Sede da Draco permanece fechada; mais delegados podem ser presos

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), na Zona Portuária do Rio, amanheceu fechada pelo segundo dia consecutivo. Mas, ao contrário de ontem, hoje não há policiais na porta da unidade. No domingo, o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, mandou lacrar a sede da Draco para a realização de uma devassa, após receber denúncias de que policiais estariam extorquindo prefeituras.

Turnowski garantiu que adotou a medida após consultar o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Na segunda pela manhã, a Corregedoria Interna da Polícia Civil começou a procurar documentos que possam provar possíveis irregularidades na Draco. As investigações continuam hoje. A expectativa é de que mais delegados e outros agentes possam ser presos nos próximos dias. 

Delegado diz que está constrangido

O delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Claúdio Ferraz reconheceu estar constrangido com a devassa que está sendo feita na unidade pela Corregedoria da Polícia Civil.

"Ele (Turnowski) deve ter lá os seus motivos para estar agindo desta forma. Eu não tenho o que falar, mas é claro que é um constrangimento", afirmou Ferraz, ao deixar o prédio da unidade. Apesar de ter ficado cerca de quatro horas no local junto com o corregedor de polícia, Gilson Emiliano Soares, Ferraz disse que não foi à delegacia por causa do episódio.

Ainda na tarde desta segunda-feira dois documentos com a assinatura de Ferraz e de um de seus homens de confiança autorizam o arquivamento de processos naquela delegacia.

Associação de delegados quer que Cabral exonere Beltrame

O presidente da associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro (Adepol-RJ), Wladimir Reale, enviou ao governador Sérgio Cabral, na tarde de segunda-feira uma carta pedindo a exoneração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

O motivo do pedido a Cabral seriam os "abusos" praticados desde o início da Operação Guilhotina, que pretendia prender policiais civil e militares acusados de corrupção. A ação teve início na última sexta-feira.

Reale não questiona a ação em si, mas repudia as invasões às delegacias e diz que é uma situação inaceitável. Ele diz ainda que a  "espetaculosidade" de Beltrame à frente da Secretaria de Segurança pode estar atrelada à candidatura do secretário a algum cargo eletivo.

O texto diz ainda que Beltrame é inexperiente: "É notória a inexperiência do Secretário Beltrame, no que se refere às atividades de polícia judiciária, tendo em conta que recém-saído da Academia Nacional de Polícia em Brasília, com um pouco mais de 2 anos no cargo de Delegado de Polícia Federal, foi nomeado para o cargo político de Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro".

Segundo assessores do governador Sérgio Cabral, nenhuma carta enviada pela Adepol foi protocolada no Palácio Guanabara, em Laranjeiras (Zona Suldo Rio) nesta segunda-feira.

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