Voltada para o Sul

Residência em Pedreira, interior paulista, foi construída em diferentes níveis e com vista para as montanhas

O living tem 23,6 m² e pé-direito de 4 m. A sutil diferença de pisos destaca-se na varanda e na sala. O externo tem placas um pouco menores (38 x 38 cm), é um tom acima do da sala e antiderrapante. O guarda-corpo de metal pintado de branco segue o padrão escolhido para a escada. As portas de correr de vidro com 10 mm de espessura, sem caixilhos de alumínio, oferecem transparência total para as montanhas.


" Quem vê da rua, enxerga uma casa discreta, convencional, com telhado. Ao entrar, a surpresa: o projeto contemporâneo traz área social livre totalmente envidraçada, voltada para a vista das montanhas"

 

O terreno em declive, estreito na frente, largo no fundo, cercado por montanhas e riachos, foi escolhido pelos proprietários sob orientação do arquiteto. Ao indicar o local em Pedreira, interior paulista, o profissional tinha em mente erguer uma casa em diferentes níveis, com ambientes envidraçados voltados para o Sul. "Gosto muito da face Sul, apesar de muitas pessoas pensarem o contrário. Como o Brasil é um país tropical, com inverno muito curto, esse posicionamento traz um melhor conforto térmico. As sombras nas varandas à tarde favorecem aproveitamento do espaço e evitam o uso de ar-condicionado".


As grandes aberturas em vidro e o piso cerâmico bege (45 x 45 cm) integram os ambientes de jantar e estar. Os tons claros predominantes aumentam a sensação de amplitude. O espaço de jantar tem 21,22 m². na luminária sobre a mesa foram usadas lâmpadas bipino de 50 watts.

Outra característica determinante para a escolha foi o formato do terreno. Com laterais de 28,20 m e 29,30 m, a área possuía 13,50 m de frente e 23,10 m nos fundos, o que permitiu erguer uma casa de 310 m² que parece comum para quem vê da rua e se torna grandiosa para os que a conhecem por dentro. Para aproveitar ao máximo a vista da natureza, a arquitetura previu dormitórios no nível da rua e, no piso inferior, toda a área social e de lazer. Os espaços de convívio se unem na planta livre, toda aberta, que integra estar, jantar, cozinha e espaço gourmet. A área externa, com paisagismo e deque de madeira, chega a 413, 64 m².

A discrição da fachada foi um pedido dos proprietários. "Gosto muito da arquitetura com volumes e sem telhado, que é meu forte, mas, se as pessoas sonham com algo, não costumo ser irredutível: quero vê-las felizes morando no local."

O nicho da têve (2,20 x 0,50 m) recebeu prateleiras de MDF revestidas com laminado na cor Hazel Linheiro Fórmica. A porta que leva à fonte com espelhod'água tem 3,30 x 3,15 m e a que leva à varanda chega a 5,00 x 3,15 m. O forro de madeira cedro esconde a fiação das luminárias com lâmpadas focadas de AR 111, AR 70 e PAR 20.

Salas , cozinha e terraço com churrasqueira formam um ambiente único. Entre a área de jantar e a de preparo das refeições não há divisória física. A grande abertura em vidro de 3,50 x 3,15 m protege o ambiente interno da área de lazer. O conforto na hora de receber os amigos se reflete também na porta de vidro e na janela de 2,50 x 1,00 m que fazem a ligação com a cozinha. A escada se destaca como elo da área íntima com a social. Os degraus revestidos por mármore travertino nacional com guarda-corpo de metal pintado na cor branca dialogam harmonicamente com os demais elementos.

A cozinha tem 18,84 m². Os armários são de MDF revestido com laminado na cor Hazel Linheiro Fórmica, o mesmo material das prateleiras do nicho da tevê, e de vidro branco leitoso. As bancadas são de granito Aqualux.

Sem imprevistos

A construção transcorreu sem surpresas ou grandes desafios. O arquiteto projetou, construiu e administrou a obra. Fundação de estaca Strauss para 20 toneladas, baldrame, estrutura de concreto armado, alvenaria de tijolos comuns e a aplicação de manta asfáltica para impermeabilizar os muros de arrimo resumem o trabalho estrutural. A estaca Strauss foi escolhida por ser uma das mais baratas. Além disso, não poderia haver escavação por perfuratriz, já que não seria possível entrar com máquina, devido ao desnível do terreno.

Também com foco na economia, o arquiteto optou por revestimento cerâmico em praticamente toda a residência, mudando apenas a paginação e alguns detalhes. Os demais elementos seguiram a mesma linha: "A casa é tão gostosa que a última coisa que a pessoa vê são os revestimentos. Quando temos uma arquitetura agradável, não precisamos investir em materiais caros, não é isso que garante o bem-estar dos moradores."

Parcerias

Na busca desse bem-estar, o profissional contou com a ajuda de parceiros para demandas específicas. Uma designer projetou a marcenaria do closet do casal, do dormitório e do estar. Outra integrou ao projeto de decoração móveis e objetos trazidos pela família. "Atendemos ao conforto e à simplicidade, prioridades do casal, propiciando uma atmosfera moderna, humana e sofisticada, integrada à natureza".

A fachada envidraçada volta-se para o deque e a área de lazer externa, integrando totalmente a casa à vista das montanhas. Palmeira rabo-de-raposa, formio verde, dracena arbórea, aspargos rabo-de-raposa e mini-formio compõem o espaço externo.


O deque com bancos de madeira cumaru ocupa 70 m². A área de relaxamento de 4,25 x 4,25 m foi estruturada com o mesmo material. O pergolado é protegido por vidro temperado. O treliçado da cobertura reforça a estrutura. O spa acomoda confortavelmente até seis pessoas. A treliça da cobertura forma quadrados de 39 x 45 cm e é protegida por vidro de 10 mm incolor.

No nível mais ba ixo do terreno, que tem 168,85 m², as placas de São Tomé irregulares levam a um local para relaxamento com outro espelho-d'água e um jardim vertical. Nos cachepôs cultivamse frutíferas e, nos vasos, temperos variados. Moreia branca e murta complementam o paisagismo nesse local.

Por fim, o projeto paisagístico dialoga harmonicamente com a arquitetura. "O jardim da frente foi marcado pelas palmeiras da espécie Veitchia, elementos verticais que conversam com a fachada. Para compor com elas, outras vegetações de menor porte foram utilizadas. O Jasmim-do-cabo abraça a frente da casa e estimula o olfato".

O espelho-d'água com bicas oferece movimento ao jardim lateral da sala de estar, e os pisantes "flutuantes" dão acesso a um deque que faz a ligação com a parte de baixo do jardim. "No nível mais baixo, os sentidos voltam a ser explorados com temperos e frutíferas".

 

Para aproveitar ao máximo a vista da natureza, a arquitetura previu dormitórios no nível da rua e, no piso inferior, toda a área social e de lazer. Os espaços de convívio se unem na planta livre, toda aberta, que integra estar, jantar, cozinha e espaço gourmet. O terreno em declive, voltado para a face sul, oferece maior conforto térmico em dias de calor - a maior parte do ano.

A fachada frontal discreta e com telhado tradicional foi um pedido do proprietário. Os elementos simples reservam à intimidade a ousadia do interior. Mosaico português nos acessos e o tom cinza muito claro escolhido por Maris Carrari para as paredes atestam a simplicidade proposta. O paisagista apostou em palmeiras, buxinhos, agapantus, barba-de-serpente, capim-dotexas rubro, tumbérgias, jasmim-docabo, moreia e nandina.

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