Mitos e verdades do toque retal



O toque retal é um exame simples, rápido e considerado muito eficiente para detectar problemas na próstata.
Contudo, a maneira como ele é realizado ainda faz muitos homens evitarem os consultórios urológicos. No filme Biutiful, indicado ao Oscar, o personagem do ator Javier Bardem, por adiar tanto o exame, acaba por descobrir um câncer na próstata em estágio avançado, já espalhado por outros órgãos.
"As coisas têm mudado bastante nos últimos 10 anos. O exame está mais aceito porque as pessoas estão se conscientizando de sua necessidade", afirma o urologista Cássio Andreoni, chefe da disciplina de urologia na Unifesp.
Apesar disso, o exame ainda é cercado por preconceito, piadinhas e medo. "O paciente chega com dúvidas no consultório. Pergunta como vai ser, se vai doer", conta o médico. Selecionamos na forma de mitos e verdades as principais informações sobre o exame para quem vai fazê-lo pela primeira vez. Vale lembrar que toda próstata adoece, mais cedo ou mais tarde. Só no Brasil, o câncer de próstata atinge 52 mil pessoas por ano, por isso é tão recomendado o acompanhamento médico.
Todo homem precisa fazer o toque retal.
Verdade – Não existe outro exame capaz de substituir o toque retal. Ele deve ser feito anualmente a partir dos 45 anos. Se houver histórico familiar de câncer na próstata, o primeiro toque deve acontecer aos 40 anos.
O toque retal dói.
Mito – Ele causa incômodo. “O desconforto é maior quando o homem não está relaxado”, afirma o urologista Cássio Andreoni, chefe da disciplina de urologia na Unifesp. Há risco de doer caso o homem tenha alguma inflamação na próstata, pois ela vai ser tocada durante o exame. O processo é rápido, dura alguns segundos.
Se o exame de PSA der normal, isso significa que não tenho câncer.
Mito – “Em cerca de 15% dos resultados normais, o paciente tem problemas detectados no exame de toque”, afirma o urologista Manoel Antonio Guimarães, diretor clínico do Hospital da Polícia Militar do Paraná.
Se o PSA for aperfeiçoado, ele poderá substituir o toque retal.
Mito - Inicialmente, acreditava-se que o PSA (antígeno prostático específico) fosse uma enzima exclusiva da próstata, mas hoje é sabido que ela é produzida por outras glândulas como as periuretrais e as pancreáticas. É pouco provável que ele venha a substituir o toque retal, embora ainda seja um indicador interessante e simples de obter (por exame de sangue).
Mesmo sem indício de câncer, é preciso continuar fazendo os exames de toque anualmente.
Verdade – Estima-se que um em cada seis pessoas com 75 anos tenham tumor na próstata. Este é o segundo câncer mais comum em homens, perdendo apenas para o tumor de pele não-melanoma, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). São esperados mais de 52 mil diagnósticos por ano no País.
Exames de imagem podem detectar tumores pequenos na próstata.
Mito – Diferente de outros cânceres, como o de mama, o tumor na próstata não surge com apenas um foco concentrado. Ele possui diversos pontos pequenos, mais fáceis de serem notados pelo toque do urologista.
O toque retal detecta outros problemas na região, além do câncer de próstata.
Verdade – Ele representa uma avaliação geral da próstata e pode detectar alterações como hiperplasia (aumento acima do normal), causado por alterações hormonais. O exame detecta ainda inflamações e doenças no canal retal. “O contato com o paciente, um exame físico, representa a base da medicina. É tão básico quanto verificar a pressão arterial ou a temperatura”, compara Andreoni.
O exame retal requer que o paciente fique em posição ginecológica.
Mito – Existem alternativas de posições para o exame, como deitar o paciente de lado. A possibilidade de mudar a posição pode ajudar o paciente a se sentir mais confortável, reduzindo o incômodo.
O câncer de próstata faz parte do envelhecimento do homem.
Verdade – O passar do tempo torna algumas mudanças evidentes no corpo do homem. A barriga cresce, a massa muscular pode reduzir, assim como a disposição sexual. São consequências de alterações hormonais. Além do que sobressai à vista, outras mudanças acontecem no organismo e podem colocar a saúde em risco. Uma delas ocorre na próstata. Estima-se que todo homem que viver até os 100 anos terá algum tumor na próstata.
É preciso fazer uma biópsia para confirmar o câncer de próstata.
Verdade – O exame de toque é o mais indicado para levantar a suspeita da doença, entre outros problemas da próstata. Mas apenas uma biópsia confirma o tumor, bem como sua gravidade.
Nem todos os tumores na próstata precisam ser tratados.
Verdade – Alguns progridem muito lentamente, por isso precisam apenas ser acompanhados, em vez de tratados. “É frequente dizer ao paciente que ele vai morrer com o tumor, e não por causa do tumor”, afirma Andreoni.
Todo paciente que opera a próstata acaba com algum grau de impotência ou de incontinência urinária.
Mito – “A disfunção erétil atinge cerca de 10% dos pacientes e a incontinência urinária não passa dos 3%”, conta Andreoni. Os índices de sequelas diminuíram bastante desde que a cirurgia pôde ser realizada com auxílio de robôs. Atualmente, até os serviços públicos de saúde oferecem técnicas minimamente invasivas, que permitem ao paciente se recuperar rapidamente.
 

PSA: médicos reforçam importância do exame

Um estudo europeu publicado na revista científica britânica British Journal of Cancer mostrou que 12,5% dos exames para detectar o câncer de próstata dão resultado “falso positivo”. Isso indica que uma parcela de homens acaba submetida a procedimentos invasivos como biópsias e até inicia tratamento contra a doença, quando na verdade não tem o tumor. Apesar da incidência de resultado discordante afetar um em cada oito testes realizados, os médicos reforçam a importância do exame, classificado como o mais eficaz na detecção deste tipo de câncer – um dos mais letais para o público masculino.
O teste avaliado foi o PSA, sigla inglesa para Antígeno Prostático Específico, que mede a presença do antígeno, uma proteína secretada pela próstata. Grandes quantidades da proteína podem estar associadas ao câncer da próstata. Ainda não existe um estudo ideal sobre a influência do PSA na redução da mortalidade por câncer de próstata, mas é fato que é o melhor marcador da doença que temos disponível hoje é este, afirma o doutor em urologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, André Cavalcanti. Os dados mais recentes, inclusive que fazem parte deste estudo europeu, mostram que a redução de mortes é de 20% afirma.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) também reforça a recomendação do PSA como exame de rotina para a detecção do câncer de próstata, assim como o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A entidade beneficente britânica Câncer Research UK promove pesquisas sobre o câncer e a parte finlandesa deste grupo acaba de concluir as informações sobre os falsos positivos do PSA. Segundo a diretora dos programas de testes para câncer do NHS – o sistema nacional de saúde britânico – Julietta Patnick, se por um lado o estudo europeu revelou que os testes PSA podem salvar vidas, mostrou também que "48 homens precisam ser tratados para que uma vida seja salva".
O médico Peter Johnson, da Cancer Research UK, disse que os testes têm aspectos positivos e negativos. "Por essa razão, é importante que homens com idades acima dos 50 e 60 anos conversem com seus médicos sobre os prós e contras do exame e só façam o teste se sentirem que é a coisa certa para eles". No Brasil, entretanto, o problema é que poucos homens têm o hábito de ir ao médico com regularidade e a decisão de fazer ou não o teste precisa, impreterivelmente, de um aval da medicina.
Situação brasileira
Segundo os últimos dados disponíveis do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto 17 milhões de mulheres procuram anualmente o ginecologista, o número encolhe para 2,7 milhões quando os dados são sobre visitas anuais de homens ao urologista (informações de 2007). A discrepância do cuidado com a saúde entre o universo masculino e o feminino fez o Ministério da Saúde lançar em agosto do ano passado o Plano Nacional de Saúde dos Homens. Uma das diretrizes firmada com grupos universitários e sociedades médicas de todo o País foi de diminuir a mortalidade por câncer de próstata.
Pelas projeções do Inca, só em 2010, serão 52.350 novos casos de câncer de próstata no País, o que promove uma taxa de incidência de 53 registros em 100 mil habitantes. A população masculina não pode usar dados científicos que ainda não são decisivos como parâmetros para ir ou não ao médico, reforça Cavalcanti. A recomendação é que, após os 45 anos, a visita ao consultório do urologista deve ser anual diz o especialista.
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