Presidente do Egito pode ter fortuna de até R$ 5 bilhões - Afinal, o que está acontecendo no Egito?

Governo americano estima ativos de Hosni Mubarak, mas é incerto quanto está fora do país

Khaled Desouki/08.02.2011/AFP

Mubarak pode ter entre R$ 3,3 bilhões (US$ 2 bilhões) a R$ 5 bilhões (US$ 3 bilhões) em contas bancárias, só não está certo onde elas estão

O governo americano estima que a fortuna do presidente do Egito, Hosni Mubarak, gira entre R$ 3,3 bilhões (US$ 2 bilhões) a R$ 5 bilhões (US$ 3 bilhões), mas é incerto o quanto deste dinheiro se encontra fora do país.

Um levantamento, mostra que o líder, no poder há 30 anos, pode ter acesso a uma considerável quantia caso tenha que se exilar no exterior. Porém, se o sucessor egípcio tentar recuperar o dinheiro, Mubarak corre o risco de ficar sem fundos.

Historicamente, a maioria dos ativos de ditadores fica em seu próprio país. Nick Peck, chefe de investigações complexas de Nardello & Co., disse que milhões de dólares em dinheiro e barras de ouro de Saddam Hussein, foram achados escondidos no Iraque, após o começo da ocupação ameriana (2001).

- Sempre preocupado com a sua própria segurança, eles gostam de manter uma quantidade de dinheiro no seu próprio país. Mas se ele está planejando, a longo prazo, um futuro fora do país, um ditador pensa, 'Deixarei algumas coisas no banco suíço ou em uma conta no Panamá’.

A agência de notícias The Associate Press informou que a riqueza de Mubarak é de R$ 116 bilhões (US$ 70 bilhões) em ativos, mas autoridades dos EUA rejeitaram esse número “muito exagerado”. A título de comparação, Bill Gates, o homem mais rico de acordo com a revista Forbes, possui R$ 88 bilhões (US$ 53 bilhões).

Em outro país em transição, o gabinete provisório da Tunísia aprovou vários mecanismos práticos "para permitir a recuperação de ativos de figuras do regime deposto”, disse a agência de notícias oficial nesta quinta-feira (10).

Uma vez recuperado, "os fundos de contrabando e saquearam e ativos" serão utilizados para o desenvolvimento das áreas mais pobres, principalmente no país, informaram. Lá, o ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali foi deposto três semanas atrás, após ficar 23 anos no poder.

Primeiro-ministro disse que Mubarak deve renunciar

No início desta tarde, o primeiro-ministro Ahmed Shafiq disse à rede BBC que Mubarak deveria renunciar em breve. Mas o que parece ter sido a sentença de morte ao regime foi a declaração do general Hassan al Roueini, um dos mais altos oficiais do Exército. Num discurso na praça Tahrir, ele disse que as demandas dos manifestantes “serão alcançadas ainda hoje”.

Desde a independência do Egito em 1953, nenhum presidente governou sem apoio das Forças Armadas. O ministério da Informação de Mubarak negou, no entanto, que ele deixará o poder.

Se a saída de Mubarak abre o caminho para a democracia no Egito, como pedem os manifestantes, também inaugura um período de incertezas.

Há temores de que o Exército dê um golpe de Estado, mantendo-se no poder. Já os Estados Unidos e Israel temem que a Irmandade Muçulmana assuma o poder e instaure uma república islâmica no país.

 

Afinal, o que está acontecendo no Egito?

Protestos pedem fim do regime autoritário de Hosni Mubarak, que governa desde 1981

Khaled Desouki/03.02.2011/AFP

Inspirados na revolta que derrubou o governo da Tunísia no início do ano, milhares de egípcios compareceram a um grande protesto nas ruas do país no último dia 25 de janeiro. O movimento, reforçado convocado pela internet, ganhou o apoio de ativistas islâmicos.

Desde então, todos os dias, mais e mais manifestações surgiram pelo país. A polícia inicialmente tentou reprimir as manifestações e cerca de 300 pessoas podem ter morrido nos embates, de acordo com uma estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas).

Nesta quarta-feira (2), manifestantes a favor de Mubarak invadiram a principal concentração opositora ao presidente, a praça Tahrir, no centro do Cairo. O confronto, com direito a disputas em camelos e cavalos, provocou a morte de mais de dez pessoas e deixou mais de mil feridos. Intimidações a jornalistas passaram a ser registradas com mais frequência e até mesmo profissionais brasileiros sofreram com o cerco.

O que motivou a revolta?

O movimento no Egito explodiu depois que uma onda de protestos derrubou o governo autoritário da Tunísia. O então presidente do país do norte da África, Zine el Abidine ben Ali, fugiu do solo tunisiano em 14 de janeiro. Também há manifestações no Iêmen, na Jordânia e em outros países árabes.

No Egito, os manifestantes acusam o regime de Mubarak de repressão, fraudes eleitorais, corrupção, responsabilidade pela pobreza e pelo desemprego no país, de mais de 80 milhões de habitantes.

Na última terça-feira (1º), os manifestantes convocaram a Marcha do Milhão, que colocou uma multidão nas ruas do Cairo, de Alexandria e de outras cidades. Os egípcios desafiaram o toque de recolher imposto pelo regime, que também cortou os sinais de internet e de telefone, para conter os protestos.

Quem está contra o governo?

A oposição no Egito é dividida em dois grandes grupos. O primeiro e mais organizado é a Irmandade Muçulmana, um partido islâmico fundado em 1929.

O grupo foi posto na ilegalidade por Mubarak, sob pressão dos Estados Unidos, que temem a influência islâmica nos governos da região.

O outro grupo, formado pela classe média e setores pró-Ocidente, passou a ser liderado pelo Prêmio Nobel da Paz, Mohammed ElBaradei. O diplomata, ex-diretor da AIEA (agência nuclear da ONU), voltou ao país e está liderando o movimento de oposição.

A Irmandade Muçulmana já indicou que aceita um governo de coalizão nacional liderado por ElBaradei, que já negocia com os EUA as bases de uma transição no país.

Por que o Egito é tão importante?

O Egito é considerado vital para a estabilidade no Oriente Médio e no norte da África e o mundo teme que a instabilidade no país comprometa a já inflamada região.

Além de ser o guardião do Canal de Suez, por onde passa boa parte do comércio internacional, o país, além da Jordânia, é o único a reconhecer o Estado de Israel.

O Egito é o quarto país que mais recebe recursos dos EUA –  R$ 2,5 bilhões (US$ 1,5 bilhão) por ano.  Mubarak tem sido um aliado histórico dos americanos, que temem que o fim do regime abra caminho para que a Irmandade Muçulmana assuma o poder.

Esse é também o principal temor de Israel, já que o grupo islâmico tem ligações com o Hamas palestino (grupo fundamentalista que controla a vizinha faixa de Gaza). O Ocidente também teme que a irmandade instaure um regime islâmico no país.

O que irá acontecer?

A maioria dos analistas não acredita que Mubarak consiga se manter no poder. Na última terça-feira (1º), o presidente tentou acalmar os protestos declarando que não será candidato à reeleição em setembro.

A decisão do líder de 82 anos, com saúde frágil, já era possível antes da crise e a expectativa era a indicação de seu filho, Gamal Mubarak, 47 anos, para o cargo. No entanto, nesta quinta-feira (3), o vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse na TV estatal que Gamal também não concorrerá. Suleiman também disse que está excluído do processo eleitoral.

Nos últimos dias, o Exército chegou a dar sinais de que pode abandonar a lealdade a Mubarak, ao tomar a decisão de não reprimir os protestos. Muitos militares estão desertando e se juntando aos manifestantes.

O regime também perdeu o apoio de governos internacionais como o dos EUA, que pediram uma transição com ordem para o país.

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