuuito nos fins de semana, inclusive com viagens.  

7. Troca sua companhia pela dos amigos. Deixa você de fora de todas as baladas, happy hours e festinhas que aparecerem. Só vai ter homem, diz.

8. Virou a vaidade em pessoa. Se antes ele era até desencanado demais com o visual, agora só usa roupa de grife e aposentou as cuecas velhinhas. Sem falar do corte de cabelo moderno e da manicure impecáveis.

9. Perdeu o apetite sexual. Este é um dos piores sinais. De uma hora para outra, o tesão desaparece. E o sexo, que antes era constante, está cada vez mais raro e ele até evita ficar sozinho com você.

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