Walmart é acusado de ridicularizar funcionários na Bahia

O Walmart está sendo acusado pelo Ministério Público do Trabalho na Bahia de promover assédio moral contra empregados do Sam’s Club, empresa do grupo. Assédio moral é a ação geralmente exercida por chefe contra subordinado e que tenta afetar a dignidade da pessoa, criando um clima desestabilizador e hostil.

Segundo a Procuradoria do Trabalho, as práticas incluíam ridicularização de trabalhadores por superiores diante de clientes e “comparações de cunho jocoso” entre o desempenho dos baianos e dos paulistas.

Em ação proposta contra o Walmart, cuja primeira audiência será no próximo dia 23, o Ministério Público solicita à Justiça a aplicação de multa de R$ 5 milhões contra a empresa. Afirma que “práticas de abuso de poder e manipulação perversa” foram comprovadas em 18 denúncias de empregados do Sam´s Club em Salvador, que dizem ter sofrido “perseguições, constrangimentos morais e cobrança excessiva”.

Ainda segundo a ação, os depoimentos revelaram um “cenário de completo abuso e violento assédio moral” contra empregados de diversos setores.

“Gestos, palavras e atitudes de desprezo, [...], controle de uso do banheiro, ameaças, revistas e demissão injustificada estão entre as queixas. Termos como “burro”, “incompetente” e “incapacitado” são constantes em relatos”, afirmou a Procuradoria em nota.

A procuradora do Trabalho Ana Emília Albuquerque, autora da ação, diz acreditar que as práticas integrem a “cultura organizacional” da empresa. Embora apenas um funcionário de chefia tivesse sido citado nas denúncias, ela afirma ter verificado “permissividade” da empresa em relação a esse tipo de comportamento.

Além do pagamento de multa, o Ministério Público pede que o Walmart seja condenado ao cumprimento de medidas como campanhas internas de conscientização, suspensão de supostas ameaças a empregados e uso de fiscais e câmeras para controlar funcionários.

Outro lado

Em nota, o Walmart informou que “a empresa abriu imediatamente processo de investigação interna para apurar os fatos”, e que o funcionário citado foi afastado de suas funções “para poder apurar as denúncias com total transparência”.

A empresa afirmou ainda repudiar “qualquer manifestação de preconceito ou assédio em todas as suas formas”. Disse promover campanhas internas voltadas à “liderança servidora”, de estímulo ao “comportamento colaborativo e inclusivo”. Informou ainda manter um canal para funcionários comunicarem eventuais irregularidades e que a nova diretora do Sam´s Club em Salvador iniciou carreira como repositora na região Nordeste, trajetória semelhante a do diretor regional, que nasceu e vive em Salvador.

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